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Lula já foi avisado de que vem Tsunami por aí. A Crise Grega virou Crise Europeia.

Mantega e Meirelles divergem sobre as consequências para o Brasil.

Mas ambos concordam que talvez sejam insuficientes os 700 bilhões de dólares separados para evitar que toda a economia europeia seja contaminada.

O presidente Lula está sendo informado diariamente pela área econômica, inclusive pessoalmente por Mantega e Meirelles sobre a crise que está sufocando a Grécia e já é considerada como a Grande Crise Europeia. Meirelles, mais pessimista, acredita que as medidas até agora adotadas são insuficientes para evitar o Tsunami que se prenuncia.

Para Mantega, mesmo que ocorra um agravamento da crise, suas repercussões no Brasil não seriam imediatas nem catastróficas e lembra que o Brasil contornou a Crise Americana, de setembro de 2008, graças, principalmente, à ampliação do mercado interno.

Lula tem comentado junto a seus auxiliares diretos que não vê saída para a crise que é mundial, enquanto Obama e Hu Jintao (presidente da China) “não sentarem para conversar”.

Para o presidente, a crise, na verdade é do dólar que não se sustenta mais como moeda universal de troca e do “engessamento” ( nos últimos 60 anos) das estruturas econômicas e da própria ONU.

Ele acredita, finalmente, que os EUA como maior devedor e consumidor do Planeta e a China como maior credor (a caminho de ser o maior produtor), são os únicos com capacidade efetiva para evitar a expansão da crise até o limite do imprevisível.

No plano interno, o presidente concorda com Mantega. Ele acredita que o Brasil não será fortemente atingido num primeiro momento e insiste na previsão de que o País crescerá mais de 6 % este ano.

Francisco Barreira/blog Fatos Novos

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Grécia e a zona do Euro

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Nem tanto ao céu, nem tanto à terra
por
Raquel Balarin ¹/Jornal VALOR

Empresário Eike Batista faz questão de ressaltar que está totalmente alinhado à atual política do governo Lula

Nas lojas GAP em Nova York, há um corner descolado das Havaianas. Em lojas e restaurantes da cidade, vendedores e atendentes falando português. Entre investidores altamente qualificados, um grande interesse pelo Brasil, um entusiasmo com o crescimento da economia e com a forma menos turbulenta como o país atravessou a crise. Todo esse frenesi poderia indicar que o Brasil resolveu todos os seus grandes problemas e que passou, finalmente, ao primeiro time. Uma entrevista dada esta semana a jornalistas estrangeiros pelo empresário Eike Batista, controlador do grupo EBX, em Nova York, mostrou, entretanto, como essa euforia tem mascarado desconfianças, preconceitos e temores em relação ao país.

Entre os temores estão a ainda forte dependência da economia brasileira do mercado de commodities, e, por consequência, do consumo do mercado chinês, hoje o grande comprador de matérias-primas de todo o mundo. Teme-se ainda a relação do Brasil – governo e setor privado – com regimes autoritários, como é o caso da própria China e também do Irã, as políticas que estabelecem percentuais mínimos de conteúdo nacional em grandes projetos, que são muitas vezes comparadas às políticas protecionistas de antigos governos, e a informalidade e sonegação de impostos.

“Muitos ainda têm uma visão do Brasil da década de 80″, desabafou Eike depois de um de seus encontros, visivelmente contrariado com algumas das perguntas. Palestrante principal do evento “Invest in Rio“, promovido em Nova York pelo Valor e pelo jornal americano “The Wall Street Journal”, o empresário praticamente deixou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no chinelo ao assumir o papel de grande defensor do país. A uma plateia de investidores, disse ser um “soldado” a serviço do Brasil, depois de explicar como já havia feito negócios em todo o mundo – do Chile à Rússia, passando pela Grécia e República Tcheca – até se dar conta, no ano 2000, de que a grande oportunidade para empreendimentos de recursos naturais estava no Brasil.

Com um tom para lá de ufanista, ele fez elogios ao surgimento de uma nova e séria classe política no país, destacou que os grandiosos investimentos de infraestrutura feitos na década de 70 contribuíram para a formação de profissionais com alto grau de conhecimento no segmento e fez questão de frisar que o consumo doméstico é o grande motor de crescimento do Brasil, em uma tentativa de relativizar a dependência do país às commodities.

No quesito diversificação e modernização da produção brasileira, o empresário faz questão de ressaltar que está totalmente alinhado à atual política do governo Lula. Defende as exigências de até 70% de conteúdo nacional (para a produção de navios e plataformas de petróleo, por exemplo), dizendo que com os 30% restantes pode adquirir a melhor tecnologia disponível no mundo, firmando acordo de transferências desse conhecimento. “É o que todos os países estão fazendo hoje. Por que não o Brasil?”, questiona.

Também mostra sincronia com o governo petista ao ressaltar que, em suas negociações com os chineses, têm dito que para cada três toneladas de minério de ferro vendidas, uma delas deve ficar no Brasil, para ser transformada em aço. “É assim que podemos deixar de ser exportadores de commodities”, explicou. Desde o início da gestão Lula, o governo vem insistindo com as mineradoras – em especial, a Vale do Rio Doce – para que invistam em siderúrgicas, agregando valor ao minério produzido no Brasil.

Eike adota um tom exageradamente otimista ao falar de Brasil. Por outro lado, um arsenal de críticas e preconceitos também parece não fazer jus à evolução vivida pelo país nos últimos 16 anos. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra. O bom-senso indica que deveríamos seguir o caminho do meio. O otimismo e a euforia com o país não devem nos cegar em relação ao que ainda precisa ser feito, da mesma forma como esse hábito de criticar o Brasil e de desvalorizá-lo não deve nos impedir de admitir que o Brasil de hoje é, de fato, um novo país.

O arcabouço institucional é mais sólido, o acesso à educação, mais abrangente, a democracia está consolidada e o Brasil goza da confiança do mercado financeiro internacional. Não seria uma boa hora para uma reforma política ou um arranjo decente para o nosso intrincado sistema tributário? O próximo presidente poderia aproveitar os bons ventos para arrumar ainda mais a casa. Atitudes assim ajudariam a enterrar de vez aquela imagem do Brasil na década de 80.

¹ Raquel Balarin é diretora de Conteúdo Digital
E-mail: raquel.balarin@valor.com.br

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A crise imobiliária nos USA

Reflexos da crise imobiliária nos Estados Unidos

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Brasil: da série “Acorda Brasil”!

Novo Honda City brasileiro, preço de envergonhar…

O novo Honda city Brasileiro e vendido no México com preço inicial de R$ 25.800,00 se é fabricado no Brasil, como e possível?

No México já vem na versão mais básica com freios abs e airbags, enquanto que no Brasil a versão de entrada sem abs tem preço inicial de R$56.210,00!!!

Se o carro é fabricado em Sumaré/SP como pode ser vendido por menos da metade do preço em outro país e ainda dar lucros???

É só entrar no site americano da Toyota, Mitsubishi, Honda, e etc., que perceberá a diferença de preços.

Um Honda Civic custa lá fora 16 mil dólares, e aqui no Brasil custa 67 mil reais.

Como pode uma coisa dessas?

Tem uma explicação lógica.

Com o dinheiro desses impostos que são pagos aos políticos, pois para sustentar UM deputado federal é necessário 10.4 milhões de reais por ano.

Agora você faça a multiplicação por 513 (que é o número de deputados federais), e se quiser ir em frente, pegue o número de deputados estaduais, senadores, ministros, mais de 40 mil vereadores, e milhões de assessores.

O Brasil tem o congresso mais caro do mundo, e para sustentar tudo isso, essa vagabundagem toda, o brasileiro tem que pagar mais impostos…

Não é revoltante?

Mas o povinho esta mais preocupado com o futebol, pagode, samba, carnaval, BBB e outros lixos.

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Economia: Europa oferece maior risco que o Brasil

‘Risco Europa’ já é maior que o do Brasil

O crescente temor sobre a situação fiscal de vários países europeus – que voltou a castigar os mercados globais ontem -, aliado à melhora das condições macroeconômicas brasileiras nos últimos anos, transformou em realidade algo impensável há não muito tempo: os investidores temem mais um calote de Portugal, Espanha, Irlanda, Itália e Grécia do que do Brasil.

É o que revelam os dados da medida de risco mais usada no mercado global atualmente. Trata-se do prêmio expresso nas negociações de um instrumento derivativo chamado de CDS (do inglês, credit default swap). Em uma definição coloquial, o CDS pode ser traduzido como um seguro anticalote.

Exemplo prático: um banco empresta dinheiro para um país e, ao mesmo tempo, compra um CDS de um investidor. Se o tal país não honrar seu compromisso, o banco vai ao investidor cobrar o prejuízo.

No auge da crise global, em outubro de 2008, o prêmio do Brasil chegou a 355 pontos – ou seja, o investidor que comprava seguro contra eventual inadimplência brasileira pagava 3,55 pontos porcentuais a mais de juros sobre o CDS dos EUA, referência do mercado.

Na mesma época, o CDS de Portugal era de 85 pontos, da Espanha, 82, da Irlanda, 113, da Itália, 117, e da Grécia, 134 pontos. Ontem, esses valores eram, respectivamente, de 150 (Brasil), 227, 165, 169, 155 e 415 pontos (ver gráfico na pág. B4).

“Há duas explicações para a melhora do risco brasileiro em comparação com o desses países: de um lado, o Brasil saiu fortalecido da crise e tem boas perspectivas de crescimento; de outro, essas nações europeias enfrentam enorme desafio fiscal”, explicou a economista-chefe do banco ING, Zeina Latif.

Um dos efeitos da mudança é que as empresas e o governo do Brasil podem pagar menos para se financiar no exterior do que esse grupo de países, que, pelos critérios do Fundo Monetário Internacional (FMI), constituem economias avançadas.

“Isso já ocorre na prática”, disse Eduardo Nascimento, diretor do BB Securities em Londres. Segundo ele, um papel emitido pelo governo da Grécia na semana passada pagava ontem ao investidor, nas negociações de mercado secundário, juro de 7% ao ano. “Um título do Banco do Brasil com vencimento em 10 anos está pagando 6%.” Quanto maior o retorno, maior o risco da aplicação.

Em janeiro, a área do BB em que trabalha Nascimento liderou o ranking das instituições financeiras responsáveis por estruturar captações de empresas e do governo brasileiro no exterior, com US$ 3 bilhões. O especialista afirma que as perspectivas para o resto do ano são positivas, mas podem mudar se a situação na Europa continuar a se deteriorar.

Ontem, por exemplo, as bolsas mantiveram a tendência de baixa. O Ibovespa caiu 1,83%, a Bolsa de Madri perdeu 1,53%, a de Paris, 3,40% e a de Londres, 1,53%. O dólar subiu 0,37%, para R$ 1,890.

Aparentemente, o desempenho do risco brasileiro expresso nas negociações de CDS é contraditório com o que tem ocorrido na Bovespa e no mercado de câmbio. “O CDS reflete mais os fundamentos do País, enquanto a bolsa e o câmbio sofrem com a volatilidade do momento”, ponderou a professora do Instituto de Economia da Unicamp Daniela Magalhães Prates.

O economista Ricardo Amorim, da Ricam Consultoria Empresarial, não se mostra surpreso com a alteração do status relativo do Brasil frente a algumas nações europeias. “Enquanto a China e a Índia estiverem em um processo de migração das pessoas do campo para a cidade (o que deve levar mais 20 ou 30 anos), os países frágeis serão eles (ricos), não nós (emergentes)”, afirmou.

Isso porque a demanda desses dois países é por produtos exportados pelos emergentes (commodities), não pelos desenvolvidos (serviços e bens industrializados). Além disso, os produtos chineses reduziram a inflação global, o que diminuiu as taxas de juros e o custo do dinheiro (os maiores demandantes de empréstimos são os emergentes).

Nem todos são tão otimistas. O professor do Insper Marcelo Moura pondera que as contas públicas brasileiras também são frágeis e lembra que o País terá déficits crescentes na conta corrente. “O Brasil melhorou porque não sofre tanto quando há uma crise, mas ainda paga mais para rolar sua dívida interna do que esses países europeus”, disse. “Discordo desse ufanismo com o País.”

TENSÃO GLOBAL

150 pontos era o risco brasileiro ontem, expresso nas negociações do instrumento financeiro CDS.

O risco Grécia estava em 415 pontos, o de Portugal, em 227, e o da Espanha, em 165

4,03% foi a queda do Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) na semana.

Leandro Modé/Estadão
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A praga mundial que ninguém quer ver – a China do futuro e um Brasil que é o inverso na capacidade de produzir.

Luciano Pires ¹

Alguns conhecidos voltaram da China impressionados.

Um determinado produto que o Brasil fabrica um milhão de unidades, uma só fábrica chinesa produz quarenta milhões… A qualidade já é equivalente. E a velocidade de reação é impressionante.

Os chineses colocam qualquer produto no mercado em questão de semanas… Com preços que são uma fração dos praticados aqui. Uma das fábricas está de mudança para o interior, pois os salários da região onde está instalada estão altos demais: 100 dólares.

Um operário brasileiro equivalente ganha 300 dólares no mínimo. Que acrescidos de impostos e benefícios representam quase 600 dólares.

Comparados com os 100 dólares dos chineses, que recebem praticamente zero benefícios…

Hora extra? Na China? Esqueça. O pessoal por lá é tão agradecido por ter um emprego, que trabalha horas extras sabendo que nada vai receber…

Essa é a armadilha chinesa. Que não é uma estratégia comercial, mas de poder.

Os chineses estão tirando proveito da atitude dos marqueteiros ocidentais, que preferem terceirizar a produção e ficar com o que

“agrega valor”: A marca.

Dificilmente você adquire nas grandes redes dos Estados Unidos um produto feito nos Estados Unidos. É tudo “made in China”, com rótulo estadunidense.

Empresas ganham rios de dinheiro comprando dos chineses por centavos e vendendo por centenas de dólares… Mesmo ao custo do fechamento de suas fábricas. É o que chamo de “estratégia preçonhenta”.

Enquanto os ocidentais terceirizam as táticas e ganham no curto prazo, a China assimila as táticas para dominar no longo prazo.

As grandes potências mercadológicas que fiquem com as marcas, o design… Os chineses ficarão com a produção, desmantelando aos poucos os parques industriais ocidentais.

Em breve, por exemplo, não haverá mais fábricas de tênis pelo mundo…

Só na China. Que então aumentará seus preços, produzindo um “choque da manufatura”, como foi o do petróleo. E o mundo perceberá que reerguer suas fábricas terá custo proibitivo. Perceberá que se tornou refém do dragão que ele mesmo alimentou (Vale salientar que o mundo Árabe, como disse o US-Obama, é como é, graças aos petrodólares). Dragão que aumentará ainda mais os preços, pois quem manda é ele, que tem fábricas, inventários e empregos… Uma inversão de jogo que terá o impacto de uma bomba atômica… Chinesa.

Nesse dia, os executivos “preçonhentos”, tristemente, olharão para os esqueletos de suas antigas fábricas, para os técnicos aposentados jogando bocha na esquina, para as sucatas de seus parques fabris desmontados. E lembrarão com saudades do tempo em que ganharam dinheiro comprando baratinho dos chineses e vendendo caro a seus conterrâneos. .. E então, entristecidos, abrirão suas marmitas e almoçarão suas marcas.

¹ Luciano Pires é diretor de marketing da Dana e profissional de comunicação

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Delfim Neto: economia do Brasil em 2010

2010: sem choro nem vela…
Antonio Delfim Netto ¹ – VALOR

Hoje, todos sabemos que as “expectativas” formadas pelos agentes econômicos com relação à boa governança e à política econômica (fiscal, monetária e cambial) executadas pelo governo, são a base fundamental para o seu sucesso e o consequente crescimento robusto do PIB com equilíbrio interno e externo. Com relação à política monetária, isso foi aprendido mais cedo. Lentamente, os bancos centrais tiveram de deixar de ser o “templo dos segredos” (sacerdotes possuidores de uma “ciência oculta”) para se transformarem em instituições cuja independência, transparência e previsibilidade deveria dar-lhes a “credibilidade”. Esta seria capaz de induzir o setor privado e o governo a coordenar suas “expectativas” sobre a taxa de inflação, sob pena de verem frustrados seus objetivos:

1) se os sindicatos tentassem obter aumentos do salário real acima da produtividade, usando o poder de qualquer natureza (o poder de monopólio consentido pelo Estado ou escassez de mão de obra etc.), um aumento da taxa de juro real reduziria a taxa de crescimento do PIB e produziria desemprego;

2) se os empresários, usando o poder econômico (permitido pela falta de controle concorrencial por parte do Estado ou o excesso de demanda), tentassem um aumento da sua margem de lucro, um aumento da taxa de juros real cortaria a demanda e lhes imporia prejuízos;

3) se o Estado produzisse déficits, ele teria que colocar papéis da dívida publica (porque o Banco Central não pode financiá-lo diretamente) e a taxa de juro real aumentaria, porque o Banco Central se recusaria a financiá-lo indiretamente comprando-os à taxa de juro real vigente. Isso produziria: a) um aumento da relação dívida/PIB; b) um aumento das despesas de juros (e, logo, o corte do investimento público, o que reduziria a produtividade do setor privado); e, ainda por cima, c) uma redução do ritmo de crescimento do PIB, que levaria a uma queda da receita; e, finalmente;

4) a elevação da taxa de juro real tenderia a produzir (quando há liberdade de movimento de capitais), uma sobrevalorização cambial que desarticularia o setor exportador e reduziria, ainda mais, o crescimento do PIB.

Essas considerações sugerem que a política fiscal e a monetária têm um alto grau de dependência recíproca e devem, portanto, ser fortemente coordenadas. A estabilidade não pode ser obtida pela boa execução de apenas uma delas. Isso recomenda que a política fiscal tenha a mesma transparência da política monetária. Neste caso, a transparência é o respeito absoluto às boas práticas contábeis que, conhecidas pelos agentes econômicos, os leva a aceitar a honestidade do registro e os ajuda a formar a “expectativa” sobre o futuro da taxa de inflação e das despesas públicas.

É preciso lembrar dois fatos: 1) que as “expectativas” da taxa de inflação são o mais poderoso ingrediente da inflação realizada. Se a política fiscal não tem transparência, aquela “expectativa” se deteriora e a inflação esperada para amanhã se realiza hoje; e 2) que a resposta do Banco Central, para ser efetiva, tem que elevar a taxa de juros real, isto é, tem que aumentar a taxa de juro nominal mais do que aumento “esperado” (para amanhã) da taxa de inflação.

Um dos grandes avanços da transparência da política fiscal nos últimos 15 anos foi a consolidação das dívidas estaduais e municipais e a promulgação da Lei de Responsabilidade Fiscal. O ano de 2009 foi ano atípico – a transparência fiscal foi emasculada (não sem razão), para a superação da crise financeira que importamos. Esse comportamento (contabilidade imaginativa) tende a dissociar a evolução da dívida líquida/PIB do da dívida bruta/PIB, o que não é nada recomendável. Uma dessas irresponsáveis agências de risco, cuja sapiência é sempre “a posteriori”, pode um dia destes fazer a graça de rebaixar o nosso “rating” e causar muita confusão.

Para o bom funcionamento da economia nos próximos anos é fundamental impedir qualquer “aperfeiçoamento” da Lei de Responsabilidade Fiscal, “objeto do desejo” de alguns parlamentares para atender seus prefeitos e governadores. Por outro lado, é imperioso eliminar os desvios impostos pelas dificuldades de 2009, que começaram a levantar dúvidas sobre a política fiscal.

Felizmente, uma excelente entrevista sobre esse assunto, concedida pelo competente Secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, ao “O Estado de S. Paulo” (9 de janeiro de 2010, pág. B4), é tranquilizadora a esse respeito. A orientação da política fiscal dada pelo presidente Lula, disse ele, é voltar ao normal depois do anticiclismo de 2009. Em 2010, vamos voltar ao normal, porque é o “adequado”. Para este ano, o objetivo (não a promessa) é produzir um superávit primário de 3,3% do PIB, sem choro nem vela…

¹ Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento.
E-mail contatodelfimnetto@terra.com.br
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Varejo americano usou Twitter e Facebook para anunciar promoções na Black Friday

Como de praxe, os varejistas americanos não pouparam os consumidores da enxurrada de anúncios de promoções para a tradicional queima de saldo da sexta-feira após o feriado de Ação de Graças, conhecida como Black Friday . Até aí nada de novo. O que mudou, como revela matéria publicada no site do jornal britânico Finnancial Times, foi o tipo de mídia escolhida para veicular as propagandas. Este ano, os varejistas reforçaram sua estratégia de comunicação aos consumidores com uma poderosa aliada: a internet, através das mídias sociais.

Target, Walmart, Macy´s, entre outras, usaram Facebook e Twitter para anunciar descontos de produtos, o que geralmente é feito no dia anterior nos jornais. A ideia era atingir com mais rapidez os 134 milhões de americanos aguardados nas lojas, de acordo com a estimativa da Federação Nacional da Rede Varejista dos Estados Unidos.

“Este é o primeiro ano que as mídias sociais estão realmente sendo usadas como um importante veículo de marketing pelas lojas não-virtuais ”

Brad Smith, responsável pelo relacionamento de mídias sociais da Best Buy – outra das mais tradicionais redes americanas – disse que a rede de aparelhos eletrônicos tem mais de 1 milhão de fãs no Facebook, o que motivou a empresa a usar a mídia social pela primeira vez para veicular as ofertas da Black Friday.

- Nós liberamos os negócios pelo Facebook às 2h da manhã do último sábado e, mesmo àquela hora, tivemos literalmente mil atendimentos em uma ou duas horas – disse Smith.

Best Buy também está usando pela primeira vez o Twitter para fazer publicidade das ofertas do dia, durante as corridas para as liquidações de Natal.

- Este é o primeiro ano que as mídias sociais estão realmente sendo usadas como um importante veículo de marketing pelas lojas não-virtuais – acrescentou Smith.

Outras redes como Target, JC Penney, American Eagle e Nordstrom também pretendem usar o Twitter para atrair consumidores às suas respectivas lojas. Além disso, mais de uma dúzia das maiores varejistas devem lançar sites de comércio eletrônico personalizados antes dos feriados.

Confira imagens da Black Friday

Ao lado da estratégia tradicional de “compre um leve o segundo de graça”, outras estratégias menos convencionais foram sendo anunciadas, como as lojas que tiveram a abertura antecipada ou que pretendiam abrir à meia-noite pela primeira vez, como a Toys R Us ou que acabaram abrindo ao meio-dia ainda no dia de Ação de Graça, como Old Navy e Gap.

A Toys R Us ainda usou o as mídias sociais para atrair mais clientes, garantindo aos 100 primeiros da fila fora de suas lojas a oportunidade de comprar um Zhu Zhu, um hamster de estimação robótico e um dos brinquedos de maior sucesso da estação – por apenas US$ 10.

Mas a atividade dos revendedores e suas promoções não refletem tanto desespero quanto as do ano passado. Depois da crise desencadeada em setembro do ano passado, os estoques estavam altíssimos e a intenção de compra dos americanos, baixíssima.

Este ano, mais precavidos e com o nível dos estoques 10% mais baixo que em 2008, os varejistas não quiseram gastar tanto com propaganda. O que pode explicar também o uso mais intenso das mídias sociais.

O Globo OnLine

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Empréstimo pessoal – Saiba o que é

Especial sobre Financiamentos
O que são os Financiamentos? – Clique AQUI
Quais são os problemas comuns existentes nos contratos de financiamento? – Clique AQUI

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Bom comportamento
Luis Fernando Veríssimo ¹

O governo Lula pode parafrasear o Chico Buarque e cantar para a oposição “Você não gosta de mim mas ‘The Economist‘ gosta”. Há no reconhecimento da revista um desagravo retroativo ao PT recém-eleito, que assustava com a promessa implícita de mudar tudo na economia, correr com o neoliberalismo, desprivatizar o que tinha sido privatizado e confiscar a prataria. Os 800 mil empresários que, segundo uma previsão da época, fugiriam deste caos hoje devem estar se congratulando por terem esperado um pouquinho. O monstro não era um monstro, afinal. O monstro tinha a cara do Palocci e era social-democrata como todo o mundo. O Brasil não só não afundou como, segundo a imprensa internacional, foi quem melhor soube boiar, na crise.

Mas aprovação da “Economist” é, um pouco, como abraço do Ahmadinejad.

Pode ser conveniente e bom para a reputação ou constrangedor e estigmatizante, dependendo dos círculos em que se anda. Você tanto pode achar formidável um governo do PT ser elogiado como um exemplo de conservadorismo responsável quanto achar estranho um governo do PT, logo do PT, ser chamado por uma das principais publicações do capitalismo mundial de exemplo de conservadorismo responsável. Em certos círculos do PT a pergunta que está sendo feita deve ser: o que foi que nós fizemos de errado para merecer tamanha honra? É como receber um dez por bom comportamento quando a reputação que se quer é a de bagunceiro. Imagino que tenha gente pensando em processar “The Economist” pela reportagem difamante.

Na capa da “Economist” com o título “Brazil takes off” (o Brasil decola), o Cristo Redentor aparece subindo como um foguete para alturas ainda incalculáveis, um símbolo da nova realidade no país. No filme “2012″ o Cristo aparece desmoronando, no fim do mundo. De acordo com o filme e com as profecias, o Brasil só terá dois anos para aproveitar sua boa fortuna. Ao menos um alento para a oposição.

PS

Post-scriptum. Nunca se soube muito bem quem era o pai que não gostava do Chico, mas a filha gostava. O próprio Chico negou que fosse o presidente Geisel, cuja filha era fã do cantor. Segundo outra história, ao ser preso durante a ditadura o Chico teve que distribuir autógrafos para as filhas dos agentes que o acompanhavam — ainda no elevador.

O Globo

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