O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não escreve mais à mão. Artigos, estudos, mensagens – tudo ganha vida pelas teclas no computador. “Acho que nem sei mais escrever à mão”, disse durante palestra proferida na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) nesta quarta-feira (24/3). Mas isso não quer dizer que o sociólogo seja um prodígio da tecnologia. Pelo contrário: não raras vezes os bites e bytes lhe pregam peças do arco da velha.

FHC grande

Dias atrás, por exemplo, ele perdeu um texto que escrevia. O documento simplesmente escafedeu-se da tela do computador. “Pedi ajuda ao seu marido”, disse, da mesa de onde palestrava, para Monica Serra, esposa do governador de São Paulo, José Serra.

“Ele tentou me ajudar e não resolveu nada. Pedi para meu filho, que também não conseguiu resolver. O jeito foi chamar meu neto para dar uma solução”, afirmou, arrancando boas gargalhadas da plateia.

A história começou como piada, mas foi a forma de FHC dizer que – segundo palavras dele – a “grande revolução do momento é a da comunicação”, fenômeno propiciado pela tecnologia da informação. E que esse movimento será liderado pela juventude. “A revolução da tecnologia da comunicação é para gente nova. A pedagogia moderna é isso”.

Google e o Kindle, essa maquininha aí

Ao falar assim, a intenção do ex-presidente é destacar o papel de liderança das novas gerações no mundo contemporâneo, e não diminuir a importância dos mais velhos no processo de digitalização.

Para ele, pensar o País daqui para frente significa estar inserido na lógica da inovação científica, o que repercute em todos os setores da economia. “Só temos a Embraer competindo no exterior porque temos o ITA”, disse, referindo-se ao Instituto Tecnológico da Aeronáutica.

“Agora temos essa maquininha aí que permite ler livros”, afirmou, numa referência aos leitores digitais como Kindle. “Também existe a Wikipédia. Eles escrevem muitas bobagens sobre mim lá, mas é um ponto de partida para a pessoa avançar e descobrir mais sobre um assunto”, brincou. “E também temos o Google, o maior sabido do mundo hoje”.

E o que deve um país fazer diante de um cenário como esse? Ou, para ficar no tema de sua palestra (“Ensino superior como área crítica estratégica”), qual o lugar da universidade diante da revolução digital? “A questão é ser ou não ser um analfabeto na web. O importante não é a tecnologia, mas a pessoa. É a formação dos professores para que lidem com as tecnologias da informação”.

Sobrou até para o Lula

Esse contexto também permite analisar, segundo FHC, a aplicação da tecnologia como instrumento de desenvolvimento. Como exemplo, cita o caso do Chile, que, para ele, fez um bom trabalho de valorização de seus produtos e sua imagem como país. “Os chilenos inventaram um negócio que é vender ostra para a França. Parece coisa simples, mas é complicado. Envolve logística, tecnologia”, afirmou.

Outro exemplo é o vinho, que, de algumas décadas para cá, alcançou status internacional graças a um bom trabalho de marca, pela avaliação de FHC. Foi o que bastou para dar uma alfinetadinha em seu grande rival político.

“O Brasil tem uma grande produção de fruta, à la Lula, ‘a maior do mundo’, mas ninguém conhece. O mundo do futuro é do design, da moda, da tecnologia. É o que chamam de economia criativa”.

Castells e os soviéticos

Ao refletir sobre o desenvolvimento tecnológico, FHC citou até o sociólogo espanhol Manuel Castells, autor de a “Galáxia da Internet”, com quem afirmou “ter sólida amizade”.

Conforme relembrou o ex-presidente, um dos estudos de Castells, feito há algumas décadas, um dos motivos de o império soviético ter ruído se deve ao fato de a URSS ter perdido o bonde da evolução tecnológica, embora o país tivesse, durante bom tempo, despontado como potência científica. O descompasso se deu a partir do momento em que os EUA começaram a viver “a revolução tecnológica, a digitalização, a concepção binária”, disse FHC.

“Só depois o comando soviético percebeu que os americanos olhavam para o pequeno, o micro, enquanto eles continuaram no macro. E a evolução caminhou para a miniaturização, foi do complexo para simples”, analisou.

O resumo da ópera, seguindo o raciocínio de FHC, são as profundas transformações sociais, políticas e econômicas provocadas pela tecnologia. “A revolução tecnológica tem um efeito maior do que a revolução industrial teve em sua época”.

Clayton Melo/IDG Now

Clayton Melo

, , , , , , , , , , ,

Aíla Sampaio
Poetisa e Mestra em Literatura
Professora da Unifor – Universidade de Fortaleza, Ceará

CARLOS DRUMMOND, uma das maiores vozes de nossa literatura contemporânea, sofre, constantemente, deturpações de sua obra.

A internet tem sido uma ferramenta eficaz ao democratizar a publicação de textos literários, mas tem, por outro lado, dado espaço a imbróglios relativos à autoria. Esta pesquisa mostra a profusão de textos apócrifos no mundo virtual, bem como equívocos quanto aos créditos dados em poemas e crônicas de escritores consagrados na literatura universal

O mundo virtual ampliou os espaços da literatura, facilitou a publicação de textos literários em blogs e sites e, sem dúvida, democratizou o acesso de estudantes e internautas em geral a textos antes restritos aos livros. Essa facilidade, entretanto, não é totalmente benéfica. Pesquisas sérias devem ser feitas em sites sérios, pois a democracia só é positiva quando está na mão de quem tem capacidade e caráter para exercê-la. O espaço virtual é terra de todos e de ninguém.

Há quem se preocupe com a credibilidade do que posta, e cita autorias e fontes; há pessoas mal intencionadas, que utilizam o ócio para fazer confusão; e há os incautos, que recebem e repassam textos sem qualquer preocupação com a autenticidade deles. Claro que ninguém é obrigado a saber de cor a autoria de todos os textos, mas, antes de repassá-los ou utilizá-los em pesquisas escolares e acadêmicas, bem como usá-los em avaliações e provas, deve-se conferir a autoria em livros ou com profissionais da área desse conhecimento.

Das atribuições

Não bastasse a omissão da autoria, que constitui um crime previsto na lei nº 10.695, relativa à violação de direito autoral, os escritores estão sendo vítimas de outro engodo: a atribuição de autoria. Arnaldo Jabor, Luís Fernando Veríssimo, Chico Buarque, Dráuzio Varela e Mário Prata, por exemplo, estão vivos e podem rechaçar a atribuição, embora não possam detê-la. Já Shakeaspeare, Clarice Lispector, Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Charles Chaplin, Fernando Pessoa, entre outros, circulam na internet como autores de textos que nunca escreveriam e nada podem fazer. O pior é que pessoas utilizam como fonte de pesquisa sites abertos a contribuições, como o www.pensador.info; qualquer pessoa, por mais ingênua que seja, vasculhando as páginas desse site, percebe que um mesmo texto é postado várias vezes com autorias diferentes, tal como na página da Wikipédia, onde qualquer internauta pode se cadastrar e postar o que quiser. Já foram criados blogs e comunidades no Orkut para esclarecer dúvidas quanto a autorias, contribuindo, assim, para que o espaço virtual não seja apenas um celeiro de engôdos, um desserviço ao aprendizado da literatura, mas um espaço legítimo que pode divulgá-la e servir de fonte de conhecimento, com credibilidade.

Drummonds

Carlos Drummond de Andrade, nome consolidado na literatura brasileira, tem estilo discreto e comedido, avesso, entretanto, a todo conservadorismo estético. Deixou uma obra consistente, acrescida dos poemas eróticos, de igual qualidade, desengavetados após sua morte. Não bastassem esses acréscimos, interneteiros insatisfeitos se deram o direito de atribuir-lhe versos que não constam na sua bibliografia, como é o caso do poema “Viver não dói”, amplamente postado em blogs e repassado em e-mails e scraps: (Texto I)

Vanessa Lampert, uma das pessoas sérias, no mundo virtual, que estão lutando pelo crédito aos verdadeiros autores, fez uma análise interessante desse texto e deu uma explicação bem embasada. Em seu blog, ela discorre sobre o possível passo a passo da construção do poema, a começar pela crônica “As possibilidades perdidas”, de Martha Medeiros, publicada em 20 de agosto de 2002, no site Almas gêmeas.

Ela diz que Martha se inspirou em um verso do poema “Canção”, do poeta mineiro Emílio Moura, amigo e contemporâneo de Drummond: “Viver não dói. O que dói / é a vida que se não vive”, discorreu sobre a vida e concluiu com uma interrogação seguida de uma resposta: “Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: se iludindo menos e vivendo mais”.

A crônica de Martha, transformada em poema, recebeu o acréscimo de um texto da novelista inglesa Mary Cholmondeley : “A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-se do sofrimento, também perde a felicidade.” ( Em inglês: “Every day I live I am more convinced that the waste of life lies in the love we have not given, the powers we have not used, the selfish prudence that will risk nothing and which, shirking pain, misses happiness as well.”), com o enxerto final pinçado do livro You gotta keep dancin, de Tim Hansel, escrito logo após o acidente que ele sofreu e inspirado nas dores intermitentes que o perseguiram a partir daí. Ele diz que não podemos evitar a dor, mas podemos evitar a alegria: “Pain is inevitable, but misery is optional. We cannot avoid pain, but we can avoid joy.” Há muitos outros textos atribuídos ao poeta itabirano. O segundo mais citado é “Conselho de um velho apaixonado”: (Texto II)

Leitura consistente

Esse poema não consta em nenhum dos seus livros, nem se sabe ao certo quem é o verdadeiro autor. Também não constam em sua Obra Completa: “Desejo(s) e/ou Síntese da Felicidade” (“Desejo a você/Fruto do mato/Cheiro de jardim/Namoro no portão/Domingo sem chuva´´); “Reverência ao destino” (“Falar é completamente fácil, quando se têm palavras em mente que expressem sua opinião), que vem sempre acrescido dos versos do poema intitulado: “Eterno”, de autoria dele; e, também, “Inconfesso Desejo” (“Queria ter coragem / Para falar deste segredo / Queria poder declarar ao mundo / Este amor / Não me falta vontade /Não me falta desejo”).

As falsas atribuições ao poeta proliferam na Net como uma epidemia. A ele creditam: “Almas Perfumadas” ( Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daqueles que conseguimos acender na Terra), de Ana Claúdia Saldanha Jácomo; “Máscara”, de Dante Milano; a frase “Não sei quando virá o amanhecer, por isso abro todas as portas” (“Not knowing when the dawn will come I open every door.”), de Emily Dickinson; “Recomeçar” (Não importa onde você parou,/em que momento da vida você cansou,/o que importa é que sempre é possível e necessário recomeçar) foi, inclusive, lido por Ana Maria Braga em seu programa “Mais você”, com com o título “Faxina da alma”e os créditos dados a Drummond.

A criação é, no entanto, de Paulo Roberto Gaefke e, em algumas versões deturpadas, apresenta ainda os versos VII – de “Da Minha Aldeia” no final: (Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer/Porque eu sou do tamanho do que vejo E não, do tamanho da minha altura) que são de Alberto Caeiro, ( “O Guardador de Rebanhos”) um dos´ inúmeros heterônimos de Fernando Pessoa.

Trechos

TEXTO I

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos /…/A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.

TEXTO II

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida. Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.

Acerca dos Veríssimos inverossímeis

Luís Fernando Veríssimo, escritor que também se dedica à música instrumental, é um dos prosadores brasileiros a quem os internautas mais atribuem autoria a frases ou textos completos.

Luís Fernando Veríssimo, cujos textos são sóbrios e bem humorados, na Internet, aparece como autor de divagações que mudam o seu estilo: ora ele é romântico, conselheiro, ora adere ao filão da autoajuda. Ao ler a crônica “Quase”, ele mesmo ficou surpreso ao descobrir que a obra levava seu nome e estava amplamente difundida em slides:(TextoIII)

Em 2005, no Salão do Livro de Paris, Veríssimo recebeu uma coletânea de textos de escritores brasileiros traduzidos para o francês, das mãos da própria autora, e se surpreendeu ao ver que o seu escolhido era “Quase”, cuja tradução ficara “Presque”. Esclareceu o equívoco com a organizadora e, ao retornar ao Brasil, contou o episódio na sua coluna do Jornal Zero Hora, relatando episódios, em tom jocoso, sobre o tal texto:(Texto IV)

Das descobertas

Não muito tempo depois recebeu uma carta de uma estudante catarinense, Sarah Westphal Batista da Silva, de 21 anos, contando ser a verdadeira autora. A revelação valeu uma reportagem na capa do Caderno Variedades do jornal Diário Catarinense (e também no clic RBS, o portal da RBS) feita pelo repórter Felipe Lenhart, que descobriu a jovem estudante depois de muitas navegadas pelas ruas da internet.

“A felicidade pode demorar”, cujo título real é “O amor e a vida” ou “Uma reflexão sobre o amor e a vida” também não é do prosador gaúcho Luís Fernando Veríssimo, foi escrito, em verdade, por François de Bitencourt:. Veja-se em destaque: (Texto V)

“Tipo assim”, de Kledir Ramil, também é arbitrariamente postado como de Luís Fernando: (Texto VI)

O primeiríssimo

Um dos mais espalhados pelo mundo virtual, em nome do cronista gaúcho, é “Um dia de Modess na vida de um homem”. O texto é, de acordo com Beth Vidigal, de três jovens jornalistas – Nina Lemos, Giovana Hallack e Raquel Affonso ( conforme indica o site 02 Neurônio).

O autor da crônica assina “Rolinha”. Já a crônica intitulada “Diga Não às Drogas”, que faz a referência aos “cantores e compositores goianos” ou aos “músicos de Goiás” circula também com o título de “Depoimento Emocionado de Luiz Fernando Veríssimo Sobre sua Experiência com as Drogas” igualmente não é dele e, embora tenha sido publicado na “Revista Veja” como texto sem autor, ninguém apareceu para assumir a criação: (Texto VII)

Sempre foram tantas atribuições de autoria feitas a Veríssimo que ele, já em 18 de janeiro de 2002, escreveu no Estadão, sob o título “Apócrifos”, conforme: (Texto VIII):

Quintanas e Quintana

Outro gaúcho bastante agraciado com autorias falsas é o poeta Mário Quintana. O texto “Não quero alguém que morra de amor por mim”, um dos mais divulgados, inclusive em belos slides, é de Adriana Britto e tem como título “Certezas”. Leiamos, como exemplo, uma parte dele: (Texto IX)

Emílio Pacheco, pesquisador de texto apócrifos na Internet, já fez uma lista de “falsos Quintanas” no seu artigo homônimo e deu uma boa contribuição aos que querem levar a sério a bela atitude de repassar textos literários por e-mails ou scraps no Orkut.

Leiamos um dos mais repetidos nas páginas virtuais: “Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra é bobagem. (…) Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação”. Eis o texto.

Em forma de versos ou em prosa, esse texto circula pela internet em slides, montagens, em perfis do Orkut ou mesmo em forma de mensagens. A dupla Bruno e Marrone, inclusive, o declamou em um desses seus shows pelo país.

Tornou-se comum, no mundo virtual, a colagem de textos de autores diferentes… nem sempre o sentimento da pessoa se traduz em um só poema e ela faz o recorte de versos, cola, e esquece de dar o crédito ao(s) autor(es).

Nesse que citamos há pouco, há uma frase famosa de O Pequeno príncipe, de Saint-Exupery: “Tu te tornas eternamente responsável por tudo aquilo que cativas”.

Já a frase “Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação” foi retirada de um provérbio árabe. Outro enxerto foi feito há pouco tempo: “para o homem provar que é homem, não precisa ter mil mulheres, basta fazer uma feliz”.

O número um

Imbatível em quantidade de reproduções na Net é o texto que começa da seguinte maneira:: “Com o tempo você vai percebendo que, para ser feliz com outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela”, que se encerra com a afirmação: “O segredo é não correr atrás das borboletas. É cuidar do jardim para que elas venham até você”.

Leia mais…

, , , , , , , , , , , , , , , , ,

A Copa do Mundo da África do Sul não é só o maior evento do calendário esportivo de 2010, é também a maior oportunidade de marketing do ano.

Oito de cada dez pessoas no mundo devem assistir ao torneio, que dura quatro semanas, e só os direitos de transmissão são avaliados em US$ 2,7 bilhões. E as marcas mundiais devem gastar outros bilhões para patrocinar o evento, numa aposta de que o torneio vai propiciar um impulso muito bem-vindo à receita.

Embora o público acumulado de 40 bilhões de espectadores para as transmissões dos jogos já garanta uma série de acordos publicitários lucrativos antes de o torneio começar, a internet e o celular também devem ter um papel inédito na experiência dos torcedores na Copa da África do Sul. Para oferecer seus produtos aos torcedores, os patrocinadores da Fifa estão se afastando cada vez mais das campanhas tradicionais na televisão e em outdoor e rumo a sites de relacionamento social.

A Sony Ericsson – cuja matriz Sony gastou US$ 305 milhões para se tornar um dos seis patrocinadores de longo prazo da Fifa, juntamente com Adidas, Coca-Cola, Emirates, Hyundai e Visa – usará seu patrocínio da competição para criar uma comunidade na internet de torcedores que ajude a disseminar sua mensagem.

A fabricante de telefone celular planeja usar sites como Twitter e Facebook para atingir diretamente e individualmente os torcedores, em vez de transmitir propagandas para milhões ao mesmo tempo. Calum MacDougall, diretor de parcerias de marketing mundial da Sony Ericsson, diz que 2010 será a primeira “Copa do Mundo dos sites de relacionamento social”.

“A Copa do Mundo da Fifa de 2010 é o primeiro investimento da Sony Ericsson em futebol, então procuramos onde nos encaixaríamos melhor como marca e decidimos evitar os métodos tradicionais”, diz ele.

“Os sites de relacionamento social estarão no coração da Copa de 2010 – você só precisa ver o crescimento enorme do número de pessoas usando sites como Facebook, YouTube e Twitter para entender isso”, diz. “Queremos nos concentrar nos torcedores, oferecendo algo e conquistando-os nos sites de relacionamento social. Enfiar um logotipo ao lado de uma propaganda não necessariamente permite isso, então optamos por não fazê-lo.”

O principal elemento da campanha será o lançamento de um aplicativo que permite aos torcedores acessar vídeos dos amistosos e da fase de classificação. A Sony Ericsson também lançou o Twitter Cup, um torneio online que incentiva os torcedores dos países participantes a usar suas atualizações no site para concorrer num torneio virtual.

Além disso, os torcedores poderão compartilhar seus lances favoritos diretamente com os amigos por meio de aplicativos dos sites de relacionamento social instalados em seus celulares Sony Ericsson, como o WorldCupedia, que se autodescreve como o primeiro site de buscas só sobre futebol.

“Os sites de relacionamento social estão se tornando cada vez mais importantes para todas as marcas”, diz MacDougall. “Certamente é importante para nós e uma grande plataforma para apoiar nossa estratégia de conquistar os torcedores.”

Os especialistas em patrocínio concordam que a Copa da África do Sul terá uma mudança significativa para campanhas centradas no consumidor e com estratégias virais, enquanto mais e mais marcas usam os sites de relacionamento social como a base de suas iniciativas de marketing.

“Se você tem uma marca de massa e quer dialogar com muitos clientes, precisa usar os sites de relacionamento social porque é onde as pessoas estão”, diz Tim Crow, diretor-presidente da consultoria britânica de patrocínio esportivo Synergy.

“Também já surge uma mudança no estilo que as campanhas estão adotando. Antigamente era só propaganda, agora tem mais a ver com participar das conversas e deixar que as pessoas brinquem com nossa campanha.”

Apesar da queda nos custos dos espaços publicitários, as campanhas que giram em torno dos sites de relacionamento social são mais atraentes porque são mais baratas que as propagandas em vários meios, que num evento como a Copa do Mundo custam milhões às empresas.

Num momento em que os publicitários estão sob pressão para provar que suas campanhas dão resultado, Crow diz que as grandes marcas devem se afastar cada vez mais da abordagem massificada para algo mais concentrado e eficiente.

“Atingir muitas pessoas é muito mais barato do que antigamente, quando você tinha de produzir um comercial para a televisão, um anúncio impresso ou um pôster. Não custa nada criar uma identidade no Twitter”, diz ele.

Mas alguns analistas alertam que campanhas baseadas em sites de relacionamento social podem expor patrocinadores importantes ao risco de emboscadas de marketing, quando marcas concorrentes tentam fazer com que as pessoas acreditem que elas são patrocinadoras oficiais de um evento.

“Essas emboscadas estão se tornando um problema geral – não apenas em torno da Copa do Mundo – e são muito difíceis de controlar”, diz Simon Chadwick, professor de marketing e estratégia de negócios esportivos da Universidade de Coventry, na Inglaterra.

Jonathan Clegg/The Wall Street Journal/VALOR

, , , , , , , , , , , , , , , , , ,

O que muda com a busca em tempo real do Google

Um dos principais objetivos do Google no ano fora alcançado: a criação de um serviço de busca em tempo real. Anunciado ontem, na Califórnia, nos Estados Unidos, o recurso conduz a principal marca de buscas na web a um artifício na qual não tinha dominio até então.

O que faz plataformas sociais como Facebook e Twitter tornarem-se tão valiosas com o uso desenfreado de um número cada vez maior de pessoas é a possibilidade de saber o que acontece no mundo neste momento. E o Google, de forma até desesperada, alcançou tal princípio, dois meses após o anúncio da parceria entre Facebook, Twitter e Bing, buscador da Microsoft.

Agora, toda vez que procurar por um termo na versão inglesa do Google, terá respostas distribuídas e captadas de diversas fontes. Inclusive da rede de mensagens de até 140 caracteres, o que permite iniciar uma discussão sobre qual é a relevância do conteúdo produzido, já que o resultado é apresentado de forma cronólogica.

Trata-se da pesquisa que possibilita a extração de conteúdos antes não indexados, além das tradicionais notíciais produzidas por veículos, atualizações do Yahoo Respostas e Wikipedia e conteúdos públicos previamente autorizados por seus usuários de redes sociais como o Facebook e o MySpace. O que explica a divulgação de uma “carta aberta” de Mark Zuckerberg, fundador do Facebook.

A novidade de agregar a maior quantidade de informações em um único ambiente virtual está disponível apenas em uma versão (inglês) e a promessa do Google é que este recurso seja lançado nas próximas semanas em escala global, inclusive o português (Brasil).

O Google divulgou um vídeo explicando o que muda:

Veja

, , , , , , , , , ,
Internet-da-mais-poder-a-pessoas-comuns-diz-site

Internet 'dá mais poder a pessoas comuns', diz site.

Os protestos no Irã, a campanha presidencial americana do ano passado, a abertura de capital do Google e o surgimento de sites inovadores como Twitter, Facebook e Wikipedia, estão entre os “dez momentos mais influentes” da internet na última década, segundo os organizadores do Webby Awards, um reconhecido prêmio de excelência na internet.

A lista, englobando “uma década dominada pela internet”, tem como finalidade ressaltar o caráter da rede mundial como “catalisador da mudança não apenas em todos os aspectos da nossa vida cotidiana, mas em tudo, do comércio e as comunicações à política e a cultura“.

“O tema recorrente entre todas os marcos da nossa lista é a capacidade da internet de deixar para trás sistemas antigos e colocar mais poderes nas mãos das pessoas comuns”, disse o diretor-executivo do Webby Awards, David-Michel.

O prêmio, dado desde 1996 a diversas iniciativas presentes na internet, como sites, anúncios interativos, vídeos e filmes online, é considerado uma espécie de “Oscar da internet”.

Premiações

Entre as maiores façanhas da internet nesta década esteve o desafio às mídias tradicionais, ilustrado pela expansão do site de classificados gratuito Craigslist – que “causou um frio da espinha de jornais em todos os lugares”, segundo o Webby Awards – e a possibilidade de empresas anunciarem seus produtos ao lado dos resultados das buscas através do Google AdWords.

Com 20 mil artigos em 18 línguas só no seu primeiro ano, o prêmio considerou que o lançamento da enciclopédia digital Wikipedia no ano seguinte “simbolizou o poder da internet de levar pessoas que não se conhecem em diversas partes do globo a colaborar tanto em projetos grandes e pequenos”.

O prêmio destacou ainda a capacidade do antigo Napster, um programa de compartilhamento de música fechado em 2001, de “abrir as portas” para esse tipo de prática – uma “inovação que mudou para sempre a maneira como obtemos e experimentamos música e vídeo”, disseram os organizadores.

Nos anos seguintes, o prêmio destacou a abertura de capital em bolsa da gigante de informática Google “para se tornar a mais dominante e influente companhia da década” e o avanço da tecnologia de transmissão de dados em banda-larga possibilitou o advento do vídeo na internet – uma “revolução” que “remodelou tudo, da cultura pop à política”.
Nesse campo, o prêmio destaca o uso das mídias sociais tanto no caso da campanha presidencial americana de 2008 quanto nos protestos contra as eleições iranianas neste ano.

No primeiro caso, o prêmio afirma que “a internet alterou a forma de fazer política presidencial tanto quanto a televisão havia feito 40 anos, durante a disputa Kennedy/Nixon”.

No segundo caso, os organizadores indicaram a “impossibilidade de se censurar o Twitter”, um serviço de microblogging descentralizado que acabou se tornando uma das principais fontes de informação para o mundo exterior do que ocorria dentro do Irã.

O Webby Awards também destacou a expansão do site de relacionamentos Facebook, que colocou a chamada “mídia social” no centro das atenções.

Por fim, a lista inclui o lançamento do iPhone em 2007. “Na próxima década, estima-se que um bilhão de usuários virá para a internet pela primeira vez através de serviços móveis“, diz o Webby.

DEZ ‘MOMENTOS DA INTERNET’
2000 – Site de classificados Craigslist ameaça jornais

2000 – Google barateia publicidade online com AdWords

2001 – Wikipedia é lançada

2001 – Napster inaugura compartilhamento de arquivos

2004 – Google abre seu capital

2006 – Tecnologia permite difusão do vídeo online

2006 – Facebook e Twitter ganham espaço

2007 – Apple lança iPhone

2008 – Campanha presidencial nos EUA ganha a rede

2009 – Manifestantes iranianos driblam censura usando internet

BBC Brasil

, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,