Mais uma desastrada contribuição do “sociólogo” para desandar mais ainda a campanha de Serra. O bocão não se conforma com o ostracismo. Faz qualquer negócio para aparecer. Nem que seja como papagaio de pirata nos ombros carregado de Serra. O PSDB não consegue colocar rédeas em FHC, que comprovadamente tira votos de Serra.
Argh!
O Editor


O Coração do PT de Lula bate por Chávez’, diz FHC

A despeito dos êxitos que traz enganchados à biografia, FHC é um tanto mal-amado pelo PSDB. Na campanha, é mantido no almoxarifado, longe da vritrine.

No Brasil, a voz do ex-presidente soa não nos palanques, mas nos artigos mensais que leva às páginas. No exterior, em palestras e entrevistas.

Neste domingo (15), FHC se fez ouvir numa entrevista a jornal chileno. A certa altura falou do fascínio que o companheiro Hugo Chávez exerce pelos colegas latinos.

Insinuou que, Chávez, um falso esquerdista, é mais amado do que deveria. No caso do governo brasileiro, segundo ele, o sentimento se confunde com o “medo”.

No dizer de FHC, a gestão Lula se esquiva, por exemplo, de exigir que Chávez cumpra os compromissos que assumiu ao aderir ao Mercosul.

Acha que o governo Lula “tem uma indefinição a respeito dos valores que devem ser defendidos”.

Acrescenta: “O coração do Partido dos Trabalhadores, ao qual pertence Lula, bate por Chávez”.

blog Josias de Souza

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Para os mais apaixonados, contras e a favor, foi visível o tratamento diferenciado dado a cada um dos candidatos, à presidência da República, entrevistados na bancada do Jornal Nacional. Cada lado acha que o adversário foi beneficiado, e que seu preferido foi maliciosamente prejudicado. Será que o Jornal Nacional é tão decisivo assim? A resposta? A teremos quando as urnas forem abertas.
O Editor
Ps. Passo a reproduzir a partir de hoje, artigos de articulistas, de diversas tendências partidárias, analisando o desempenho de seus (deles) preferidos na campanha eleitoral na TV.


O dia em que Serra perdeu a eleição
Por: Eduardo Guimarães/blog da Cidadania

Na última segunda-feira, após a entrevista de Dilma Rousseff ao principal telejornal da Globo, escrevi sobre “O dilema do Jornal Nacional“. Seria o dilema de como tratar José Serra na entrevista que daria ao programa noticioso depois de o “casal-âncora” Willian Bonner e Fátima Bernardes ter sido rude com a candidata do PT. Escrevi, então, que o JN teria que optar entre duas escolhas.

A primeira escolha seria a de tratar José Serra com suavidade para não prejudicá-lo fazendo questões para as quais qualquer resposta que desse seria ruim, como, por exemplo, perguntá-lo sobre contradição idêntica à que foi apontada contra Dilma, sobre seu partido estar aliado com partidos e caciques políticos que o PT, outrora, só não chamou de santo.

No caso de o JN fazer essa escolha, teria que perguntar a Serra sobre o que há de mais gritante em suas alianças, como o tucano se aliar a Orestes Quércia, pivô da saída de Fernando Henrique Cardoso, de Mário Covas e do próprio Serra do PMDB para fundarem o PSDB. Para fazer uma entrevista honesta, também haveria que perguntá-lo sobre o “mensalão” do DEM e sobre José Roberto Arruda, expoente do partido que indicou o vice de Serra e que chegou a ser preso e depois cassado por corrupção.

A outra escolha possível ao JN seria a de fazer o que efetivamente fez, ou seja, montar um teatrinho com perguntas e respostas obviamente ensaiadas entre o “casal-âncora” e o entrevistado tucano, com Willian Bonner se perdendo em meio a uma torrente de pedidos de “desculpas” ao entrevistado por ameaçar interrompê-lo. O teatrinho visou fazer parecer que Serra fora tratado com dureza igual à que foi usada contra Dilma.

O Jornal Nacional fez a segunda opção. Contudo, mal treinados em atuação teatral, Bonner e Bernardes foram tão óbvios na suavidade das perguntas e na omissão das questões mais espinhosas contra Serra, e tão escancarados ao manter o “mensalão do PT” no ar nas entrevistas com os três principais presidenciáveis, que o assunto partidarismo do telejornal chegou até às páginas da imprensa amiga, como em matérias na Folha de São Paulo levantando a polêmica.

Apesar de a Globo ter achado que a sua encenação seria uma jogada genial, as críticas foram tão vastas e tão variadas que até Roberto Jefferson, presidente do PTB e aliado de Serra, como retaliação por ter sido usado pelo JN no lugar de Quércia reconheceu que o telejornal favorecera seu candidato a presidente, o que obrigou a emissora a emitir nota oficial desmentindo que tenha favorecido alguém.

A mera leitura da transcrição das entrevistas dos candidatos não permite identificar favorecimentos. O JN perguntou a Dilma e a Serra sobre temas parecidos – sobre suas alianças, por exemplo, apesar de ter escolhido questionar a aliança errada de Serra, pois, como já disse, sua maior contradição é estar aliado ao pivô de sua saída do PMDB para fundar o PSDB.

De fato, a estratégia da Globo faz algum sentido porque a quase totalidade dos brasileiros não tem informações como essa que acabo de mencionar e, assim, não captaria diferença de tratamento entre o tucano e a petista.

Ocorre que há um fator subjetivo ao qual a “inteligência” global não deu atenção. Clicando aqui, o leitor será enviado a matéria do portal de internet da Globo contendo o vídeo e a transcrição da entrevista de Dilma ao JN. Clicando aqui, encontrará o mesmo em relação a Serra. Para os menos atentos, vale ler as transcrições das entrevistas e, depois, assistir aos vídeos, porque contêm um dado que aquelas transcrições escondem.

Há uma capacidade que os desprovidos de conhecimento político e até de instrução têm de sobra, ou seja, a capacidade natural das pessoas de notarem aspectos subjetivos como o tom de voz e a linguagem corporal dos entrevistados, quando tais aspectos são gritantes.

Faça um teste, leitor: retire o som dos vídeos das entrevistas de Dilma e de Serra e aprecie o balé subliminar das expressões faciais e dos gestos dos atores. Depois, ouça a entrevista sem ver as suas imagens. O que você captará, se for suficientemente honesto consigo mesmo para se abrir à realidade mesmo que ela contrarie as suas idiossincrasias, será a diferente disposição dos entrevistadores com cada entrevistado.

PSDB e Globo, de um lado, e o PT, de outro, fazem apostas, respectivamente, sobre a incapacidade e a capacidade do público. Por mais que tucanos e mídia assumam uma atitude de quem conseguiu o que pretendia, trata-se de uma aposta da qual estamos longe de saber se realmente foi vencida pela coalizão conservadora.

Em minha opinião, a linguagem subliminar gritante de imagens e sons, a persistência no tema “mensalão do PT” nas três entrevistas de candidatos e a polêmica sobre a diferença de tratamento a Dilma e a Serra provaram que a Globo integra a campanha do tucano.

Embora ainda não se possa dizer quem está certo – se eu ou a Globo –, que fique registrado que considero a série de entrevistas do Jornal Nacional com os candidatos Dilma Rousseff, Marina Silva e José Serra como o momento em que o favorito da Globo e da grande mídia efetivamente começou a perder a eleição de forma irreversível, e no qual a emissora sepultou suas aspirações de se posicionar como “isenta”.

11 de agosto de 2010, data da entrevista de Serra ao JN, ainda será considerado o dia em que o tucano efetivamente perdeu a eleição presidencial.

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Pois é Tupiniquins. O maluquete das Caraíbas começa a colher os resultados da política “bolivariana” que empurrou goela abaixo da Venezuela.
O coronel megalomaníaco está empurrando a Venezuela para o fundo poço. Que não é o do petróleo. Ao contrário! Cháves conseguiu a proeza de ser o único país exportador de petróleo que não tem dólares para que os empresários venezuelanos possam importar matéria prima para suas empresas funcionarem.
Agora, as empresas brasileiras foram para lá por livre e espontânea vontade. Se não fizeram análise de risco agora não podem reclamar. A velha máxima de “quanto maior o lucro maior o risco”, continua valendo.
O Editor
PS. A maioria dos investimentos de empresas brasileiras na Venezuela foi feita com financiamento do BNDES. Se o Cháves der o ‘cano’, adivinhem quem irá pagar a conta?


‘Risco Chávez’ assusta firmas do Brasil na Venezuela

É dura a vida das empresas estrangeiras que se aventuram a investir em países autocráticos.

Tome-se o exemplo da Venezuela. Ali, os investidores de toda parte, inclusive os do Brasil, são assediados pelo “risco Chávez”.

Convivem com o atraso nos pagamentos e com a aprovação repentina de leis que mudam as regras do jogo com a partida em andamento.

Como dinheiro é bicho medroso, procura logo a rota de fuga ais próxima.

A brasileira Braskem fechara com a estatal venezuelana Pequiven parcerias para a abertura de duas companhias. Coisa de US$ 3,5 bilhões.

Uma, a Propilsur, foi adiada por um ano. Outra, a Polimérica, teve o investimento podado à metade.

Das três dezenas de pessoas que a Brasken deslocara para a Venezuela, restarão cinco. Parte dos executivos já está voltando para o Brasil.

Grandes logomarcas brasileiras do mundo das obras convive com a perspectiva de um calote companheiro. Entre elas a Odebrecht, a Andrade Gutierrez e a Camargo Correa.

A Assembléia Nacional venezuelana, Casa em que Hugo Chávez manda e, sobretudo, desmanda, acaba de aprovar uma nova lei de “Contratações”.

Entre outras excentricidades, autoriza o governo a confiscar máquinas e se apossar de canteiros de obras que, a seu juízo, estejam atrasadas.

Para entrar em vigor, a lei ainda precisa ser votada em segundo turno. Não há dúvidas quanto à aprovação.

A notícia vem à luz num dia em que Lula se encontra em Caracas. Foi tratar do conflito Venezuela X Colômbia.

A capacidade de Chávez de produzir encrencas é ilimitada. A personalidade do companheiro é 100% constituída de alucinações.

blog Josias de Souza

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Serra faz campanha em Washington?

Será que Serra deseja realmente que o Brasil compre brigas com todos os seus vizinhos?

MARK WEISBROT

O QUE JOSÉ SERRA está tentando fazer? Em sua campanha pela Presidência do Brasil, ele acusou a Bolívia de cumplicidade no tráfico de drogas e criticou Lula por tentar mediar a disputa entre Washington e o Irã, e por recusar (em companhia da maioria dos demais países sul-americanos) reconhecimento ao governo de Honduras, “eleito” sob uma ditadura.

Por algum tempo ele optou por não aderir à campanha internacional de Washington contra a Venezuela, mas agora Serra e seu candidato a vice, Indio da Costa, também adentraram aquele pútrido pântano, alegando que a Venezuela “abriga” as Farc (Forças Armadas Revolucionárias Colombianas), o principal grupo guerrilheiro que combate o governo da Colômbia.

Que conste: a despeito de uma década de alegações, Washington ainda não conseguiu apresentar publicamente um traço de prova de que o governo de Chávez de fato apoie as Farc.

A única “prova” de que existe em domínio público vem de laptops e outros equipamentos de computação supostamente capturados pelas Forças Armadas colombianas em sua incursão ao território do Equador em março de 2008.

Blogueiros de direita como Reinaldo Azevedo repetem o mito de mídia de que a Interpol teria confirmado a autenticidade desses arquivos supostamente capturados, mas um relatório da Interpol nega enfaticamente essa possibilidade. Tudo que temos é a palavra das Forças Armadas colombianas -organização que sabidamente assassinou centenas de adolescentes inocentes e os vestiu como guerrilheiros.

Será que Serra realmente deseja que o Brasil compre brigas com todos os seus vizinhos a fim de se colocar desafiadoramente do lado errado da história? E isso apenas para se tornar o maior aliado direitista de Washington? Sim, caso Serra não tenha percebido, os Estados Unidos, sob o governo Obama como sob o governo Bush, só têm governos de direita como aliados no hemisfério: Canadá, Panamá, Colômbia, Chile, México. Existe um motivo para isso: a política norte-americana com relação à América Latina não mudou sob Obama.

Mesmo de um ponto de vista puramente maquiavélico -deixando de lado qualquer ideia de fazer da região ou do mundo um lugar melhor-, a estratégia “Serra Palin” faz pouco sentido. O Brasil tinha boas relações com Bush e pode ter boas relações com Obama sem incorrer nessa espécie desonrosa de servidão.

O Brasil não é El Salvador, país cujo governo vive sob chantagem por ameaças de enviar de volta ao seu território os milhares de emigrantes salvadorenhos que vivem nos Estados Unidos. E nem El Salvador tomou a estrada que Serra está percorrendo.

Não é apenas na Venezuela e na Bolívia que os Estados Unidos investem dezenas de milhões de dólares para adquirir influência política. Em 2005, como reportou este jornal, os Estados Unidos bancaram um esforço para mudar a lei brasileira de maneira a reforçar a oposição ao Partido dos Trabalhadores.

Washington tem grande interesse no resultado da eleição deste ano porque procura reverter as mudanças que tornaram a América Latina, no passado o “quintal” dos Estados Unidos, mais independente que nunca em sua história. José Serra está fazendo com que esse interesse cresça a cada dia.

TRADUÇÃO DE PAULO MIGLIACCI – FONTE FOLHA SP

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O avião não tripulado Eitan.
Nova arma de Israel para possível ataque às instalações nucleares do Irã.

Israel já teria condição de atacar o Irã, mas nega que tenha intenção.

Enquanto jornalistas, políticos e acadêmicos em todo o mundo aguardam o resultado prático das novas restrições econômicas impostas ao Irã, crescem as apostas israelenses em tecnologia para conter o programa nuclear da República Islâmica. O discurso oficial adotado pelo governo de Israel garante que uma ação militar em solo iraniano está descartada num futuro próximo, mas não esconde o fato de que o temor da nuclearização de Teerã é hoje um dos únicos – senão o único – consenso nacional no país: Israel está seguro de que um Irã nuclear ameaça sua existência e crê que sanções não são obstáculo no caminho rumo à bomba.

O premier Benjamin Netanyahu vem enfrentando crescentes pressões de seu governo conservador – sobretudo do ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, do partido ultranacionalista Israel Beitenu – por dar ao mundo a impressão de que Israel concorda em deixar a questão iraniana nas mãos de Washington, mas, internamente, a única certeza quanto ao destino das milhares de centrífugas iranianas é a de que todas as opções estão sobre a mesa.

Há três meses, entrou em operação o que Israel considera um dos atores principais de uma eventual ofensiva ao Irã: o novo avião não tripulado Eitan, com autonomia de voo de cerca de 20 horas sem reabastecimento e a capacidade de carregar dezenas de toneladas de bombas. A chegada da moderna aeronave – do tamanho de um Boeing 737 comercial e completamente controlada por computador – aumentou os rumores de que, mesmo sem apoio internacional, o país poderia ousar uma manobra para impedir que o governo de Mahmoud Ahmadinejad tenha capacidade de produzir sua primeira ogiva nuclear.

Não há sequer uma semana sem a divulgação de alguma perspectiva alarmante sobre um suposto ataque israelense às instalações nucleares, nos mesmos moldes do ocorrido em 1981, quando Israel bombardeou e destruiu a usina de Osirak, no Iraque. Mas, apesar de uma Força Aérea com tecnologia militar de ponta, o analista militar Alon Ben-David, do Canal 10 da TV de Israel, observa que um dos maiores trunfos do país pode ser o fato de que – segundo ele – governo e Exército estejam despistando a opinião pública mundial.

O coronel de reserva Zeev Raz, chefe da esquadrilha que bombardeou Osirak, tenta conter a euforia e adverte que, apesar da tecnologia de reabastecimento em voo para enfrentar o longo percurso, a empreitada exigiria participação humana. O ex-piloto lembra ainda o desafio emocional de missões de grande porte. Segundo ele, quando o governo Menachem Begin autorizou a ofensiva, todos sabiam que a missão poderia acontecer: foi um ano de treino no Mar Mediterrâneo e em cápsulas de simulação.

Globo Online

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Querendo ou não, gostando ou não, pacifista ou belicista, a energia nuclear é fundamental para garantir a soberania de um país continental como o Brasil. Com imenso território pleno de biodiversidade e reservas imensas de minerais estratégicos, a força nuclear é um decisivo elemento de dissuasivo. Não existem países amigos. Existem interesses.
Por último, mas não por fim fica a pergunta: Outras nações, que já têm armas nucleares, podem proibir a um outro estado a mesma coisa?
O Editor


José Goldemberg: “O Brasil quer a bomba atômica”

Para o físico, ao defender o direito nuclear do Irã, Lula deixa a porta aberta para fazer a bomba

O Brasil aderiu ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) em 1998, durante o governo FHC. O tratado tem 189 signatários. Entre as exceções estão Israel, Paquistão, Índia e Coreia do Norte – países detentores de arsenais nucleares. Desde 2008, os Estados Unidos pressionam o Brasil a assinar o Protocolo Adicional do TNP. Mais restritivo, o protocolo obriga os países a abrir quaisquer instalações suspeitas à inspeção. O Irã não aderiu e construiu uma usina secreta, revelada em 2009. O Brasil se recusa a assinar o protocolo e defende o direito do Irã de ter a energia nuclear – oficialmente apenas para fins pacíficos. Para o físico José Goldemberg, uma autoridade internacional em assuntos de energia, essas são evidências, somadas a outras, de que o Brasil busca a posse de armas nucleares.

ENTREVISTA – JOSÉ GOLDEMBERG
QUEM É
Gaúcho de Santo Ângelo, José Goldemberg, de 82 anos, é físico nuclear
O QUE FEZ
Foi reitor da Universidade de São Paulo (1986-1990), ministro da Educação (1991-1992), secretário federal da Ciência e Tecnologia (1990-1991) e do Meio Ambiente (1992)
PRÊMIOS
Prêmio Volvo do Meio Ambiente (2000) e Prêmio Planeta Azul (2008), o “Nobel” do Meio Ambiente

ÉPOCA – Por que o senhor afirma que o governo Lula vê com simpatia a posse da bomba?

José Goldemberg – Motivos não faltam. Eles vão desde o apoio ao programa nuclear do Irã até as declarações de membros do primeiro escalão, como o vice-presidente José Alencar. Ele defende o desenvolvimento de armas atômicas. Parece uma volta aos tempos da ditadura.

ÉPOCA – Qual era a posição dos militares com relação à construção da bomba?

Goldemberg – O governo Geisel fez o acordo nuclear com a Alemanha. Era caríssimo. Previa a construção de oito reatores com grau crescente de nacionalização. Cobria todas as etapas da tecnologia nuclear, incluindo o enriquecimento e o reprocessamento de urânio. Lê-se na ata de uma reunião do Conselho de Segurança Nacional, em 1975, que o projeto era para fins pacíficos, mas seria mantida aberta a opção militar. Do ponto de vista técnico fazia sentido. Para quem domina o ciclo nuclear pacífico, o militar não é tão diferente. Claramente, em 1975, o governo deixou a porta aberta para fazer armas nucleares.

ÉPOCA – O programa não andou.

Goldemberg – A Alemanha iria repassar a tecnologia de supercentrífugas para enriquecer urânio, mas os EUA vetaram. Em troca, os alemães ofereceram outra tecnologia, experimental e duvidosa, a das centrífugas a jato. Aí veio a crise dos anos 1980, tornando o programa nuclear inviável. Das oito usinas, só Angra 1 saiu do papel (em 1984). No governo Sarney, em 1986, revelou-se a existência do poço cavado pelos militares para testes nucleares subterrâneos na Serra do Cachimbo, no Pará. Em 1988, a nova Constituição proibiu o uso da energia nuclear para fins militares. Em 1990, o governo Collor contrariou os militares ao desativar o programa nuclear do Exército e da Força Aérea. A Marinha continuou enriquecendo urânio, nominalmente para fins pacíficos – e sonhando com o submarino nuclear. Em 1998, o governo Fernando Henrique aderiu ao Tratado de Não Proliferação Nuclear.

ÉPOCA – O que prevê o TNP?

Goldemberg – Foi criado em 1968 para impedir a proliferação de armas nucleares. Sua posse ficou restrita às potências que já as possuíam: EUA, União Soviética, Inglaterra, França e China. O TNP visa o desarmamento nuclear e o uso pacífico da energia nuclear. Até hoje deu certo. Nenhuma bomba foi usada desde 1945. Os americanos cogitaram usar na Guerra da Coreia (1950-1953) e na Indochina, em 1954, para evitar a derrota francesa. A Crise dos Mísseis de 1962 foi o auge da Guerra Fria. Os EUA e a União Soviética tinham 65 mil ogivas. Hoje, EUA e Rússia têm 2 mil cada um.

ÉPOCA – Como é a fiscalização do TNP?

Goldemberg – É feita pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Ela tem acesso às instalações nucleares oficiais dos signatários – não às secretas.

ÉPOCA – Como assim?

Goldemberg – A AIEA só pode fiscalizar instalações oficiais. O TNP não permite à AIEA investigar instalações suspeitas. Os EUA temiam o desenvolvimento de programas nucleares secretos no Iraque, no Irã e na Coreia do Norte. Em 1997, criou-se o Protocolo Adicional do TNP. Ele autoriza inspecionar qualquer instalação passível de uso nuclear – como o reator secreto do Irã, revelado em 2009.

ÉPOCA – O Brasil apoia o direito do Irã de desenvolver energia nuclear para fins pacíficos. Há relação com o protocolo?

Goldemberg – Claro. Desde 2008, os EUA pressionam o Brasil a assinar o Protocolo Adicional. O governo se recusa. O Irã de hoje poderá ser o Brasil de amanhã.

ÉPOCA – O secretário de Assuntos Estratégicos, Samuel Guimarães, diz que “foi um erro assinar o TNP” porque a Constituição brasileira já proíbe o uso militar do átomo.

Goldemberg – Ele tem razão. Mas, se um dia algum governo decidir mudar a Constituição, não abrirá nenhum precedente. A Constituição de 1988 é a oitava desde a Independência e acumula 62 emendas. Em comparação, os EUA têm a mesma Constituição desde 1776, só com 27 emendas, e a Inglaterra nem Constituição escrita tem. Quando pressionam Brasília a assinar o protocolo, as potências devem estar olhando com atenção nosso histórico constitucional.

“O silêncio de Lula encoraja a desconfiança de que o Brasil teria intenções de fazer armas nucleares para exercer sua soberania”.

ÉPOCA – Ter o submarino nuclear na defesa do pré-sal é o argumento do ministro da Defesa, Nelson Jobim, contra a assinatura do protocolo.

Goldemberg – Não assinar o protocolo pode tornar o Brasil alvo de sanções internacionais, como as impostas ao Irã pelas Nações Unidas (ONU).

ÉPOCA – Nossa economia é muito maior e mais diversificada que a do Irã. Neste cenário, qual sanção teria efeito contra o Brasil?

Goldemberg – A ONU pode congelar os bens e as contas bancárias brasileiras no exterior, paralisar o comércio externo e barrar transferências de tecnologia. Se nossa economia é maior e estamos mais integrados ao mundo, isso nos torna mais vulneráveis às sanções, não menos.

ÉPOCA – O vice-presidente José Alencar disse o seguinte: “Arma nuclear usada como instrumento dissuasório é de grande importância para um país com 15.000 quilômetros de fronteiras e um mar territorial com petróleo na camada pré-sal. Dominamos a tecnologia nuclear. Temos de avançar nisso aí”.

Goldemberg – Alencar pode dizer o que quiser. Ele foi eleito, não é um político nomeado. Mas não concorrerá às eleições. Está doente e no fim da vida. O que me preocupa é ver o ministro da Defesa e o secretário de Assuntos Estratégicos, auxiliares diretos do presidente da República, se manifestarem contra o Protocolo Adicional. Em nenhum momento o presidente veio a público desautorizá-los. O silêncio de Lula encoraja a desconfiança de que o Brasil teria intenções de fazer armas nucleares para exercer sua soberania. O Brasil quer a bomba.

ÉPOCA – Alencar vê a posse da bomba como uma via de acesso ao assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Ele citou o exemplo do Paquistão, um país pobre, mas com assento em vários organismos internacionais.

Goldemberg – Não me parece que passe pela cabeça de alguém de bom-senso ceder ao Paquistão uma vaga no Conselho de Segurança. O Paquistão é uma fonte de preocupação. Está em guerra civil. Suas instituições estão desmoronando e parte do território caiu sob controle da guerrilha islâmica e da rede Al Qaeda. Se o Paquistão deixar de existir, quem será o primeiro a tentar pôr as mãos numa de suas bombas? Osama Bin Laden.

ÉPOCA – Temos gente para fazer a bomba?

Goldemberg – Sim, muita. A tecnologia não é nova. Havendo vontade governamental e recursos, bastaria alguns anos.

ÉPOCA – Não basta ter a bomba. É preciso meios de lançá-la.

Goldemberg – O governo retomou o projeto de lançador de satélites. Se existisse, poderia levar ogivas.

Peter Moon/Época

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Esses Judeus Problemáticos

O mundo está indignado com o bloqueio de Gaza por Israel. A Turquia denuncia a sua ilegalidade, a desumanidade, a barbárie, etc. Os suspeitos de praxe que participam da ONU o Terceiro Mundo e a Europa se juntam. A administração Obama treme.

Mas como escreve Leslie Gelb, que é o ex-presidente do Conselho de Relações Exteriores, o bloqueio não é apenas perfeitamente racional, mas é perfeitamente legal.

Gaza está sob o domínio do Hamas que é inimigo autodeclarado de Israel – e esta autodeclaração é acompanhada por mais de 4.000 foguetes disparados contra civis que moram em território israelense.

Muito embora se comprometendo e se empenhando numa incessante beligerância, o Hamas reivindica ser a vítima, mesmo quando Israel impõe um bloqueio para impedir que esse mesmo Hamas se arme ainda com mais foguetes.

Na II Guerra Mundial, com uma legalidade internacional completa, os Estados Unidos mantiveram o bloqueio para a Alemanha e o Japão. E em outubro de 1962, durante a crise dos mísseis, os EUA colocaram em prática o bloqueio (“quarentena”) de Cuba.

Navios russos com armas que seriam entregues para Cuba voltaram porque os soviéticos sabiam que a marinha americana os abordaria ou iria afundá-los. No entanto, Israel é acusado de ser um criminoso internacional por fazer exatamente o que John Kennedy fez: por em prática um bloqueio naval para impedir que um Estado hostil adquira armamentos letais.

Oh, mas os navios que iam para Gaza não estavam numa missão de ajuda humanitária? Não. Caso contrário, teriam aceitado a oferta de Israel para que levassem o que transportavam para um porto israelense para inspeção relativa a materiais militares e o restante transportado por Israel para Gaza – pois todas e a cada semana 10 mil toneladas de alimentos, remédios e outros suprimentos humanitários são enviados por Israel para Gaza.

Então porque essa oferta foi recusada? Porque, como a própria organizadora Greta Berlin admitiu o objetivo da flotilha não era o socorro humanitário, mas sim a quebra do bloqueio, ou seja, o término das inspeções por Israel, o que na prática significaria a navegação ilimitada para Gaza e, portanto, o fornecimento ilimitado de armamentos para o Hamas.

Israel já interceptou por duas vezes navios pesadamente carregados de armas iranianas destinadas ao Hezbollah e para Gaza. Que país permitiria isso? Mas ainda mais importante, por que Israel ainda tem que utilizar o bloqueio? Porque, o bloqueio é uma forma de defesa no mesmo momento que o mundo deslegitima o direito de Israel de se defender – de forma antecipada e pró- ativa.

(1) Defesa antecipada: Por ser um pequeno país densamente povoado cercado por países hostis, Israel durante mais da metade de um século adotou este tipo de defesa – lutando as guerras em território inimigo (como no Sinai e Colinas de Golã), e não no seu próprio território. Sempre que possível (o Sinai, como um bom exemplo), Israel trocou territórios por paz. Mas quando as ofertas de paz foram recusadas, Israel manteve espaços como zonas tampão de proteção. Assim, Israel manteve uma pequena faixa do sul do Líbano para a proteção das cidades do norte de Israel.

E sofreu muitas perdas na Faixa de Gaza para que as cidades fronteiriças israelenses não fossem expostas aos ataques terroristas palestinos. E, pelos mesmos motivos que a América trava uma árdua guerra no Afeganistão: Você luta com eles lá, então você não terá que lutar com eles aqui. Mas, sob uma pressão externa esmagadora, Israel está desistindo. Aos israelenses foi dito que as ocupações não eram somente ilegais, mas eram a causa das revoltas anti-Israel e, portanto, a retirada, que seria o motivo, traria a paz.

Terra por paz. Lembram-se? Bem, durante a última década, Israel entregou terras – evacuou o sul do Líbano em 2000 e deixou Gaza em 2005. O que conseguiu ? A intensificação da beligerância, a intensa militarização do lado inimigo, muitos sequestros, ataques que atravessam as fronteiras e, lançados de Gaza, anos de implacáveis ataques de foguetes.

(2) Defesa pró-ativa: Israel, então teve que mudar para uma defesa ativa – ações militares para impedir, desmantelar e derrotar (emprestando a descrição do presidente Obama para a campanha dos EUA contra os Talibãs e a al-Qaeda) contra os mini-estados terroristas e pesadamente armados localizados no sul do Líbano e em Gaza depois que Israel se retirou.

Quais foram os resultados? A guerra do Líbano em 2006 e ataques lançados de Gaza entre 2008 a 2009. E mais uma avalanche de calúnias pela mesma comunidade internacional que havia exigido as retiradas israelenses com o propósito de terras x paz. E o pior, o relatório Goldstone da ONU, que basicamente criminalizou a operação defensiva de Israel na Faixa de Gaza, enquanto encobriu o ‘casus belli’ – os pesados ataques com foguetes pelo Hamas que precederam a operação – e que efetivamente deslegitimou qualquer defesa pró-ativa por parte de Israel contra os seus autodeclarados inimigos que utilizam o terror.

(3). Defesa passiva: Sem a defesa antecipada ou defesa pró-ativa para Israel somente é permitida a forma mais passiva e benigna de todas as defesas – um bloqueio para simplesmente impedir o rearmamento do inimigo. No entanto, nesse exato momento que falamos também está sendo deslegitimado pelas organizações internacionais. Mesmo os Estados Unidos agora está tendendo para que o mesmo seja abolido.

Mas, se nenhum destes pontos são permitidos, o que resta?

Ah, mas esse é o ponto. É o ponto que a flotilha rompe-bloqueio com inocentes úteis e simpatizantes do terror, pela organização testa-de-ferro turca que a financiou, pelo coro automático anti-Israel do Terceiro Mundo nas Nações Unidas e pelos preguiçosos europeus que não mais querem saber do problema judaico.

O que mais resta? Nada. O ponto central desta campanha implacável internacional é privar Israel de qualquer forma legítima de autodefesa. Por que, na semana passada, a administração Obama se juntou aos chacais, e inverteu uma prática de quatro décadas seguida pelos EUA, assinando um documento de consenso que coloca o foco em Israel por possuir armas nucleares? – e assim deslegitimar a última linha defesa de Israel: a dissuasão.

É, parece que o mundo está cansado desses judeus incômodos, 6 milhões – esse número mais uma vez – ao lado do Mediterrâneo, a cada convite se recusando ao suicídio nacional. E por isso são incansavelmente demonizados, restritos a guetos e impossibilitados de se defenderem, até mesmo quando os mais empenhados anti-sionistas – o Irã, em particular – abertamente prepara uma solução mais definitiva.

Por: Charles Krauthammer/The Washington Post/O Globo

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É preciso também indagar ao sociólogo, qual era exatamente a política externa do seu (dele) governo e os valores da antiga diplomacia brasileira?

Deveria ter aproveitado a análise e feito uma comparação entre as duas políticas externas da diplomacia brasileira.

Achando pouco o papel de senhor de todos os saberes, FHC diz a certa altura; (…) “Nem por isso, o mundo desconfia que o Brasil vá utilizar os conhecimentos de que dispõe para fins militares”.

Uáu! Isso é que Nelson Rodrigues chamava de óbvio ululante. Usar pra que, quando não se tem nenhum inimigo externo?

O Editor


FHC: Lula atravessa um ‘surto de ego deslumbrado’

Em artigo veiculado neste domingo (6), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso discorre sobre a política externa de Lula. Dá especial realce ao caso do Irã.

Anota duros ataques a Lula. Classifica de “bazófias presidenciais” a retórica do sucessor, baseada na tese de que “hoje não nos agachamos mais perante o mundo”.

Sustenta que as relações do Brasil com outros países sempre se orientaram por “valores” e pelo “interesse nacional”.

Acusa Lula de recorrer à “demagogia”. Algo que, a seu juízo, “não passa de surto de ego deslumbrado, que desrespeita os fatos e mesmo a dignidade do país”.

Para FHC, tomado pelo histórico de sua Diplomacia, é “natural” que o Brasil “insista em sentar à mesa dos tomadores de decisões globais”.

Pergunta: “Por que a celeuma causada pela tentativa de acordo entre Irã e a comunidade internacional empreendida pelo governo brasileiro?”

Atribui as reações ao acordo nuclear intermediado com o Irã por Brasil e Turquia a dois fatores.

1. “A falta de clareza entre a ação empreendida e os valores fundamentais que orientam nossa política externa”

2. “A forma um tanto retórica e pretensiosa que ela vem assumindo”.

Ao esmiuçar o primeiro tópico, FHC compara o Irã ao Brasil. Escreve que, no caso brasileiro, o país já dispõe de tecnologia para produzir a bomba atômica.

Nem por isso, argumenta FHC, o mundo desconfia que o Brasil vá utilizar os conhecimentos de que dispõe para fins militares.

Leia-se o miolo do artigo de FHC: “Conseguimos, por exemplo, dominar a técnica de foguetes propulsores de satélites (e quem lança satélite pode lançar mísseis)…”

“…Ninguém desconfia, entretanto, de que a utilizaremos para a guerra, até porque obedecemos às regras do acordo internacional que regula a matéria…”.

“Do mesmo modo, dominamos o ciclo completo de enriquecimento do urânio. Mas não cabem dúvidas de que não estamos fazendo a bomba atômica…”

“…Não só porque nossa Constituição proíbe, mas porque inexistem ameaças externas e porque submetemos o enriquecimento do urânio [...] ao duplo controle de um tratado de fiscalização recíproca com a Argentina e da Agência Internacional de Energia Atômica“.

Diferentemente do que ocorre com o Brasil, prossegue FHC, “falta no caso do Irã: a confiabilidade internacional nos propósitos pacíficos do domínio da tecnologia”.

Vem daí, segundo o ex-presidente, a resistência dos EUA ao acordo de Teerã. Ele reproduz um dos argumentos centrais da Casa Branca:

“[...] A quantidade de urânio já disponível [no Irã], mesmo descontada a quantidade a ser remetida para enriquecimento no exterior, permitiria a fabricação da bomba”.

“O xis da questão”, FHC acrescenta, “seria a obtenção pelo Brasil e Turquia de garantias mais efetivas de que tal não acontecerá”.

Acha que, para ser “eficaz”, evitando a imposição de sanções ao Irã, a ação de Lula teria de “desfazer a sensação da maioria da comunidade internacional de que o governo iraniano está ganhando tempo para seguir em seus propósitos nucleares”.

Anota que, nesse ponto, “a retórica dos atores brasileiros parece ter falhado”. E fustiga Lula com ironias que associam o encontro de Teerã à Copa do Mundo:

“O levantar de mãos de Ahmadinejad e Lula, à moda futebolística, e as declarações presunçosas do presidente brasileiro passando a impressão de que havíamos dado um drible nas “grandes potências”, digno de Copa do Mundo…”

“…Reforçaram a sensação de que estaríamos (no que não creio) nos bandeando para o ‘outro lado’. E em política internacional, mais do que em geral, cosi é (se vi pare)”.

“Cosi é (se vi pare)” é o título de uma peça do dramaturgo italiano Luigi Pirandello. Coisa de 1917. Em português, significa “Assim é, se lhe parece”.

Trata-se de uma comédia, na qual Pirandello contrapõe realidade e aparência. O mesmo objetivo do artigo em que o ex-presidente intelectual fustiga o sucessor autodidata.

A exemplo do que fizera em artigos anteriores, FHC sustenta que, também na política externa, sua administração deixou um legado benfazejo. “Políticas que tiveram desdobramentos positivos no atual governo”.

A certa altura, FHC escreve: “No dia em que se publicarem as cartas que dirigi aos chefes de Estado do G-7, ver-se-á que predicávamos desde então maior regulação financeira no plano global e maior controle do FMI e do Banco Mundial pelos países emergentes”.

Carol Guedes/Folha

O artigo de FHC já está disponível no site do Jornal Zero Hora

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Historiadora e psicanalista francesa diz que governo nacionalista de Israel tem sido catastrófico para os judeus.

Elisabeth Roudinesco – Psicanalista e escritora de origem judaica.

Catástrofe. Essa é a palavra que a historiadora e psicanalista Elisabeth Roudinesco usa repetidamente para classificar a política de Israel, o ataque à flotilha que tentou furar o bloqueio à Faixa de Gaza e o crescimento do antissemitismo.

De volta ao Brasil para lançar o “Retorno à questão judaica”, pela Zahar, Elisabeth diz que há hoje diferentes níveis de se sentir judeu. A autora, diretora de pesquisas da Universidade de Paris VII e colaboradora do “Le Monde”, falou ao GLOBO ontem sobre seu livro — o último de mais de 20 obras, a maioria já lançada no Brasil. Nele, procura entender o que é antissemitismo e o que é ser judeu nos dias de hoje, dois conceitos, diz, diretamente afetados pelas ações políticas de Israel.

O GLOBO: Nesta semana, Israel atacou barcos com ajuda humanitária. Eventos como esse podem afastar os judeus do judaísmo?

ELISABETH ROUDINESCO: Acho que todos os judeus do mundo se preocupam com Israel, mas o Estado é uma coisa, os judeus são outra. Não necessariamente somos solidários com esse Estado. Foi um erro político grave ter atacado esse barco. A política de Israel tem sido catastrófica, esse governo nacionalista é um desastre. Tudo isso é catastrófico para os judeus — pois estimula o crescimento do antissemitismo — e também para todo o mundo.

O que é ser judeu hoje com a atual política israelense?

ELISABETH: Isso dá um livro inteiro. Em primeiro lugar, há uma identidade judaica. Mas nos sentimos judeus em níveis diferentes.

Eu me sinto mais francesa, mais universalista, mais europeia do que judia. Preocupo-me com o Estado de Israel não como judia, mas porque acho que este é o grande conflito de hoje. Em segundo lugar, metade dos judeus está fora de Israel, e eles não são necessariamente todos iguais. Há 6 milhões em Israel, e 5 ou 6 milhões fora, sem contar os 6 milhões exterminados.

Os que estão fora se preocupam mais com Israel do que os outros? Acho que não.

A senhora é a favor de uma solução de dois Estados?

ELISABETH: Sim, somos obrigados.

Sempre achei que a solução seria um Estado binacional.

Arriscamos ter um (enfrentamento) face a face — e não entre os laicos palestinos e os laicos israelenses, o que é a única paz possível — mas entre os fanáticos do Hamas e os fanáticos nacionalistas e religiosos de Israel, essa era a pior coisa que poderia acontecer. Israel precisa fazer grandes concessões, sobretudo na área econômica. Em contrapartida, este Estado palestino deveria cessar com as agressões a Israel.

O presidente Lula quer ter um papel de mediação no conflito do Oriente Médio. Isso seria possível?

ELISABETH: Acho que ele pode, sim, desempenhar esse papel.

Adoro o Lula. Mas ninguém no momento consegue desempenhar este papel, nem mesmo (Barack) Obama. Há também o sistema eleitoral de Israel que é uma catástrofe. Esse sistema faz com que não tenhamos um bipartidarismo claro, sempre há a necessidade de se fazer uma aliança com a extrema-direita, e isso é catastrófico.

A senhora defendeu a proibição do véu islâmico nas escolas. Agora há a discussão sobre a burca, qual sua opinião?

ELISABETH: Acho que todos estão de acordo sobre o véu. A questão é complicada com a burca. Independentemente de a lei ser aplicada, a burca já é proibida dentro das instituições públicas.

Não temos direito de cobrir o rosto integralmente dentro delas. Na França chamamos duas coisas de espaço público: as instituições — correios, hospitais, escolas — e também a rua. A questão hoje é com a burca na rua, um espaço público e livre. Para proibir uma vestimenta na rua é preciso fundamento jurídico, e não há um.

O que está em jogo?

ELISABETH: A dignidade da mulher e a questão pública. Se proíbem a burca, haverá quem queira proibir a minissaia, o cabelo vermelho… Os evangélicos, por exemplo. Há um risco muito grande. Prefiro a prudência em relação ao fundamento jurídico sobre a dignidade da mulher. Em segundo lugar, há a ordem pública.

É a lei que proíbe que andemos todos nus na rua, façamos gestos obscenos. Pode-se alegar que a burca pode ser usada para dissimular atos terroristas. É complicado, mas não sou a favor de uma lei específica que proíba a burca na rua.

E o lenço?

ELISABETH: O lenço não esconde o rosto, não podemos proibi-lo em espaços abertos. Se não, precisaríamos proibir os chapéus, capacetes. Só é proibido em escolas, assim como todos os outros símbolos religiosos, incluindo o quipá. Se vocês tivessem essa proibição aqui no Brasil, seria necessário proibir também o carnaval do Rio. É preciso cuidado.

Sabrina Valle/O Globo


Veja perfil de Elisabeth Roudinesco
da Folha Online

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“A história acontece como tragédia e se repete como farsa.” Karl Marx.
“Quem não conhece a história corre o risco de repeti-la.” Hegel
As frases antológicas dos dois filósofos,  nunca se mostraram tão atuais quanto agora, no lamentável epsódio da ação das tropas de Israel no ataque aos navios da chamada frota humanitária.

O  Editor


O primeiro navio.
Ataque ao Êxodo, barrado com 4.500 sobreviventes do Holocausto em 1947, mudou a opinião do mundo.

THE GUARDIAN

No verão de 1947, o navio quase reduzido a sucata com 4.500 sobreviventes do Holocausto a bordo, rebatizado de “Êxodo”, partiu da França com o objetivo de romper o bloqueio britânico na Palestina.
Até então, os sobreviventes apodreciam em campos de refugiados desde o fim da guerra à espera de um país que os aceitasse.

Os organizadores, pertencentes ao movimento sionista, adotavam a política da imigração ilegal como uma operação de resgate humanitário e uma medida calculada para fixar de maneira politicamente arbitrária a população judia do país.

Eles não esperavam aportar, mas sabiam que o barco caindo aos pedaços com sua dolorosa carga humana de refugiados denunciaria os britânicos como patrões colonialistas desalmados. O Êxodo poderia chamar-se “Fim do Império”.

Quando o navio se aproximava de Haifa, o comandante recebeu um sinal de rádio de líderes sionistas para não colocar em risco a vida dos passageiros em um confronto. O comandante polonês, porém, recusou-se a voltar. Cercados por três destróieres britânicos, tripulação e passageiros foram abordados e revidaram com qualquer arma à mão – até com uma remessa de carne enlatada. Os britânicos mataram três pessoas.

Dias mais tarde, os passageiros foram transferidos para outro navio e enviados de volta para a Alemanha, para os campos de refugiados, com manchetes fulminantes nos jornais: “Regresso ao país da morte”, dizia uma delas.

Os acontecimentos no Mediterrâneo, mostrados pelos noticiários cinematográficos de então, suscitaram enorme simpatia do público, particularmente nos EUA, onde a Grã-Bretanha era considerada o antigo regime colonial. A cobertura da imprensa foi uma catástrofe para Londres.

Para o comandante do navio, Ike Aronowitz, a decisão de Ernest Bevin de repelir o Êxodo foi um presente de Deus – “que nos enviou Ernest Bevin para criar um Estado judeu”.

Contra a imagem de um navio repleto de sobreviventes do Holocausto sendo espancados por soldados, a Grã-Bretanha teve de bolar uma complexa história, muito complicada para um público que queria um relato simples de vítimas e opressores.

Os britânicos falaram das necessidades da população árabe da Palestina. Um Estado judeu no Oriente Médio, feito contra a vontade dos habitantes nativos, não seria o final feliz para a trágica história dos judeus. Entretanto, o Êxodo foi fundamental para cimentar o respaldo, dado mais tarde, com a votação na ONU sobre a partilha da Palestina. A imagem do navio foi mais poderosa do que as advertências da chancelaria britânica ou dos apelos dos líderes árabes.

O ataque ao grupo de navios que transportava ajuda humanitária para Gaza deve ter despertado as memórias dos líderes de Israel e de seus militares. A visão dos políticos, diplomatas e das Forças Armadas tentando divulgar uma história mais complicada do que a de civis inocentes brutalmente assassinados por um ato de pirataria não impressionou o público.

Por mais que mostrem vídeos de ativistas atacando os soldados israelenses que abordavam os navios, não responderão à pergunta: o que os soldados estavam fazendo lá e por que os passageiros não deveriam se defender de quem os atacavam, exatamente como fizeram os refugiados em 1947?

Os argumentos políticos de Israel, de que a Faixa de Gaza é controlada pelo Hamas, da ameaça constante que paira sobre Israel, representada por Gaza, no sul, e pelo Hezbollah, no norte, apoiados pelo Irã, que ambiciona a bomba nuclear, caíram em ouvidos surdos.

Os argumentos de especialistas em leis marítimas, de que Israel estava em seu pleno direito de atacar o barco em águas internacionais, perdem diante da presença de peso, em outro dos barcos, do romancista sueco Henning Mankell, que arriscou sua vida para ajudar Gaza.

Os movimentos de solidariedade palestinos, até o momento, não atingiram a massa crítica da campanha contra a África do Sul do apartheid. Talvez, como o Êxodo, em 1947, os barcos de ajuda a Gaza possam atingir o ponto crítico da longa agonia do povo palestino quando a opinião pública indecisa finalmente se voltar contra Israel e todo o projeto sionista de uma pátria para os judeus.

Quando a simpatia do público é ultrajada por um ato definido, como um massacre, a solução das reivindicações rivais de árabes e judeus sobre a mesma parte do território não vêm ao caso.

Olhamos para trás, para o Êxodo, e pensamos se nossos pais e avós não deveriam ter agido de maneira menos emocional. Emoções são incontroláveis. A empatia pelos encarcerados em uma imensa prisão ao ar livre, submetidos a punições coletivas, derrotará as advertências dos especialistas. A imagem dos barcos rumando para Gaza ficará gravada na mente, quaisquer que sejam as consequências do ultraje coletivo.

Linda Grant/O Estado de S.Paulo

TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

É AUTORA DE “AS PESSOAS COMUNS: VISÃO DE ISRAEL POR UMA ESCRITORA”

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Agora resta-nos aguardar como o governo dos Estados Unidos irá se posicionar na condenação, ou não, a respeito do lamentável episódio envolvendo forças militares de Israel e a denominada frota humanitária.

Na abordagem dos navios os militares israelenses mataram um número, ainda não declarado, de militantes.

Como sempre, quando Israel é quem está em foco, a diplomacia dos USA é extremamente cautelosa.

A cautela poderá até ser justificada quando se sabe que a vítima tem dupla nacionalidade: americana e turca.

A União Europeia já pediu um inquérito ao incidente e os palestinos pediram uma reunião urgente na ONU. O Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, condenou o ataque, classificando-o de “massacre”.
Foto:AP

O Editor


Há um ‘cadáver‘ americano entre as vítimas de Israel

Apareceu um cadáver no caminho que une a complacência dos EUA à truculência de Israel.

Chama-se Furkan Dogan. Feneceu, aos 19 anos, no ataque israelense à frota que levava ajuda humanitária a Gaza.

O corpo, um dos nove que tombaram na madrugada de segunda (31), tem dupla cidadania: americano e turco.

Ao confirmar a novidade, o porta-voz do Departamento de Estado norte-americana, P.J. Crowley, comentou:

“Analisaremos com cautela as informações que foram recebidas sobre as circunstâncias da morte”, disse P.J. Crowley.

“Nós levamos muito a sério a saúde dos cidadãos americanos em qualquer parte do mundo”.

Não fosse Israel o agressor, Washington analisaria as informações recebidas com dose infinitamente inferior de cautela.

blog Josias de Souza

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A ninguém é dado ficar espantado com o “dois pesos e duas medidas” da política externa dos Estados Unidos.

A posição “cautelosa” de Mrs. Clinton em relação do ataque de Israel aos navios da chamada frota humanitária, demonstra, para analistas diplomáticos internacionais, que o país de Barack Obama não tem aliados. Tem interesses. Desde as “fantasmagóricas” armas de destruição em massa que ‘não existiam’ no Iraque, que é preciso desconfiar de declarações de quaisquer autoridades, de quaisquer governos.

De qualquer maneira, a ação de Israel é um entrave às tentativas diplomáticas de se resolver o conflito no oriente médio. Com ou sem razão, o ato de abordagem dos navios municia os que desejam o fim do Estado judeu.

Contudo, segundo reportagens do N.Y. Times havia terroristas entre os ‘pacifistas’ que se encontravam nos navios. A verdade, quem sabe, um dia surgirá e aí todos saberão quem estava com a razão.

O Editor

PS. A esquerda neurótica, que agora pula na jugular do Estado de Israel, é a mesma que ficou muda quando do ataque da Coreia do Norte que afundou a corveta da marinha da Coreia do Sul, ataque que causou a morte de 46 tripulantes.


Hillary pede que a ‘resposta’ a Israel seja ‘cuidadosa’

Há duas Hillarys em Washington. Uma, já conhecida, é a Hillary ‘Mata-e-Esfola’ Clinton do caso do Irã.

A outra, uma Hillary ‘Flor-Sem-Espinhos’ Clinton, revelou-se nesta terça (1º), num comentário sobre o ataque de Israel à flotilha humanitária pró-Gaza:

“Acho que a situação [de Israel], de nossa perspectiva, é muito difícil e requer uma resposta cuidadosa e atenciosa”.

É fácil distinguir uma Hillary da outra. Na dúvida, basta levar as duas ao fogo. Elas não fervem à mesma temperatura.

blog Josias de Souza

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