E-commerce: um mercado a explorar
Previsão da Câmara e-net, é de que as vendas on-line cresçam 30% ao ano
O Brasil é responsável por 45% do faturamento de comércio eletrônico da América Latina. Foto: Fotolia/ Golden Light.
Um estudo inédito da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), divulgado dia 26, revelou que 66% das empresas do varejo, associadas à entidade que responderam a pesquisa (cerca de 1.200), possuem site próprio. Outros 34% ainda não entraram no universo digital. A análise mostra que, do percentual de empresas que possui site, 64% ainda não utilizam o e-commerce como canal de vendas. Isso significa que 23% do total de pesquisados vendem pela web.
Apesar de as microempresas aparecerem no relatório entre as que menos estão on-line (41%), seguido pelas pequenas (15%), grandes (14%) e médias (5%), são elas que mais utilizam o e-commerce em seus negócios. Os dados foram apresentados durante o Ciclo MPE.net – Ciclo de Seminários de Comércio Eletrônico, realizado pela Câmara-e.net (Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico).
A micro empresa de Bruna Braz, que vende DVD de cursos para festas, é um exemplo de sucesso no e-commerce, obtendo 90% do faturamento das vendas pela internet. “Estamos na web há sete anos, com vendas por telefone; há quatro fazemos e-commerce. Quando começamos a fazer anúncios no Google, tivemos um incremento de 60% na nossa receita”, fala a empresária.
Segundo Sandra Turchi, superintendente de Marketing da ACSP, “a gente quer levar mais conhecimento sobre o uso das ferramentas digitais para gerar mais negócios aos empresários. Mesmo que o ramo dele não necessite de e-commerce, propriamente dito, ele pode usar a internet a seu favor e atender seu consumidor de uma forma ainda melhor,” diz.Quando o estudo é dividido por setores, a indústria aparece como aquela que mais investe em sites próprios (80%). No comércio atacadista 70% têm sites próprios. Na área de prestação de serviços, 67% das empresas estão on-line. Na quarta posição, com média de 65% de empresas com seus negócios também na web está a construção civil. Na sequência estão, comércio varejista (60%) e instituições financeiras (58%).
A C&C Casa e Construção, é um dos poucos home centers que apostam no e-commerce de materiais de construção. Segundo Mauricio Grandeza, que há três anos está à frente das estratégias de televendas e e-commerce da empresa, entrar no comércio eletrônico foi um grande desafio para a loja que há nove anos está nesse nicho. “Esses anos foram bem difíceis. Desde o começo sabíamos que era um caminho sem volta. Temos no e-commerce um apoio fundamental para a loja física”, diz.
Do volume total de visitação do site do home center, 3% compram, enquanto do total de visitação da loja física cerca de 50% a 60% saem da loja com algum item. “Sabemos que o retorno é a longo prazo. Hoje, nosso foco principal é aumentar a base de clientes. Batemos recorde de vendas on-line em novembro com 54% a mais em relação ao mesmo período de 2008. No último dia 30, houve recorde de vendas em um único dia. Atribuímos isso ao 13º salário, ao bom momento da construção civil, redução de IPI e ao apagão. Registramos altas vendas em geradores, lanternas e luminárias de emergência pela internet”, fala Grandeza.
Para Sandra, da ACSP, estar on-line hoje é praticamente uma necessidade de todo mundo, das pessoas físicas e jurídicas. “Agora, quanto ao e-commerce, não é uma obrigatoriedade para todos. Depende do tipo de negócio, mas ela pode usar a internet para divulgar o seu negócio para vender no mercado B2B, usar sistemas de buscas orgânicas no Google ou outros, para aparecer para o seu mercado, do seu interesse”, avisa.
Quem não faz venda pela internet, pode estar perdendo uma fatia de mercado que cresce a cada dia. Dados da Câmara-e.net, mostram que o Brasil em comparação com países da América Latina é o que mais faz comércio eletrônico. “Nós temos uma posição de vanguarda e de liderança incontestável. Hoje o Brasil é responsável por 45% do faturamento do comércio eletrônico da América Latina inteira. Para você ter uma ideia, o México, que é o segundo colocado, representa 15% do faturamento. Somando o Brasil e o México, nós temos 60% do faturamento na região”, diz Gerson Rolim, diretor executivo da Câmara.
Isso significa que o comércio eletrônico no Brasil é muito evoluído e tem muito para evoluir. É um segmento da economia que cresce a uma taxa de 45% ao ano, nos últimos dez anos, segundo dados da Câmara-e.net. E as boas previsões não param por aí. Rolim diz que a entidade projeta “um crescimento de pelo menos 30% ao ano nos próximos cinco anos e que, a estimativa de faturamento apenas no natal de 2009, é de R$ 10,8 bilhões, excluindo as vendas de automóveis, de passagens aéreas e leilões online.”
Entrando na web – Um dos pontos chaves que levaram o Brasil à vanguarda nas vendas on-line “é justamente o que a gente chama de ecossistema do comércio eletrônico”, diz Rolim. Para quem quer ingressar na web e no e-commerce, várias empresas oferecem serviços e suporte. “Se quiser entregar, os correios têm um produto específico para o comércio eletrônico que se chama e-sedex. Você quer fazer a propaganda, o webmarketing, tem o Google, com o Adwords, que é líder em audiência. Não falta estrutura. As empresas que prestam serviço para o varejista on-line no Brasil estão muito evoluídas.”
Internet segura – A ACSP e a Câmara-e.net, lançaram no último dia 26, o Selo Internet Segura que vai vigorar a partir de fevereiro de 2010. O Selo só é concedido depois que alguns itens como: logística, meio de pagamento, atendimento ao cliente, risco de fraude e certificação digital de servidor SSL ICP-Brasil forem analisados e aprovados por auditores. O custo mensal da certificação é de R$ 49. Até agora, 18 dos maiores varejistas on-line do Brasil já têm o selo.
Por Paula Thomaz/São Paulo

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