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Fernando Pessoa/Alberto Caeiro – A Espantosa Realidade das Cousas – Poesia terça-feira, 23 de abril de 2019

A Espantosa Realidade das Cousas Fernando Pessoa/Alberto Caeiro A espantosa realidade das cousas É a minha descoberta de todos os dias. Cada cousa é o que é, E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra, E quanto isso me basta. Basta existir para se ser completo. Tenho escrito bastantes poemas. Hei de escrever muitos mais. Naturalmente. Cada poema meu diz isto, E todos os meus poemas são diferentes, Porque cada cousa que há é uma maneira de dizer…

Francisco Carvalho – Burocracia – Poesia domingo, 21 de abril de 2019

Burocracia Francisco Carvalho¹ Eles te advertem que a aurora foi abolida por tempo indeterminado. Eles te comunicam que o trigo e o vento vão ser exportados para o arco-íris. Eles te aconselham a esquecer o corpo ensangüentado dos acontecimentos. Eles te ensinam que o orvalho não cai sobre aqueles que semeiam dúvidas. Eles te mandam esvaziar as palavras de toda a possível reminiscência. Eles te fiscalizam do alto dos edifícios escanchados nalgum dragão lunar. Eles te dão um ataúde azul…

Saramar Mendes – Teus lábios de navegar – Poesia sábado, 20 de abril de 2019

Teus lábios de navegar Saramar Mendes Refazem teus lábios minha pele lassa e rios traçam, de sangue em rebuliço de mar sem tempo marcado, teus lábios de me tomar. Tanto tempo desfazes com teus beijos e o sol tem outro alumiar de passeio e pipa, no ar e a pele que com teus beijos devassas, são rosas avermelhadas de amor, guardando o viço, o fogo de me queimar. Tanto tempo, tanto amor e conheço a saudade de cada pedaço meu…

Anibal Beça – Poesia – Literatura sexta-feira, 19 de abril de 2019

Quinta Estação Anibal Beça Não há recomeço possível. Senão um olhar para trás. A flor que murcha cai não torna para o galho. Por cima dos ombros o outono perde a primavera e as folhas secas são tapetes grados para amaciar pegadas. Um murmúrio bate à nossa porta e o vento inexorável escarifica cicatrizes no exato arrepio. No pressentido encontro – bandido convicto – assalto o canteiro dessa noite insone e agasalho a alba na gruta do sésamo.   Compartilhe…

Wislawa Szymborska – Poesia quarta-feira, 17 de abril de 2019

O fim e o início Wislawa Szymborska Depois de toda guerra alguém tem que fazer a faxina. As coisas não vão se ajeitar sozinhas. Alguém tem que tirar o entulho das ruas para que as carroças possam passar com os corpos. Alguém tem que abrir caminho pelo lamaçal e as cinzas, as molas dos sofás, os cacos de vidro, os trapos ensanguentados. Alguém tem que arrastar o poste para levantar a parede, alguém tem que envidraçar a janela, pôr as…

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