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Shakespeare – Versos na tarde

Soneto XXX
Shakespeare ¹

Quando à corte silente do pensar
Eu convoco as lembranças do passado,
Suspiro pelo que ontem fui buscar,
Chorando o tempo já desperdiçado,

Afogo olhar em lágrima, tão rara,
Por amigos que a morte anoiteceu;
Pranteio dor que o amor já superara,
Deplorando o que desapareceu.

Posso então lastimar o erro esquecido,
E de tais penas recontar as sagas,
Chorando o já chorado e já sofrido,

Tornando a pagar contas todas pagas.
Mas, amigo, se em ti penso um momento,
Vão-se as perdas e acaba o sofrimento

¹ William Shakespeare
* Stratford-Avon, Inglaterra – 23 de Abril de 1564 d.C
+ Londres, Inglaterra – 23 de Abril de 1616 d.C
-> biografia de Shakespeare


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Shakespeare – Versos na tarde

Soneto XXIX
Shakespeare ¹

Quando, malquisto da fortuna e do homem,
Comigo a sós lamento o meu estado,
E lanço aos céus os ais que me consomem,
E olhando para mim maldigo calado;

Vendo outro ser mais rico de esperança,
Invejando seu porte e os seus amigos;
Se invejo de um a arte, outro a bonança,
Descontente dos sonhos mais antigos;

Se, desprezado e cheio de amargura,
Penso um momento em vós logo, feliz,
Como a ave que abre as asas para a altura,

Esqueço a lama que o meu ser maldiz:
Pois tão doce é lembrar o que valeis
Que esta sorte eu não troco nem com reis.

¹ William Shakespeare
* Stratford-Avon, Inglaterra – 23 de Abril de 1564 d.C
+ Londres, Inglaterra – 23 de Abril de 1616 d.C
-> biografia de Shyakespeare


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D. H. Lawrence – versos na tarde

Em abandono e desamparo
D. H. Lawrence ¹

A casa em silêncio, tarde da noite, eu sozinho;
…………… Do balcão
…….. Ouço o borborinho do Isar,
…….. Vejo a clara greta
Misteriosa do rio entre os pinhos, sob um céu de pedra.

Nas ondas do ar voam alguns minúsculos
……………Vagalumes
……..E me pergunto até onde
Vai essa escuridão que me consome.

(tradução de Aíla de Oliveira Gomes)

¹ David Herbert Lawrence
* Nottingham, Inglaterra – 11 de Setembro de 1885 d.C
+ Vence, França – 2 de Março de 1930 d.C


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Byron – Versos na tarde

Don Juan – XVIII
Byron ¹

Genial não sou – mas, às veses, genioso;
Modesto – mas com certa segurança;
Mutável, sim – mas voluntarioso;
Paciente – sem querer perseverança:
Jovial – mas à lamúria tendencioso;
De boa paz – mas propenso à vingança.
Chego a pensar, se às vezes me concentro;
Sou dois por fora a cada um por dentro.

(tradução de Décio Pignatari)

¹ George Gordon Noel Byron
* Londres, Inglaterra – 22 de Janeiro de 1788 d.C
+ Cefalônia, Grécia – 19 de Abril de 1824 d.C


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D.H.Lawrence

Em abandono e desamparo
D. H. Lawrence ¹

A casa em silêncio, tarde da noite, eu sozinho;
…………… Do balcão
…….. Ouço o borborinho do Isar,
…….. Vejo a clara greta
Misteriosa do rio entre os pinhos, sob um céu de pedra.

Nas ondas do ar voam alguns minúsculos
……………Vagalumes
……..E me pergunto até onde
Vai essa escuridão que me consome.

(tradução de Aíla de Oliveira Gomes)

¹ David Herbert Lawrence
* Nottingham, Inglaterra – 11 de Setembro de 1885 d.C
+ Vence, Inglaterra – 2 de Março de 1930 d.C


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Alfred Tennyson – Versos na tarde

Querelas literárias
Alfred Tennyson ¹

Ah, Deus! Os mesquinhos loucos da rima
que guincham e suam em guerras de pigmeus
perante o empedernido rosto do Tempo
e que são olhados pelas estrelas silenciosas;
que se odeiam uns aos outros por uma canção
e dão o seu melhor, que é pouco, em morder
e beliscar os seus confrades na multidão
e arranhar os próprios mortos por despeito;
e estiram-se para arranjarem uma polegada de espaço
para os seus doces egos, e não conseguem ouvir
o agoiro rolante do soturno Letes
neles e nos seus e em todas as coisas aqui;
quando um pequeno toque de Caridade
poderia erguê-los mais perto da condição divina
do que se a populosa orbe chorasse
como aqueles que grandemente choraram Diana.
E eu também falo, e perco o toque
De que falo. Certamente, depois de tudo,
A resposta mais nobre a tal coisa
É a perfeita quietude enquanto eles brigam.

¹ Alfred Tennyson
* Lincolshire, Inglaterra – 06 de Maio de 1809 d.C
+ Lincolshire, Inglaterra – 06 de Outubro de 1892 d.C


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Shakespeare – Versos na tarde

Soneto LXV
Shakespeare ¹

Se a morte predomina na bravura
Do bronze, pedra, terra e imenso mar,
Pode sobreviver a formosura,
Tendo da flor a força a devastar?

Como pode o aroma do verão
Deter o forte assédio destes dias,
Se portas de aço e duras rochas não
Podem vencer do Tempo a tirania?

Onde ocultar – meditação atroz -
O ouro que o Tempo quer em sua arca?
Que mão pode deter seu pé veloz,

Ou que beleza o Tempo não demarca?
Nenhuma! A menos que este meu amor
Em negra tinta guarde o seu fulgor.

¹ William Shakespeare
* Stratford-Avon, Inglaterra – 23 de Abril de 1564 d.C
+ Londres, Inglaterra – 23 de Abril de 1616 d.C
>> biografia


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Literatura: A intimidade de Shakespeare

Livro mostra como o bardo inglês se inspirava no cotidiano para escrever suas peças clássicas.

A notável obra de William Shakespeare (1564-1616) tornou-se imortal graças à ação de dois amigos, John Heminges e Henry Condell, que, sete anos após a morte do dramaturgo, cuidadosamente reuniram em livro a maior parte de sua escrita.

Salvaram-se, assim, obras-primas como Hamlet, Macbeth e Rei Lear.

O que eles não pensaram na época foi guardar registros do cotidiano do bardo inglês, ou seja, documentos sobre os caminhos que relacionam a vida que ele desfrutou com a literatura criada por ele.

Foi esse o ponto de partida para o pesquisador americano Stephen Greenblatt escrever Como Shakespeare se Tornou Shakespeare, que a Companhia das Letras lança nesta semana.

Considerado pai da corrente teórica do novo historicismo, Greenblatt traça relações originais, como o catolicismo da família do bardo e o fantasma de Hamlet, para tentar preencher lacunas sobre a biografia shakespeariana. Sobre isso, o acadêmico conversou com o Estado por telefone, desde Boston.

Qual é a maior virtude de Shakespeare que permitiu sua obra perpetuar ao longo dos séculos?

Uma boa questão. Não tenho uma única resposta para definir um artista tão sublime. Para começar, ele avançou a fronteira linguística, pois não é apenas em inglês que sua obra se sobressai. Pode-se dizer que ele criou grandes histórias, o que também seria uma explicação. Ou ainda que sua escrita não se prendeu ao subjugo dos reinados que se formavam, pois Shakespeare foi como Homero, um artista que privilegiou o homem e não o poder. Mas, sua vida ainda está envolvida em muito mistério, o que dificulta uma resposta precisa. O certo é que Shakespeare teve a capacidade para, ao entrar na alma de seus personagens, descrever com argúcia as pessoas que o rodeavam – na verdade, ele enfrentou um desafio que continua atual, ou seja, o de atingir tanto o espectador com gosto refinado como aquele pouco interessado em arte e deixar ambos maravilhados.

Além disso, Shakespeare era também um grande poeta, não?

Em sua época, ele era famoso por sua poesia. Há muitas referências sobre seu trabalho nesse tempo, estudos que reforçam justamente tal qualidade. Ele teve uma vida maravilhosa como poeta, e isso se refletia obviamente em suas peças: Shakespeare era muito sensível aos valores poéticos do texto e, a cada nova montagem, ele pensava cuidadosamente o que era preciso mudar, fazendo inúmeras alterações.

O que mais o surpreendeu na pesquisa sobre Shakespeare?

O desafio em meu livro é tentar mostrar como Shakespeare, a partir da análise de sua obra, parecia ser um homem criativo e generoso, alguém consciente do mundo que o cercava e das delicadas relações envolvendo mulheres, homossexuais, judeus, mas que, por outro lado, na vida real, era alguém prudente, cauteloso, que se aposentou cedo, ou seja, com preocupações típicas de um representante da atual classe média.

É possível dizer, a partir de suas peças, que Shakespeare tinha uma natureza bissexual?

Bem, é difícil ler sua obra sem suspeitar de estar diante de um homem que não apresentava um limite definido entre o que hoje definimos como homo e heterossexual. Afinal, Shakespeare escreveu uma das mais notáveis poesias amorosas do idioma inglês para um jovem. Também em algumas de suas peças há a descrição do amor de um homem pelo outro (geralmente, por alguma razão, o personagem é chamado de Antônio – confira, por exemplo, em Noite de Reis e O Mercador de Veneza). Procurei tratar com cuidado desse assunto. Não sou Joyce, Anthony Burgess ou qualquer outro romancista que poderia maquiar algum fato e torná-lo ficção. Apenas relato histórias. Por outro lado, como na época não havia a divisão ontológica entre homossexuais e heterossexuais, acredito que ele não se preocupava com essa distinção. Afinal, apesar de a sodomia ser considerada, na época, uma ofensa criminal punível até com a morte, não há registros de condenações desse tipo.

Sua curiosidade sobre Shakespeare já está saciada ou pretende escrever mais sobre ele?

Sim, continuo com minha pesquisa. Agora mesmo, trabalho em um livro sobre a qualidade de Shakespeare em contar uma história e de como seus personagens acreditavam desfrutar de uma vida digna de ser relatada e como isso nos parece familiar. Meu interesse atual está na relação entre literatura e história, o processo pelo qual certas obras de arte são notáveis por parecerem escritas diretamente para nós mesmo que seus autores já não estejam mais vivos há muito tempo.

Ubiratan Brasil/O Estado de S.Paulo

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William Blake – Versos na tarde

Das Canções da Inocência
William Blake ¹

Tocando uma flauta no vale selvagem
Tocando canções doces e alegres
Vi uma criança surgir nas nuvens,
E ela me disse a sorrir,
“Toque aquela do cordeiro”;
Então toquei com alegria;
“Toque, por favor, a canção de novo” -
Então eu toquei, e ela chorou ao ouvir.

“Largue a flauta, tua flauta feliz
E cante canções que tragam alegria;
Então toquei a mesma canção
Enquanto ela chorou deliciada ao ouvir.

“Flautista, sente-se e escreva
Num livro para que leiam” -
Então ela desapareceu”.
E eu catei um junco oco,

E fiz uma caneta rústica,
E Mergulhei-a nas águas claras
Para escrever as felizes canções
Que toda criança adora ouvir.

¹ William Blake
* Londres, Inglaterra – 28 de Novembro de 1757 d.C
+ Londres, Inglaterra – 12 de Agosto de 1827 d.C


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Shakespeare – Frase do dia

“O tempo é muito lento para os que esperam, muito rápido para os que têm medo, muito longo para os que lamentam, muito curto para os que festejam. Mas, para os que amam,o tempo é eternidade.”
William Shakespeare

 

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Shakespeare – Versos na tarde

Soneto LIII
Shakespeare ¹

De que substância foste modelado,
Se com mil vultos o teu vulto medes?
Tantas sombras difundes, enfeixado
Num ser que as prende, e a todas excedes;

Adônis mesmo segue o teu modelo
Em vã, esmaecida imitação;
A face helênica onde pousa o belo
Ganhou em ti maior coloração;

A primavera é cópia desta forma,
A plenitude és tu, em que consiste
O ver que toda graça se transforma

No teu reflexo em tudo quanto existe:
Qualquer beleza externa te revela
Que a alma fiel em ti acha mais bela.

¹ William Shakespeare
* Stratford-Avon, Inglaterra – 23 de Abril de 1564 d.C
+ Londres, Inglaterra – 23 de Abril de 1616 d.C
-> biografia


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Shakespeare – Versos na tarde

Soneto XXIII
Shakespeare ¹

Como no palco o ator que é imperfeito
Faz mal o seu papel só por temor,
Ou quem, por ter repleto de ódio o peito
Vê o coração quebrar-se num tremor,

Em mim, por timidez, fica omitido
O rito mais solene da paixão;
E o meu amor eu vejo enfraquecido,
Vergado pela própria dimensão.

Seja meu livro então minha eloquência,
Arauto mudo do que diz meu peito,
Que implora amor e busca recompensa

Mais que a língua que mais o tenha feito.
Saiba ler o que escreve o amor calado:
Ouvir com os olhos é do amor o destinado.

¹ William Shakespeare
* Stratford-Avon, Inglaterra – 23 de Abril de 1564 d.C
+ Londres, Inglaterra – 23 de Abril de 1616 d.C
-> biografia


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