Saiba converter e-books para formato compatível com tablets

Aplicativo ‘Calibre‘ auxilia organizar a biblioteca de livros digitais.

Deixe suas dúvidas e sugestões na área de comentários.

É crescente número de usuários que recorrem a tablets ou um leitor de e-book para a leitura dos milhares de títulos de livros digitais disponíveis gratuitamente ou à venda em lojas virtuais na internet.

Com a diversidade de modelos de aparelhos, as características de hardware também variam. Por isso, em alguns casos, é preciso adequar o formato do arquivo do documento que será carregado no dispositivo.

Do contrário, arquivos de maior tamanho ou em alguns formatos podem não ser suportados por todos os modelos de dispositivos ou ocasionar o travamento dos mesmos.

Além disso, poder criar os próprios e-books e incluí-los no acervo do tablet amplia a utilidade de uso do dispositivo. A maioria dos tablets suporta arquivos no formato PDF e basta ter um leitor apropriado.

Embora esse formato seja suportado, os leitores de PDF não têm todas as funcionalidades de leitura do arquivo, se comparadas com um e-book no formato apropriado.

Mas que tal poder converter qualquer arquivo texto ou formato de PDF para um formato que possa ler lido em qualquer leitor de e-book ou tablet?

Nesta coluna irei apresentar o Calibre, um aplicativo que auxilia a organizar a biblioteca de livros digitais e convertê-los para os principais modelos de tablet.

O instalador do programa está disponível nas versões para Windows, Linux e Mac.

Após concluir a sua instalação, o programa já pode ser usado para organizar a biblioteca digital e converter o acervo para um formato que é suportado por qualquer tablet. Nesse caso, o formato “universal” de todos os leitores de livros digitais é o epub.

O Calibre é um aplicativo que auxilia a organizar e-books e converte-los para formato suportado pelos tablets

Quando o Calibre é executado pela primeira vez, ele traz consigo um e-book demo, com as instruções de uso do programa. Para incluir novos livros no acervo, clique na opção do menu “Adicionar livros”.

Entre as opções disponíveis, é possível adicionar livros individualmente ou todo o conteúdo armazenado num diretório.

Após adicionado no acervo, é possível visualizar o e-book com o próprio programa

No exemplo acima, foi incluído um livro no formato PDF. Ele já fica acessível no Calibre, podendo ser lido usando os recursos do programa ou ser convertido para o formato EPUB e após ser carregado para dentro do ebook reader da preferência do usuário.

Convertendo um arquivo no formato de PDF para EPUB

Para conversão para o formato EPUB, basta clicar em “converter livros”.

Nesse processo, é possível marcar individualmente o e-book que será convertido ou selecionar um grupo de ebooks.

Dependendo do tamanho do arquivo e da quantidade de e-books a serem convertidos, o processo pode levar alguns minutos.

Informando dados adicionais antes da geração do arquivo EPUB

Antes de finalizar a conversão de formato, é possível configurar informações adicionais referentes ao livro digital, como autor, edição, editoria, tags. Com base nessas informações, o programa consegue oferecer mais organização do acervo.

Ao término da conversão, além de visualizar os livros digitais no próprio computador, também é possível enviá-lo para o dispositivo que estiver conectado.

Arquivo recém convertido sendo visualizado dentro de um tablet

Ronaldo Prass/Especial para o G1*

* Ronaldo Prass é programador de sistemas sênior e professor de linguagens de programação em cursos de extensão universitários. É ao mesmo tempo um entusiasta do software livre e macmaníaco. Nem por isso deixa de conferir o que está rolando nas outras tecnologias. Na coluna “Tira-dúvidas”, ele vai dar dicas para tornar o uso do computador mais fácil e divertido, além de responder as dúvidas dos leitores na seção de comentários.


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Será que a o chamado livro eletrônico — em ‘informatiquês’ tablet, e-book, Kindle, iPad — produzirá, no registro e na difusão do conhecimento, o mesmo impacto que o tipo móvel de Gutenberg, lá no século XV, provocou? Nós hoje temos a oportunidade de observarmos a história dessa estória, tanto quantos as pessoas e os historiadores à época de Gutenberg, o fizeram. A tecnologia da digitalização de livros, como era de se esperar, já fez surgir legiões de prós e contras.

Essa nova tecnologia, inclusive pelo alto poder de sedução, abre um inegável potencial para a popularização da leitura entre a chamada geração digital, hoje afastada do hábito da leitura, inclusive pelo alto custo dos livros. Somos agora testemunhas, na história contemporânea, do surgimento de um contraponto a um dos cânones da teoria econômica, que desde Adam Smith entoa o mantra no qual a questão da escassez impõe um limite à capacidade produtiva, determinado o custo dos produtos.

Como fazer agora diante do fato de que na sociedade digital, na qual sai o átomo e entra o bit, existe uma infinita oferta de conhecimento, que quando não inteiramente gratuita é de baixíssimo preço em virtude da escala?
Tanto é assim que para Antonio Luiz Basile, professor de Ciência da Computação da Universidade Mackenzie, [...]“com a exclusão dos gastos com papel e encargos gráficos, a tendência é que o custo da publicação seja mais baixo”.

A par da mera discussão acadêmica, tecnológica, sociológica e/ou pedagógica, convém não perder de vista Schopenhauer:
“Para ler o que é bom uma condição é não ler o que é ruim, pois a vida é curta, o tempo e a energia são limitados. Em geral, estudantes e estudiosos de todos os tipos e de qualquer idade têm em mira apenas a informação, não a instrução. Sua honra é baseada no fato de terem informações sobre tudo […], sobre o resumo e o conjunto de todos os livros. Não ocorre a eles que a informação é um mero meio para a instrução, tendo pouco ou nenhum valor por si mesma.”
(Arthur Schopenhauer,A arte de escrever, Editora L&PM)
Ou seja: independente do meio, o conteúdo continuará fazendo a diferença e definindo a audiência. Às escolas cabe o papel fundamental de utilizar essa tecnologia, para ensinar os alunos a transformar informação em conhecimento

O Editor


A digitalização dos livros

John Thompson (foto), professor de sociologia em Cambridge e autor do livro Books in the digital age, participa amanhã do Fórum Internacional do Livro Digital, em São Paulo. Abaixo, trechos da entrevista, feita por correio eletrônico, sobre o futuro do livro.

Qual é o impacto da digitalização na indústria do livro?

A revolução digital nas editoras é muito mais complicada do que pensa a maioria das pessoas que não pertence a esse mercado. Não se trata somente dos livros eletrônicos, ou da questão de se os livros físicos vão desaparecer. Esse é somente um aspecto de uma transformação mais profunda, que mudou, e está mudando, a natureza do setor de publicação de livros – o que eu chamo de “revolução encoberta”.

Os livros físicos vão desaparecer?

Já que você perguntou, darei a melhor resposta que qualquer um pode dar: ninguém sabe. Muitas pessoas especulam sobre isso, mas a verdade é que ninguém sabe.

A revolução digital é uma revolução não somente das editoras, mas dos setores criativos de um modo mais geral, e faz parte da própria natureza das revoluções que ninguém saiba qual será o resultado final.

Dessa forma, qualquer um que afirme com grande confiança que os livros físicos vão desaparecer, ou mesmo que os e-books representarão 10% ou 20% ou até 50% do mercado em cinco ou dez anos, está simplesmente chutando – eles simplesmente não sabem.

O que é possível saber então?

Os únicos fatos que temos é que, num mundo de publicações de interesse geral, as vendas de livros eletrônicos nos Estados Unidos – que é provavelmente o mais desenvolvido para e-books – foram mínimas até 2006, e depois, com o lançamento do leitor da Sony, seguido do Kindle e do iPad, as vendas de livros eletrônicos subiu significativamente no período de 2007 até o começo deste ano. Mesmo assim, as vendas de e-books representam uma fração pequena das vendas totais nos EUA – provavelmente menos de 2%, dependendo de como se façam os cálculos.

Muito provavelmente as vendas de e-books continuarão a subir nos próximos anos, conforme mais e melhores leitores cheguem ao mercado e os preços caiam. Mas ainda é muito cedo para dizer como o padrão de vendas mudará em dois ou três anos, sem falar em cinco anos. O crescimento pode acelerar conforme mais pessoas se tornam acostumadas a ler livros em equipamentos portáteis de vários tipos, ou pode desacelerar – como aconteceu, por exemplo, com os audiolivros. Neste momento, simplesmente não sabemos.

Qual é a sua opinião?

Minha opinião pessoal é que os livros estarão cada vez mais disponíveis, e serão cada vez mais lidos, em formatos eletrônicos, em leitores de e-books e em vários tipos de equipamentos multifuncionais, como o iPad, mas que isso não irá tomar o lugar dos livros físicos. O mercado dos livros vai se tornar mais fragmentado e diferenciado, com pessoas com perfis diferentes escolhendo a forma de ler os diferentes tipos de conteúdo. As editoras precisam estar prontas para isso e para ser flexíveis e adaptar a maneira como seu conteúdo está disponível aos leitores.

Quais poderiam ser os efeitos negativos da digitalização?

As editoras não são os únicos atores nesse campo, e existem outros, como varejistas poderosos e empresas de tecnologia, que podem transformar um modelo de negócios potencialmente atrativo num cenário de pesadelo, em que o conteúdo intelectual é radicalmente desvalorizado – em que ele se torna um tipo de “bucha de canhão” para incentivar a venda de equipamentos. O ambiente online também traz riscos novos importantes no que diz respeito à pirataria e à possibilidade de desrespeito ao direito autoral, como demonstra a batalha legal ainda não resolvida do Google Livros.

A Amazon está vendendo mais livros eletrônicos que de capa dura. O que isso representa?

Não quer dizer muita coisa: a Amazon é somente um varejista (apesar de ser muito importante) e não sabemos sobre o valor dos exemplares que estão sendo vendidos. Poderia ser, por exemplo, que uma grande proporção desses e-books esteja sendo vendida por valores bastante baixos. Na verdade, a venda de livros de capa dura para adultos vai muito bem: números recentes da Association of American Publishers mostram que as vendas nos primeiros cinco meses subiram 21% sobre o mesmo período do ano passado.

Então, é preciso dar um desconto nos comunicados de imprensa da Amazon: eles investiram muito no Kindle e estão numa guerra por participação no mercado emergente de livros eletrônicos. Não devemos nos surpreender se eles revelarem porções muito bem escolhidas de informação para a imprensa, para dar mais munição ao Kindle.

Por que o seu livro não está disponível em versão eletrônica?

Estamos no começo e a editora ainda negocia com a Amazon e outros distribuidores e varejistas de livros eletrônicos.

blog do Renato Cruz/O Estado de S. Paulo

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