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Emily Dickinson – Versos na tarde – 26/10/2017

Poema
Emily Dickinson ¹

Sépala, pétala, espinho.
Na vulgar manhã de Verão –
Brilho de orvalho – uma abelha ou duas –
Brisa saltando nas árvores –
– E sou uma rosa!

Ter medo? De quem terei?
Não da Morte – quem é ela?
O Porteiro de meu Pai
Igualmente me atropela.

Da Vida? Seria cômico
Temer coisa que me inclui
Em uma ou mais existências –
Conforme Deus estatui.

De ressuscitar? O Oriente
Tem medo do Madrugar
com sua fronte sutil?
Mais me valera abdicar!

A uma luz evanescente
Vemos mais agudamente
Que à da candeia que fica.
Algo há na fuga silente
Que aclara a vista da gente
E aos raios afia.

Experiência para mim
É cada qual que eu encontro.
Será que contém um fruto?
A Imagem de uma Noz

Aparece numa Árvore,
Igualmente plausível;
Mas Miolo é requisito
Para esquilos e p’ra Mim.

O Fado mata-o, mas ele não caiu –
Dos dois – o Fado tombou.
E nas mais terríveis varas empalado –
A tudo neutralizou.

Morde-O e sapa-lhe o mais firme Avanço
Mas, quando o Pior passou,
E Ele, impassível, o fitou nos olhos,
Por Homem o aceitou.

¹ Emily Dickinson
* Boston, Usa – 10 de Dezembro de 1830
+ Boston, Usa – 15 de Maio de 1886

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