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Economia: 1929 redivivo?

Neoliberalismo, terceira via, desregulamentação do Estado, Estado mínimo… Seja qual for o adjetivo e/ou definição que se use a realidade é que, como escreveu Karl Marx, sobre a Revolução Francesa:  “A história acontece como tragédia e se repete como farsa”.

É provável que o que a economia esteja passando hoje talvez aconteça em função das injustiças e ausência de isonomia na democracia em amplitude mundial. Há uma ausência de senso crítico – a mídia controlada, parcial e comprometida não permite que pensamentos não alinhados com esses interesses cheguem ao povo – e o que se assiste é uma quase absoluta falta de mobilizações populares, e de pessoas, suficientemente esclarecidas que pensem antes de votarem.

No sanatório geral em que se transformou o mundo na tal de “pós-modernidade” surgem oportunidades para descomunais especulações financeiras, bolhas, as mais diversas e oportunistas, produzindo uma sensação, falsa, mas não percebidas pela maioria, de prosperidade, que agora já percorre o estreito caminho da saturação.

O Editor

Ps. O que acontece na agora chamada de “primavera árabe” é mais uma saturação da secular tolerância a governos despóticos, do que a percepção do ‘kaos’ do capitalismo especulativo.


Quem avisa amigo é

Vale, por um dia, começar além da política nacional, arriscando um mergulho lá fora.

O que está acontecendo na Europa e quase aconteceu nos Estados Unidos, onde bancos estão falindo, cidadãos sendo despejados de suas casas, economias desmanchando-se como sorvete e, last bus not least, magnatas conseguindo salvar suas fortunas e mandando a conta para a classe média e o povão através de aumento de impostos, desemprego em massa e supressão de investimentos sociais.

O risco, como em 1929, é de multidões ganharem as ruas, enfrentando a polícia e depredando tudo o que encontram pela frente. Tornarão impossível a vida do cidadão comum, instaurando o caos.

Por quê?

É preciso notar que esse protesto anunciado começa com a inadimplência mas logo chega à fome, à miséria e à doença.

Não dá mais para dizer que essa monumental revolta prevista com data marcada é outra solerte manobra do comunismo ateu e malvado.

O comunismo acabou. Saiu pelo ralo.

A causa do que vai ocorrendo repousa precisamente no extremo oposto: trata-se do resultado do neoliberalismo.

Da consequência de um pérfido modelo econômico e político que privilegia as elites e os ricos, países e pessoas, relegando os demais ao desespero e à barbárie.

Fica evidente não se poder concordar com a violência. Jamais justificá-la. Mas explicá-la, é possível.

Povos de nações e até de continentes largados ao embuste da livre concorrência, explorados pelos mais fortes, tiveram como primeira opção emigrar para os países ricos.

Encontrar emprego, trabalho ou meio de sobrevivência.

Invadiram a Europa como invadem os Estados Unidos, onde o número de latino-americanos cresce a ponto de os candidatos a postos eletivos obrigarem-se a falar espanhol, sob pena de derrota nas urnas.

O problema é que serão os primeiros a sofrer.

Perderão empregos, bicos e mesmo o direito de pedir esmola.

Preparem-se os neoliberais.

Os protestos não demoram a atingir as nações ricas.

Depois, atingirão os ricos das nações pobres.

O que fica impossível é empurrar por mais tempo com a barriga a divisão do planeta entre inferno e paraíso, entre cidadãos de primeira e de segunda classe. Segunda? Última classe, diria o bom senso, porque serão aqueles a quem a conta da crise será apresentada.

Como refrear a multidão de jovens sem esperança, também de homens feitos e até de idosos, relegados à situação de trogloditas em pleno século XXI?

Estabelecendo a ditadura, corolário mais do que certo do neoliberalismo em agonia?

Não vai dar, à medida em que a miséria se multiplica e a riqueza se acumula. Explodirá tudo.

Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa

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