Brasil: da série ” o que dá pra rir dá pra chorar!”
Não há nenhuma novidade no fato de um candidato a cargo eletivo não ler o programa de governo. Também é cristalino que tais figuras, lendo ou deixando de ler o “programa” de governo – desde que Cabral aportou na taba dos Tupiniquins – jamais cumprem um enésimo do que prometem em palanque. Que dirá do que assinam sem ler. E mais, o povo, não “tá nem aí” em relação aos delirantes programas.

Argh!
O Editor


Cabe a Dilma esclarecer programa (Editorial)

Ao visitar Nova York em maio, conduzida pelo deputado Antonio Palocci, a candidata Dilma Rousseff cumpriu a agenda correta e falou a plateias indicadas para quem pode vir a presidir uma das dez maiores economias do mundo, destino de grandes investidores externos.

Por certo, foi fundamental para Dilma contar com a experiência e a agenda pessoal do ex-ministro da Fazenda Palocci, seu assessor de campanha, transformado em uma das poucas âncoras da primeira fase do governo Lula junto aos empresariados interno e externo.]

Em salões nova-iorquinos, Dilma Rousseff adotou um discurso responsável. Chegou a defender, corretamente, a manutenção da autonomia operacional do Banco Central, um aspecto positivo da gestão Lula.

Foi um bom momento de Dilma. Mas a campanha da candidata do PT emite sinais contraditórios.

Uma sirene estridente soou segunda-feira, último dia para o registro dos programas dos candidatos a presidente na Justiça Eleitoral, quando a campanha de Dilma protocolou uma proposta radical de governo, na qual reapareceram várias das inaceitáveis ações contra a liberdade de imprensa e a propriedade privada defendidas por grupos de esquerda autoritária existentes no governo.

O projeto ressuscitou parte da terceira versão do “Programa de Defesa de Direitos Humanos” e delírios aprovados na Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), biombo criado para corporações sindicais e outros grupos de militantes darem uma tintura de encaminhamento democrático a medidas de cerceamento da imprensa, em nome do “controle social” da informação e do combate a “monopólios” inexistentes.

Do programa de “direitos humanos”, assessores de Dilma foram resgatar a criação de uma instância para mediar conflitos agrários, tirando da Justiça o poder de julgar invasões de terras tão logo elas ocorram, maneira nada sutil de fragilizar o direito constitucional à propriedade privada.

Também foi retirado da mesma fonte o imposto sobre riquezas, instrumento revogado onde foi instituído, por ser de impossível administração, por desestimular a criação de poupança interna, prejudicar a geração de empregos e instituir fuga de divisas.

Trata-se do programa do PT radical, não da coligação PT/PMDB.

O texto terminou substituído por outro, menos virulento, embora o item da asfixia da imprensa independente e profissional tenha sido preservado, de forma dissimulada. Foram, então, reforçadas as perguntas: o que realmente pensa a candidata Dilma Rousseff? Qual é mesmo sua proposta de governo?

Se já não era boa tática a candidata se manter longe do contraditório, não comparecer a sabatinas, recusar-se a dar entrevistas e depoimentos, agora, mais do que nunca, é imperioso Dilma Rousseff participar de debates, expor com clareza, o que pensa sobre questões-chave — como estas e várias outras —, para o eleitorado votar de maneira consciente.

Não ajuda a própria candidata semear incisivos pontos de interrogação sobre seus verdadeiros propósitos num eventual governo.

O Globo

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Primeiro desce redondo. Numa boa. Depois humilha e mata!
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Brasil: da série “o que dá pra rir da prá chorar…”

O ex-PDS, ex-PFL, ex-PMDB, ex-PSDB, ex-PPS, inaugura um novo argumento no embate das ideias: a pedagogia da pancada!

Os Tupiniquins estão ansiosos para assistir um debate entre esse neo-paulista e a histriônica Heloisa Helena. Quem irá sair no braço primeiro? Como será que a ‘doce’ Marina Silva irá se defrontar, no campo das idéias, com esse autêntico representante do machismo nordestino?

Agora vão imaginando aí o ‘nive’ da campanha se o Collor fosse candidato. Quem ficaria, não com aquilo, mas com o olho roxo?

O editor

Ciro mostra com quantos sopapos se constrói a sua nova hegemonia
do blog do Reinaldo Azevedo

O vídeo abaixo contém cenas fortes e não deve ser acessado por crianças. É o deputado Ciro Gomes, do PSB, em ação. Foi visto só 831 vezes até agora. É uma injustiça. Tal desempenho merece maior audiência. Ah, sim: a sigla costuma vir acompanhada do estado. Ciro, agora PSB-SP, parece, cansou-se de ser cearense e decidiu ser paulista. Sua mãe não gostou. Vejam o vídeo.

Como viram, o valentão fazia um comício na cidade cearense de Carnaubal, no ano passado. A candidatura de sua aliada local tinha sido cassada sei lá por quê, e ele estava lá para anunciar o novo postulante. Alguns opositores locais protestavam. Este grande líder nacional, que diz querer criar uma “nova hegemonia moral e intelectual no país” — um de seus companheiros de trajetória é o moralista e intelectual Paulinho, da Força Sindical (o conjunto rima com Polícia Federal) — não se faz de rogado: dá cinco minutos para seus adversários sumirem dali.

Cinco minutos??? Vocês sabem: Ciro tem o mesmo estilo celebrizado por aquele outro almofadinha do coronelismo, o que dizia ter “aquilo roxo”. Achou que cinco minutos depunham contra a sua macheza. Então ele faz o quê? Parte, aparentemente sozinho, para pegar seus adversários no braço e lhes mostrar, com todos os hematomas da teoria, o que vem a ser, na prática, uma “nova hegemonia moral e intelectual”. Ciro atribui este seu conceito ao teórico comunista italiano Antonio Gramsci. Mais ou menos… Assim como a pedagogia da porrada é uma coisa típica de Ciro Gomes, a “nova hegemonia moral e intelectual” destituída de um sentido de classe — que é a coisa de que Gramsci tratou — é puro Ciro Gomes. Essa bobagem, portanto, não pode ser atribuída a Gramsci, mas ao valentão que a gente vê acima.

Muitos de vocês foram importunados na universidade pela semiótica — geralmente, “semi-ótica” por conta da incompetência de “mestres” da área —, mas foram despertados ao menos para a necessidade de analisar o que eles chamam de um “discurso” na sua inteireza, em todas as suas “linguagens”. No caso do vídeo, reparem como Ciro foi se tornando aquilo que estava destinado a ser. Ele já foi uma espécie de “enfant terrible” da política: alguns queriam que dissesse verdades essenciais com seu jeitão briguento e retórica grandiloqüente: uma mistura de Rui Barbosa com Dado Dolabella.

Lembro-me que Caetano Veloso chegou até a elogiar a sua beleza, imaginem… Em defesa do cantor baiano, noto: faz tempo, muito tempo. É que a minha memória é muito boa. À época, se não me engano, o alvo da apreciação foi o pescoço “forte” de Ciro… O tropicalismo sempre teve requebros febris, mas também certa sutileza. Caetano não elogiou o que estava sobre o pescoço, é bom notar. Não que eu me lembre.

Machado de Assis — ou o Bentinho de Dom Casmurro — tinha dúvidas se a Capitu da Praia da Glória (a adulta, que ele acusava de adúltera) já estava dentro da menina espevitada da Rua Matacavalos ou se esta havia se transformado naquela em razão de “algum fator incidente”. Não sei… Este Ciro que a gente vê, com este físico típico de um coronel das antigas, com aquela pança arrogante e mandona, que resolve as querelas políticas no braço, já estava dentro daquele Ciro do Caetano? Eu acho que a resposta é positiva, assim como “a fruta está dentro da casca”. Observem que, quando ele parte para resolver o problema na base da velha hegemonia do punho, um segurança — ou coisa assim — corre atrás. Outros certamente havia. A gente sabe como se dá esse tipo de valentia…

Foi a primeira vez que ele pôs em risco a segurança de muita gente ao acirrar os ânimos num comício, em vez de acalmá-los? Não foi, não! Já demonstrou outras vezes como age um verdadeiro machão da nova hegemonia moral e cultural, pouco importa que haja ali uma pequena multidão, crianças inclusive. É que seu sangue é quente, e sua língua, imensa.

A de Gramsci era a hegemonia de classe. A de Ciro pode ser sem classe mesmo. Incapaz de entender o que os comunistas escreveram sobre luta de classes, Ciro se contenta com um arranca-rabo.

Obediente às ordens de Lula, a exemplo dos últimos sete anos, Ciro transferiu seu título para São Paulo, onde pretende inaugurar este novo estilo de fazer política, que poderia ser definido como “Deixa, que eu bato”. Mal posso esperar por cena parecida. Imagino Ciro partindo pra porrada, e Gabriel Chalita atrás, recitando versos de auto-ajuda de destruição de inteligência em massa. Será realmente um momento sublime da política paulista.

Depois disso, já pode ir para o programa A Fazenda. Mas como coadjuvante.

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Primeiro desce redondo. Numa boa. Depois humilha e mata!

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Realmente, como dizia o bruxo do Cosme Velho, Machado de Assis, “a lanheza anda escassa”.

Depois de convidado para ser patrono dos formandos dos Cursos de Administração, Jornalismo e Turismo 2005-2 da Universidade Estácio de Sá de Santa Catarina, o Professor Rubens de Oliveira recebeu uma mensagem eletrônica desconvidando-o, de forma cortês, pelo fato dele ter contribuído com pequena quantia de dinheiro para as festividades.

Como é atual essa história de paraninfo e dinheiro, de forma expressa ou implícita, vale a pena ler a troca de correspondências entre os estudantes e o mestre desconvidado.

E-MAIL DA COMISSÃO DE FORMATURA:
Excelentíssimo Dr. Professor Rubens Araújo de Oliveira
Assunto: Desconvite Patrono Estácio

Nós da comissão de formatura dos cursos de Administração, Turismo, Jornalismo e GSI da faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina, vimos por intermédio desta, comunicá-lo de uma situação que nos deixa muito constrangidos e de certo modo frustrados: Há alguns meses, em visita pessoal entre os membros da comissão de formatura à Vossa Senhoria, solicitamos e fomos prontamente atendidos e correspondidos na solicitação do convite, que muito nos honraria para homenageá-lo como Patrono das turmas acima mencionadas.

Até então, também foi abordado a possibilidade de um auxílio para amenizar os custos referentes a formatura.
Hoje pela manhã, fomos informados formalmente que o auxílio que poderia ser repassado aos formandos seria de R$ 1.000,00, que entendemos que esteja dentro das suas atuais possibilidades financeiras.

Ao repassar esta informação, a comissão e os demais formandos ficaram em uma situação delicada em face da dificuldade em completar o orçamento.

Os mesmos reagiram e sugeriram o auxílio de outra pessoa, que era também cogitado a ser homenageado, cujo valor disponibilizado amortizará o custo relativo ao local da colação de grau, pois contávamos com a disponibilidade do novo auditório da Estácio. Então, diante desta situação extremamente complicada, nós, da comissão, acatamos o que a maioria dos formandos optou, que é de homenagear como Patrono a outra pessoa que fará uma contribuição mais elevada.

Gostaríamos de agradecer o aceite e o comprometimento, nos desculpar pela alteração e pelo não cumprimento do convite que fora gentilmente aceito pelo senhor, mas diante dos fatos, a maioria decidiu que seria mais justo homenagear a pessoa que se propôs a fazer a maior contribuição para com os formandos.
Ficamos no aguardo de um retorno do recebimento deste.
Atenciosamente,
Comissão de formatura

RESPOSTA DO PROFESSOR:

Prezados Acadêmicos da Comissão de Formatura dos Cursos de Administração, Jornalismo e Turismo.

Vocês não devem se sentir constrangidos. Frustrados, sim; constrangidos, nunca!
Quem sabe este constrangimento não se trata de vergonha! Ou falta de caráter! Ou ainda falta de ética!

Entendo que estou “desconvidado” para ser Patrono. Em minha vida de quase 30 anos como professor, devo ter sido patrono, paraninfo, nome de turma e homenageado – dezenas de vezes. Jamais imaginei que formandos convidassem e “desconvidassem” patronos por dinheiro! Enfim, sempre há uma primeira vez para tudo. Se eu utilizasse a mesma moeda (literalmente) é uma pena não ter sido comunicado antes… Neste caso, por idêntico critério não teria pago minha parte como “patrono” na última festinha de confraternização dos formandos.

Meus queridos ex-futuros afilhados : Eu é que me sinto constrangido. Decepcionado. Surpreso. Triste, mesmo!

Constrangido porque pensei que o convite realizado fosse uma homenagem ao Ex-Diretor Geral da Estácio pela sua capacidade de administrar e levar adiante um projeto que em cinco anos tornou-se a maior escola de administração de SC. Todos os cursos que ora estão se formando obtiveram a nota máxima de avaliação do MEC.

Patrono é isso: uma pessoa que os formandos entendam deva ser exemplo na área de atuação dos cursos.

Decepcionado porque pensei que nossos alunos honrassem o título de Bacharel após quatro anos muita de luta e sacrifício. Patrono é isso: uma pessoa que dignifica a profissão. Surpreso porque jamais imaginei ter sido “comprado” como Patrono. Isto é, fui “eleito” pelos formandos somente porque iria dar dinheiro para a formatura. Patrono não é isso. Patrono não se vende.

Triste porque vejo que não consegui – após quatro anos de curso superior – mudar os valores de alguns alunos da Estácio SC.

Patrono é isso: uma pessoa que possui valores que prezam pela ética, moral, honra e palavra.
Sinto-me aliviado. Dormirei melhor…

Não consegui comprá-los por R$ 1.000,00. Obviamente a honraria de ser patrono vale muito mais que isso. Tivesse eu as qualidades de um patrono acima citadas – talvez me sentisse “enojado” com a situação. Como não as possuo, sinto-me aliviado em ter poupado um dinheirinho que seria gasto com pessoas das quais me envergonho ter sentido alguma consideração de relacionamento.

Assim sendo, e como não resta alternativa, com muita alegria aceito o “desconvite”.
Entendo que outros formandos não devem compartilhar da mesma opinião dessa Comissão. A estes desejo sucesso e sorte.

À Comissão de Formatura e aos outros que trocaram o patrono por dinheiro o meu desprezo. Seguramente a vida lhes ensinará o que a faculdade não conseguiu!
Por último, desejo a todos a felicidade da escolha de um Patrono bem rico! Que ele possa pagar todas as despesas e contas… Seguramente a maior qualidade do homenageado!
Que tenham uma excelente formatura. Estarei lá, presente, na qualidade de professor da Estácio.

Digam ao acadêmico orador que, em seu discurso, não fale em qualidades dignas do ser humano, muito menos em decência, honra, moral e ética. Se assim o fizer, irei aparteá-lo e chamá-lo de mentiroso!

Atenciosamente,

Prof. RUBENS OLIVEIRA, Dr. Ex-futuro Patrono dos Cursos de Administração, Jornalismo e Turismo da Estácio de SC.

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Brasil: da série “o que dá prá rir dá prá chorar”!

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O cidadão foi multado por excesso de velocidade quando empurrava o carro!

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Fotografia – Flagrantes

Da série: o que dá prá rir dá prá chorar

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Da série: “o que dá prá rir dá prá chorar”

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Flshcom Studio

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Local/autor desconhecidos - Quem souber favor informar p/ créditos
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Menino brinca em depósito de lixo nas Filipinas
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Foto – Darren Whiteside/Reuters

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Shopping - Afeganistão
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Loja(?) em Ghazni, Afeganistão
Foto:Musadeq Sadeq / AP

Nota do editor
Respondendo à perguntas que me fazem sobre a frase “O que dá prá rir dá prá chorar”, com a qual titulo alguns “posts”. Trata-se de parte de um verso de uma música - Canto Chorado – de um dos mais geniais e inspirados compositores e instrumentistas brasileiros, Billy Blanco¹.

“O que dá prá rir dá prá chorar
Questão só de peso e medida
Problema de hora
E lugar
Mas tudo são coisas da vida”…

¹Biografia de Billy Blanco e a letra da música

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