Autor analisa influência do Google em todos os setores da sociedade

Quase todo mundo já ouviu a piada: “Não tem no Google? Então não existe!”. No livro “O Que a Google Faria?“, o proprietário de um dos blogs mais populares e respeitados da web sobre internet e mídia, Jeff Jarvis, defende exatamente isso.

O autor, que também é colunista do “Guardian” e criador da “Entertainment Weekly”, mostra como pensar de maneiras originais, enfrentar novos desafios, resolver problemas com soluções criativas, enxergar oportunidades e entender com outra perspectiva a estrutura da economia e da sociedade, ou seja, ver o mundo como o Google o faz.

Ao longo da obra, o autor interpreta as regras ditadas pelo Google com as quais devemos viver e fazer negócios em qualquer setor da sociedade, ilustra como essas leis podem ser aplicadas a diferentes empresas e analisa como o pensamento imposto pela empresa afeta nossas vidas e o futuro.

No trecho extraído do livro, Jarvis fala sobre o fenômeno dos links. Ele explica como o ato de linkar modificou os antigos papéis e criou novos em todos os tipos de área de atuação, chegando a fazer a seguinte comparação: “O link muda a arquitetura fundamental das sociedades e das indústrias, assim como as vigas e os trilhos de aço mudaram o modo como as cidades e nações são construídas e seu funcionamento”. Veja abaixo.

NOVA ARQUITETURA

O link muda tudo

Na manhã de 11 de setembro de 2001, eu estava no último trem que saiu de Nova Jersey em direção ao World Trade Center, e cheguei pouco depois de o primeiro avião de terroristas ter acertado a torre norte. Embora eu não trabalhasse como repórter havia anos, eu ainda era jornalista e trabalhava para uma agência de notícias, então decidi ficar por perto do que era claramente uma grande reportagem – ainda não havia percebido o quão grande ou perigosa. Fiz anotações no local e conversei com sobreviventes, enviando relatórios para os sites e jornais de notícias do meu empregador. Uma hora depois, eu estava a cerca de uma quadra do World Trade Center quando a torre sul desabou. A nuvem de destruição foi mais rápida que eu. Cego por causa dos escombros e coberto por eles, fui abençoado ao encontrar refúgio no prédio de um banco. Depois consegui caminhar até a Times Square, onde escrevi minha reportagem e, finalmente, graças a Deus, consegui ir para casa.

No dia seguinte, eu tinha mais coisas a dizer sobre o que havia visto e sentido e as notícias sobre o assunto, então decidi criar um blog. Eu havgia lido blogs. E também tinha conseguido o investimento do meu empregador na empresa que criou o Blogger e popularizou o formato (o Blogger foi comprado pela Google em 2003). Ainda não havia escrito um blog, porque achava que não tinha nada a dizer. Depois do 11 de setembro, eu tinha. Então planejei escrever o blog durante algumas semanas, até não ter mais assunto.

Mas, depois de escrever os primeiros posts, aprendi uma lição que mudaria para sempre minha visão da mídia e minha carreira, e que acabou me levando a este livro. Alguns blogueiros de Los Angeles leram o que escrevi, escreveram sobre o assunto em seus blogs e colocaram links para mim. Correspondi e coloquei link para eles. Naquele momento, um gongo ecoou na minha cabeça. Percebi que estávamos conversando – era uma conversa distribuída, que acontecia em locais diferentes em momentos diferentes, uma conversa possibilitada pelos links. Em pouco tempo, por intermédio da busca no Google, encontrei outras ocorrências de discussões sobre o 11 de setembro e o que eu estava escrevendo. Vi uma nova estrutura de mídia: de mão dupla e colaborativa. Percebi que essa estrutura redefinida o comércio, o marketing, a política, o governo, a educação – o mundo. O link e a busca criaram os meios para se encontrar qualquer coisa e conectar todo mundo. Agora todos podiam falar e todos podiam ouvir. Permitiriam que as pessoas se organizassem em torno de qualquer interesse, tarefa, necessidade, mercado ou causa. O link e a busca iniciaram uma revolução tinha apenas começado.

Meg Hourihan, uma das criadoras do Blogger, escreveu um artigo inovador em 2002, explicando os tijolos desse novo sistema (você pode encontrá-lo fazendo uma busca no Google pelo título “What We’re Doing When We Blog”). Hourihan argumentava que a unidade atômica da mídia online não era mais a publicação ou a página, com suas pressuposições da velha mídia, mas o post no blog, que normalmente contém uma ideia à parte. Casa post tem um permalink, um endereço onde pode ser encontrado eternamente, para ser linkado de qualquer lugar. Hourihan percebeu que o permalink era um método de organizar as informações e um modo de construir redes sociais com nossas conversas distribuídas. Foi isso que aconteceu quando os blogueiros de Los Angeles linkaram meus posts. Tivemos uma conversa, ficamos amigos e chegamos a fazer negócios juntos. Nossos links nos conectaram. “Assim como no caso do discurso livre”, escreveu Hourihan, “o que dizemos não é tão importante quanto o sistema que nos permite dizê-lo”.

Esses sistema exige que tudo sobre você, seu produto, sua empresa e sua mensagem tenham um lugar online com um endereço permanente, de modo que as pessoas possam buscar e encontrar você, depois apontar para você, responder e até mesmo distribuir o que você tem a dizer. Mais do que uma home page, é um lar para cada pedacinho do que você faz. Por meio do que você expressa online, você se reúne a outras pessoas – amigos, clientes, eleitores – em redes possibilitadas por links, redes construídas em plataformas como Blogger e Google. Agora você pode se conectar com pessoas diretamente, sem intermediários. O link e a busca são fáceis de usar, mas seu impacto é profundo.

Faça o que você faz melhor e coloque links para o restante

O link muda todas as empresas e instituições.

É mais fácil ilustrar seu impacto sobre as notícias. Se o negócio de notícias fosse inventado hoje, depois do link, tudo relacionado a elas – o modo como são coletadas e compartilhadas e até mesmo a maneiras de estruturar uma história – seria diferente. Por exemplo, na imprensa, os repórteres são instruídos a incluir um parágrafo com um histórica que resume tudo o que aconteceu antes desse artigo, para o caso de algum leitor ter perdido parte da história. Mas, online, os repórteres podem colocar links para a história em vez de repeti-la, porque um leitor pode precisar saber mais do que um parágrafo poderia transmitir, enquanto outro leitor, já informado, pode não querer perder tempo com repetições. Existem outros usos para os links. Ao citar uma entrevista, o artigo não deveria linkar a transcrição ou o site do entrevistado? Se outra organização de notícias consegue tirar a única foto de um evento, os leitores não deveriam esperar que uma história completa linkasse essa foto?

O link muda a estrutura e a economia de uma organização de notícias. Os jornais não precisam ter seus próprios jornalistas que escrevem sobre golfe, porque é mais fácil e mais barato colocar um link para sites de esportes com melhores coberturas de campeonatos – liberando recursos que seriam mais bem usados localmente. Os jornais não precisam de um crítico local de cinema porque os filmes são nacionais, e todos nós somos críticos. Os jornais não deveriam dedicar recursos às notícias pasteurizadas que já conhecemos. Eles precisam encontrar uma nova eficiência com base nos links.

O link muda a estrutura do setor. Se um jornal pretende se destacar – se quer que as pessoas encontrem seu conteúdo através de buscas e links -, precisa criar histórias com valor sem igual. Se quiserem sobreviver, os jornais devem concentrar seus recursos onde estes são importantes, direcionando os leitores a outros jornais oara que eles vejam o restante das notícias. Em resumo: faça o que você faz melhor e coloque links para o restante.

Além do caso da mídia, os varejistas deveriam colocar links para fabricantes com informações sobre os produtos. Os fabricantes devem colocar links para clientes que estão falando sobre seus produtos. Autores devem colocar links para especialistas (seria ótimo se livros aceitassem links). Caçadores de talentos, conferências, associações comerciais e universidades devem usar links para conectar pessoas que compartilham necessidades, conhecimento e interesses.

Em quase todos os setores e instituições, o link força a especialização. A ideia de fornecer um produto de tamanho único que faz tudo para todas as pessoas é vestígio de uma era de isolamento. Naquela época, os texanos não conseguiam obter notícias diretamente do The New York Times, do Guardian ou da BBC, mas hoje eles podem. Os moradores de Chicago não conseguiam comprar online na HotSauce.com. Essa mesma pressão pela especialização tem eliminando as lojas de departamento generalistas – primeiro por concorrentes de nicho nos shoppings e, agora, com varejistas online altamente focados. Servir às massas, como vamos explorar, não é mais o objetivo final das empresas. Servir a massas de nichos direcionadas – como o Google faz – é o futuro.

A especialização gerada pelo link fomenta a colaboração – eu faço o que faço e você preenche as lacunas. Isso cria novas oportunidades de organização – quando existem centenas de lojas de iluminação online ou milhares de sites sobre Paris, há a necessidade de alguém para organizá-las, linkando as melhores. E a especialização cria uma demanda por qualidade – se você quer se concentrar em um mercado ou serviço, é melhor ser o melhor para que as pessoas coloquem links para você, de modo que você suba nos resultados do Google e as pessoas possam encontrá-lo e clicar no seu site.

No varejo, na mídia, na educação, no governo e na saúde – em tudo -, o link fomenta a especialização, a qualidade e a colaboração, além de alterar os antigos papéis e criar novos. O link muda a arquitetura fundamental das sociedades e das indústrias, assim como as vigas e os trilhos de aço mudaram o modo como as cidades e nações são construídas e seu funcionamento. O Google faz os links funcionarem. A Google é a U.S. Steel da nossa época.

Folha de S.Paulo

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Lula já foi avisado de que vem Tsunami por aí. A Crise Grega virou Crise Europeia.

Mantega e Meirelles divergem sobre as consequências para o Brasil.

Mas ambos concordam que talvez sejam insuficientes os 700 bilhões de dólares separados para evitar que toda a economia europeia seja contaminada.

O presidente Lula está sendo informado diariamente pela área econômica, inclusive pessoalmente por Mantega e Meirelles sobre a crise que está sufocando a Grécia e já é considerada como a Grande Crise Europeia. Meirelles, mais pessimista, acredita que as medidas até agora adotadas são insuficientes para evitar o Tsunami que se prenuncia.

Para Mantega, mesmo que ocorra um agravamento da crise, suas repercussões no Brasil não seriam imediatas nem catastróficas e lembra que o Brasil contornou a Crise Americana, de setembro de 2008, graças, principalmente, à ampliação do mercado interno.

Lula tem comentado junto a seus auxiliares diretos que não vê saída para a crise que é mundial, enquanto Obama e Hu Jintao (presidente da China) “não sentarem para conversar”.

Para o presidente, a crise, na verdade é do dólar que não se sustenta mais como moeda universal de troca e do “engessamento” ( nos últimos 60 anos) das estruturas econômicas e da própria ONU.

Ele acredita, finalmente, que os EUA como maior devedor e consumidor do Planeta e a China como maior credor (a caminho de ser o maior produtor), são os únicos com capacidade efetiva para evitar a expansão da crise até o limite do imprevisível.

No plano interno, o presidente concorda com Mantega. Ele acredita que o Brasil não será fortemente atingido num primeiro momento e insiste na previsão de que o País crescerá mais de 6 % este ano.

Francisco Barreira/blog Fatos Novos

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Grécia e a zona do Euro

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Mundo, vasto mundo

Classificar o Brasil como “a grande esperança do Ocidente” pode soar como uma peça publicitária do ufanismo que domina hoje o governo brasileiro, mas quem o faz é o sociólogo francês Alain Touraine, que conhece muito bem o país e sabe do que está falando.

Ele fala do Estado brasileiro, não deste ou daquele governo. Não é de hoje que ele vê o Brasil como uma das grandes potenciais emergentes.

Quando me disse isso em Córdoba, onde participou do seminário da Academia da Latinidade que, dentro da perspectiva de busca de diálogo entre culturas tratou do papel dos BRICs no contexto do novo mundo multipolar, não havia ainda a reportagem da revista Time colocando Lula entre as personalidades mais influentes do mundo, mas o presidente brasileiro já havia sido indicado por diversos órgãos europeus como um dos principais líderes do mundo.

Mas já havia a crise econômica da comunidade europeia, que marca, para Touraine, a decadência da região.

Como os Estados Unidos está vivendo problemas econômicos graves que devem persistir pelos próximos anos, dos países emergentes o Brasil é o único que representa os valores ocidentais.

Os companheiros de BRICs são Rússia, Índia e China e Touraine acha que, deles, só o Brasil tem condições de exercer o papel de ligação entre os países ricos e os pobres.

A Índia poderia exercê-lo também, mas o Brasil tem presença política mais forte no cenário internacional, analisa Touraine.

Já o diretor do Instituto de Pluralismo Cultural da Universidade Cândido Mendes, Enrique Larreta, acha que é preciso cuidado ao analisar o papel do Brasil no mundo “para não se cair no ufanismo”.

Ele lembra que a América Latina não pesa no comércio mundial, ao contrário da China, e que a Europa tem economias tão poderosas quanto a da Alemanha, cujo PIB é maior do que o de toda a América Latina.

De Merval Pereira/O Globo

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Economia: Europa oferece maior risco que o Brasil

‘Risco Europa’ já é maior que o do Brasil

O crescente temor sobre a situação fiscal de vários países europeus – que voltou a castigar os mercados globais ontem -, aliado à melhora das condições macroeconômicas brasileiras nos últimos anos, transformou em realidade algo impensável há não muito tempo: os investidores temem mais um calote de Portugal, Espanha, Irlanda, Itália e Grécia do que do Brasil.

É o que revelam os dados da medida de risco mais usada no mercado global atualmente. Trata-se do prêmio expresso nas negociações de um instrumento derivativo chamado de CDS (do inglês, credit default swap). Em uma definição coloquial, o CDS pode ser traduzido como um seguro anticalote.

Exemplo prático: um banco empresta dinheiro para um país e, ao mesmo tempo, compra um CDS de um investidor. Se o tal país não honrar seu compromisso, o banco vai ao investidor cobrar o prejuízo.

No auge da crise global, em outubro de 2008, o prêmio do Brasil chegou a 355 pontos – ou seja, o investidor que comprava seguro contra eventual inadimplência brasileira pagava 3,55 pontos porcentuais a mais de juros sobre o CDS dos EUA, referência do mercado.

Na mesma época, o CDS de Portugal era de 85 pontos, da Espanha, 82, da Irlanda, 113, da Itália, 117, e da Grécia, 134 pontos. Ontem, esses valores eram, respectivamente, de 150 (Brasil), 227, 165, 169, 155 e 415 pontos (ver gráfico na pág. B4).

“Há duas explicações para a melhora do risco brasileiro em comparação com o desses países: de um lado, o Brasil saiu fortalecido da crise e tem boas perspectivas de crescimento; de outro, essas nações europeias enfrentam enorme desafio fiscal”, explicou a economista-chefe do banco ING, Zeina Latif.

Um dos efeitos da mudança é que as empresas e o governo do Brasil podem pagar menos para se financiar no exterior do que esse grupo de países, que, pelos critérios do Fundo Monetário Internacional (FMI), constituem economias avançadas.

“Isso já ocorre na prática”, disse Eduardo Nascimento, diretor do BB Securities em Londres. Segundo ele, um papel emitido pelo governo da Grécia na semana passada pagava ontem ao investidor, nas negociações de mercado secundário, juro de 7% ao ano. “Um título do Banco do Brasil com vencimento em 10 anos está pagando 6%.” Quanto maior o retorno, maior o risco da aplicação.

Em janeiro, a área do BB em que trabalha Nascimento liderou o ranking das instituições financeiras responsáveis por estruturar captações de empresas e do governo brasileiro no exterior, com US$ 3 bilhões. O especialista afirma que as perspectivas para o resto do ano são positivas, mas podem mudar se a situação na Europa continuar a se deteriorar.

Ontem, por exemplo, as bolsas mantiveram a tendência de baixa. O Ibovespa caiu 1,83%, a Bolsa de Madri perdeu 1,53%, a de Paris, 3,40% e a de Londres, 1,53%. O dólar subiu 0,37%, para R$ 1,890.

Aparentemente, o desempenho do risco brasileiro expresso nas negociações de CDS é contraditório com o que tem ocorrido na Bovespa e no mercado de câmbio. “O CDS reflete mais os fundamentos do País, enquanto a bolsa e o câmbio sofrem com a volatilidade do momento”, ponderou a professora do Instituto de Economia da Unicamp Daniela Magalhães Prates.

O economista Ricardo Amorim, da Ricam Consultoria Empresarial, não se mostra surpreso com a alteração do status relativo do Brasil frente a algumas nações europeias. “Enquanto a China e a Índia estiverem em um processo de migração das pessoas do campo para a cidade (o que deve levar mais 20 ou 30 anos), os países frágeis serão eles (ricos), não nós (emergentes)”, afirmou.

Isso porque a demanda desses dois países é por produtos exportados pelos emergentes (commodities), não pelos desenvolvidos (serviços e bens industrializados). Além disso, os produtos chineses reduziram a inflação global, o que diminuiu as taxas de juros e o custo do dinheiro (os maiores demandantes de empréstimos são os emergentes).

Nem todos são tão otimistas. O professor do Insper Marcelo Moura pondera que as contas públicas brasileiras também são frágeis e lembra que o País terá déficits crescentes na conta corrente. “O Brasil melhorou porque não sofre tanto quando há uma crise, mas ainda paga mais para rolar sua dívida interna do que esses países europeus”, disse. “Discordo desse ufanismo com o País.”

TENSÃO GLOBAL

150 pontos era o risco brasileiro ontem, expresso nas negociações do instrumento financeiro CDS.

O risco Grécia estava em 415 pontos, o de Portugal, em 227, e o da Espanha, em 165

4,03% foi a queda do Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) na semana.

Leandro Modé/Estadão
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A praga mundial que ninguém quer ver – a China do futuro e um Brasil que é o inverso na capacidade de produzir.

Luciano Pires ¹

Alguns conhecidos voltaram da China impressionados.

Um determinado produto que o Brasil fabrica um milhão de unidades, uma só fábrica chinesa produz quarenta milhões… A qualidade já é equivalente. E a velocidade de reação é impressionante.

Os chineses colocam qualquer produto no mercado em questão de semanas… Com preços que são uma fração dos praticados aqui. Uma das fábricas está de mudança para o interior, pois os salários da região onde está instalada estão altos demais: 100 dólares.

Um operário brasileiro equivalente ganha 300 dólares no mínimo. Que acrescidos de impostos e benefícios representam quase 600 dólares.

Comparados com os 100 dólares dos chineses, que recebem praticamente zero benefícios…

Hora extra? Na China? Esqueça. O pessoal por lá é tão agradecido por ter um emprego, que trabalha horas extras sabendo que nada vai receber…

Essa é a armadilha chinesa. Que não é uma estratégia comercial, mas de poder.

Os chineses estão tirando proveito da atitude dos marqueteiros ocidentais, que preferem terceirizar a produção e ficar com o que

“agrega valor”: A marca.

Dificilmente você adquire nas grandes redes dos Estados Unidos um produto feito nos Estados Unidos. É tudo “made in China”, com rótulo estadunidense.

Empresas ganham rios de dinheiro comprando dos chineses por centavos e vendendo por centenas de dólares… Mesmo ao custo do fechamento de suas fábricas. É o que chamo de “estratégia preçonhenta”.

Enquanto os ocidentais terceirizam as táticas e ganham no curto prazo, a China assimila as táticas para dominar no longo prazo.

As grandes potências mercadológicas que fiquem com as marcas, o design… Os chineses ficarão com a produção, desmantelando aos poucos os parques industriais ocidentais.

Em breve, por exemplo, não haverá mais fábricas de tênis pelo mundo…

Só na China. Que então aumentará seus preços, produzindo um “choque da manufatura”, como foi o do petróleo. E o mundo perceberá que reerguer suas fábricas terá custo proibitivo. Perceberá que se tornou refém do dragão que ele mesmo alimentou (Vale salientar que o mundo Árabe, como disse o US-Obama, é como é, graças aos petrodólares). Dragão que aumentará ainda mais os preços, pois quem manda é ele, que tem fábricas, inventários e empregos… Uma inversão de jogo que terá o impacto de uma bomba atômica… Chinesa.

Nesse dia, os executivos “preçonhentos”, tristemente, olharão para os esqueletos de suas antigas fábricas, para os técnicos aposentados jogando bocha na esquina, para as sucatas de seus parques fabris desmontados. E lembrarão com saudades do tempo em que ganharam dinheiro comprando baratinho dos chineses e vendendo caro a seus conterrâneos. .. E então, entristecidos, abrirão suas marmitas e almoçarão suas marcas.

¹ Luciano Pires é diretor de marketing da Dana e profissional de comunicação

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Bom comportamento
Luis Fernando Veríssimo ¹

O governo Lula pode parafrasear o Chico Buarque e cantar para a oposição “Você não gosta de mim mas ‘The Economist‘ gosta”. Há no reconhecimento da revista um desagravo retroativo ao PT recém-eleito, que assustava com a promessa implícita de mudar tudo na economia, correr com o neoliberalismo, desprivatizar o que tinha sido privatizado e confiscar a prataria. Os 800 mil empresários que, segundo uma previsão da época, fugiriam deste caos hoje devem estar se congratulando por terem esperado um pouquinho. O monstro não era um monstro, afinal. O monstro tinha a cara do Palocci e era social-democrata como todo o mundo. O Brasil não só não afundou como, segundo a imprensa internacional, foi quem melhor soube boiar, na crise.

Mas aprovação da “Economist” é, um pouco, como abraço do Ahmadinejad.

Pode ser conveniente e bom para a reputação ou constrangedor e estigmatizante, dependendo dos círculos em que se anda. Você tanto pode achar formidável um governo do PT ser elogiado como um exemplo de conservadorismo responsável quanto achar estranho um governo do PT, logo do PT, ser chamado por uma das principais publicações do capitalismo mundial de exemplo de conservadorismo responsável. Em certos círculos do PT a pergunta que está sendo feita deve ser: o que foi que nós fizemos de errado para merecer tamanha honra? É como receber um dez por bom comportamento quando a reputação que se quer é a de bagunceiro. Imagino que tenha gente pensando em processar “The Economist” pela reportagem difamante.

Na capa da “Economist” com o título “Brazil takes off” (o Brasil decola), o Cristo Redentor aparece subindo como um foguete para alturas ainda incalculáveis, um símbolo da nova realidade no país. No filme “2012″ o Cristo aparece desmoronando, no fim do mundo. De acordo com o filme e com as profecias, o Brasil só terá dois anos para aproveitar sua boa fortuna. Ao menos um alento para a oposição.

PS

Post-scriptum. Nunca se soube muito bem quem era o pai que não gostava do Chico, mas a filha gostava. O próprio Chico negou que fosse o presidente Geisel, cuja filha era fã do cantor. Segundo outra história, ao ser preso durante a ditadura o Chico teve que distribuir autógrafos para as filhas dos agentes que o acompanhavam — ainda no elevador.

O Globo

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Celular-transacoes-moveis-mobile-banco-contas-pagamentosTransações móveis superam serviços de localização, busca e navegação no celular entre as 10 aplicações móveis mais usadas, aponta consultoria. Transferências bancárias lideram a lista das dez aplicações móveis que serão mais populares nos próximos três anos, informou a consultoria Gartner na quarta-feira (19/11).

As transações móveis superam, por exemplo, serviços de localização, busca e navegação no celular, aponta a consultoria. O celular já tem sido usando como um meio de bancarização para países em desenvolvimento. “É uma forma de levar serviços financeiros a pessoas que não possuem conta corrente”, afirma Sandy Shen, analista responsável pela área de Dispositivos Móveis e Serviços de Consumo do Gartner.

Os pagamentos móveis (mobile payment ou m-payment) estão em sexto lugar na lista de aplicativos mais populares e serão usados tanto na inclusão de pagamentos eletrônicos nos países em desenvolvimento, como nos países desenvolvidos oferecendo mais uma conveniência, afirma Shen. Este segmento também abre caminho para a tecnologia de pagamento móvel por contato, ou Near Field Communication (NFC), que já está em uso no Japão e vem sendo testada em outros países.

O interesse em serviços de pagamento móvel é crescente em diversos países, incluindo o Brasil, onde os bancos ampliam, por exemplo, a oferta de alertas via mensagens de texto (SMS) a compras, pagamento de faturas de cartão de crédito e ao DDA (Debito Direto Autorizado).

O Banco do Brasil anunciou recentemente que está preparado para oferecer serviços de ‘SMS reverso’, assim que tiver aprovação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), prevista para o final deste ano. O serviço permite ao cliente enviar mensagens para consultar saldos, extratos ou comprar produtos do banco, como seguros, por exemplo.

A questão da segurança é o principal desafio para a ‘bancarização‘ pelo celular, ressalta o Gartner. A transmissão dos dados via redes sem fio adiciona traz um grau de risco a estas operações, em relação aos sistemas de pagamento via cartões e terminais eletrônicos portáteis, analisa Shen.

Entre as aplicações móveis que serão mais ‘quentes’ até 2010 também se destacam serviços de localização – Location-based Services (LBS) – buscas, navegação, monitoramento de saúde, publicidade, mensagens instantâneas e música.

Confira as dez aplicações que serão mais populares no celular:

1) Transferência bancária

2) Serviço de localização (Location-Based Services – LBS)

3) Buscas

4) Navegação na internet

5) Monitoramento de saúde

6) Pagamento móvel

7) Near Field Communication Services (NFC)

8) Publicidade

9) Mensagens instantâneas

10) Música

IDG Now

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Internet-da-mais-poder-a-pessoas-comuns-diz-site

Internet 'dá mais poder a pessoas comuns', diz site.

Os protestos no Irã, a campanha presidencial americana do ano passado, a abertura de capital do Google e o surgimento de sites inovadores como Twitter, Facebook e Wikipedia, estão entre os “dez momentos mais influentes” da internet na última década, segundo os organizadores do Webby Awards, um reconhecido prêmio de excelência na internet.

A lista, englobando “uma década dominada pela internet”, tem como finalidade ressaltar o caráter da rede mundial como “catalisador da mudança não apenas em todos os aspectos da nossa vida cotidiana, mas em tudo, do comércio e as comunicações à política e a cultura“.

“O tema recorrente entre todas os marcos da nossa lista é a capacidade da internet de deixar para trás sistemas antigos e colocar mais poderes nas mãos das pessoas comuns”, disse o diretor-executivo do Webby Awards, David-Michel.

O prêmio, dado desde 1996 a diversas iniciativas presentes na internet, como sites, anúncios interativos, vídeos e filmes online, é considerado uma espécie de “Oscar da internet”.

Premiações

Entre as maiores façanhas da internet nesta década esteve o desafio às mídias tradicionais, ilustrado pela expansão do site de classificados gratuito Craigslist – que “causou um frio da espinha de jornais em todos os lugares”, segundo o Webby Awards – e a possibilidade de empresas anunciarem seus produtos ao lado dos resultados das buscas através do Google AdWords.

Com 20 mil artigos em 18 línguas só no seu primeiro ano, o prêmio considerou que o lançamento da enciclopédia digital Wikipedia no ano seguinte “simbolizou o poder da internet de levar pessoas que não se conhecem em diversas partes do globo a colaborar tanto em projetos grandes e pequenos”.

O prêmio destacou ainda a capacidade do antigo Napster, um programa de compartilhamento de música fechado em 2001, de “abrir as portas” para esse tipo de prática – uma “inovação que mudou para sempre a maneira como obtemos e experimentamos música e vídeo”, disseram os organizadores.

Nos anos seguintes, o prêmio destacou a abertura de capital em bolsa da gigante de informática Google “para se tornar a mais dominante e influente companhia da década” e o avanço da tecnologia de transmissão de dados em banda-larga possibilitou o advento do vídeo na internet – uma “revolução” que “remodelou tudo, da cultura pop à política”.
Nesse campo, o prêmio destaca o uso das mídias sociais tanto no caso da campanha presidencial americana de 2008 quanto nos protestos contra as eleições iranianas neste ano.

No primeiro caso, o prêmio afirma que “a internet alterou a forma de fazer política presidencial tanto quanto a televisão havia feito 40 anos, durante a disputa Kennedy/Nixon”.

No segundo caso, os organizadores indicaram a “impossibilidade de se censurar o Twitter”, um serviço de microblogging descentralizado que acabou se tornando uma das principais fontes de informação para o mundo exterior do que ocorria dentro do Irã.

O Webby Awards também destacou a expansão do site de relacionamentos Facebook, que colocou a chamada “mídia social” no centro das atenções.

Por fim, a lista inclui o lançamento do iPhone em 2007. “Na próxima década, estima-se que um bilhão de usuários virá para a internet pela primeira vez através de serviços móveis“, diz o Webby.

DEZ ‘MOMENTOS DA INTERNET’
2000 – Site de classificados Craigslist ameaça jornais

2000 – Google barateia publicidade online com AdWords

2001 – Wikipedia é lançada

2001 – Napster inaugura compartilhamento de arquivos

2004 – Google abre seu capital

2006 – Tecnologia permite difusão do vídeo online

2006 – Facebook e Twitter ganham espaço

2007 – Apple lança iPhone

2008 – Campanha presidencial nos EUA ganha a rede

2009 – Manifestantes iranianos driblam censura usando internet

BBC Brasil

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Mais um órgão de mídia que vai remar contra a maré. O sucesso do Google é exatamente praticar o inverso. Não tentar prender o usuário entre os muros da exclusividade. O Google redireciona todo mundo que faz busca, para o destino desejado. Não tenta manter o usuário fornecendo conteúdo além do que foi buscado.

Assim forma uma plataforma de links, onde todos ganham. O usuário fica satisfeito pelo resultado da busca e essa busca realimenta o Google que se torna mais preciso e completo. Aí, o círculo se refaz.

O Editor


Jornal inglês pretende implantar tarifa em abril de 2010, em vez de junho, como anunciado; editor quer combater “cultura do grátis”.

O jornal britânico “The Times” planeja cobrar por conteúdo digital já a partir de meados de abril de 2010, informou seu editor James Harding durante um evento da indústria em Londres, nesta terça-feira (17/11).

Duas semanas atrás, o controlador do jornal, Rupert Murdoch, havia dito que a cobrança era esperada para junho.

A revelação foi feita por Harding durante sua participação na mesa redonda “Visão de 2020 – O futuro é nosso”, em congresso promovido pela Sociedade de Editores, na Inglaterra.

Cultura do grátis

“Nós precisamos superar a cultura do grátis”, disse Harding. “Nós já vimos o que a cultura do grátis fez à indústria da música. Isso Não pode acontecer com as notícias.”

Sobre o modelo de tarifa a ser adotado, Harding adiantou que a ideia é aproximar-se do preço do exemplar em banca, para acesso válido por 24 horas, com a alternativa da assinatura convencional.

Como estratégia de apoio, o “The Times” disse que prestará mais atenção aos assinantes fiéis, mediante a oferta de assinaturas com desconto e serviços de entrega diferenciados.

IDG Now

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Economia e Negócios: o Brasil na The Economist

Capa da revista The Economist sobre a economia do Brasil

Ilustrando notícias - Capa The Economist Brasil Decola Nov 2009O Brasil Decola!

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O leitor Sérgio Ribeiro, de São Paulo, perguntou num comentário postado aqui no Observatório se a avalancha informativa gerada pela internet e pela digitalização, em vez de ajudar não está complicando ainda mais a já atribulada vida do cidadão contemporâneo? Ele questiona se os mortais terão capacidade de lidar com tanto conteúdo e se na verdade não estamos criando um fantástico desperdício informativo?

Ele não é o único a se colocar a mesma dúvida e se formos ver em detalhe, é bem possível que cheguemos também à mesma pergunta.

Para encontrar uma resposta tranqüilizadora, nós teremos é que mudar o foco das nossas preocupações. Até agora, o metro usado para medir quantidades de informação era dado pela nossa capacidade de processá-la. Nós comprávamos só os livros, jornais e revistas que poderíamos ler, só ligávamos a televisão para ver os programas considerávamos interessantes, e por aí vai.

A avalancha informativa mudou os parâmetros e passou a concentrar as preocupações nas comunidades, na sociedade global. E por que isto?

Antes da revolução tecnológica, o conhecimento individual era suficiente para atender às nossas necessidades de produção de novos conteúdos informativos e alimentar a criatividade universal. Os cérebros privilegiados, os cientistas e aquelas pessoas que muitos chamam de gênios.

Mas a economia cresceu e se diversificou, passando a exigir novos conhecimentos para alimentar a cadeia da inovação. A demanda de conhecimentos superou a oferta, pressionando a busca de inovações que acabaram levando à revolução gerada pela digitalização e pela internet. A combinação de ambas liberou uma massa de informações, dados e conhecimentos nunca vista na história da humanidade.

Usando dados da pesquisa How Much Information, feita em 2002 pelos professores Hal Varian e Peter Lyman, da Escola de Sistemas e Gerência da Informação da Universidade da Califórnia (Berkeley) , seria possível estimar que, em 2008, a avalancha informativa disponibilizaria para cada ser vivo no planeta uma pilha de livros, DVDs e CDs da altura de um edifício de nove andares.

Um número como este deixa muita gente na dúvida. Primeiro se o cálculo está correto e, em segundo lugar, porque comprova uma distribuição de conhecimento muito mais desigual do que imaginamos.

A questão é que esta massa de informações é necessária para alimentar um processo de produção de conhecimentos que adquiriu também características inéditas na história da humanidade. Quando você faz uma busca no Google, cada resultado que você lê na tela resultou de vários bilhões de recombinações de informações armazenadas nos servidores do mecanismo de busca, tudo em questão de fração de segundos.

Nós ainda estamos acostumados a pensar em termos aritméticos em matéria de absorção de conhecimentos. Mas o mundo já funciona numa outra realidade movida basicamente à base de informação, quase na velocidade de luz. Sem ela, a economia moderna entraria em colapso. O sistema financeiro simplesmente desapareceria. O tráfego aéreo implodiria.

Na verdade não há desperdício informativo. Pelo contrário, a demanda continua crescendo e a oferta, também. Tomemos o caso da chamada Web social, formada pelas redes, comunidades e coletivos virtuais. A soma de todos os conhecimentos de todos os usuários das redes é essencial para produzir sistemas cada vez mais rápidos, sofisticados e personalizados.

O Orkut, Facebook e todas as demais redes virtuais na Web são gigantescas usinas de conhecimento que consomem e produzem quantidades ciclópicas da matéria prima informação. Sérgio, o meu conselho é: fica frio. A mesma angústia que estás sentindo atingiu os telespectadores quando a TV por cabo entrou no mercado, multiplicando por até 50 vezes a oferta de canais no sistema aberto. Ninguém morreu e hoje há muita gente que reclama por uma oferta mais diversificada de programas de televisão.

por Carlos Castilho/Observatório da Imprensa

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