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Ao jornal argentino ‘Clarín’, FHC diz que Temer não se impôs como líder nacional terça-feira, 27 de setembro de 2016

De passagem por Buenos Aires para um encontro privado com o presidente argentino Mauricio Macri, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse, em entrevista publicada neste domingo (25) pelo jornal El Clarín, que Michel Temer, no comando do país, ainda não se impôs como um líder nacional e que seu governo precisará reverter a falta de popularidade no curto tempo que resta."PMDB se deu conta que PT estava sem rumo e se foi. A interrogação para Temer é que rumo teremos"

“(O governo Temer) não é um governo que tenha um ponto de partida popular forte, mas sim um ponto de partida do Congresso forte porque seu poder deriva da vontade dele (do Legislativo). Então, ele terá que preencher um certo vazio de popularidade e, mas que isso, de liderança. Dilma perdeu a liderança e Temer ainda não se impôs como líder nacional. Ele terá que fazê-lo, o tempo é curto e os desafios são enormes”, analisou FHC.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

“PMDB se deu conta que PT estava sem rumo e se foi. A interrogação para Temer é que rumo teremos”

Questionado pelo jornal se Temer terá a liderança necessária para comandar o país até o final de 2018, o ex-presidente tucano disse que a questão não tem relação propriamente com a popularidade, mas com o compromisso com a História.

“Ele deve falar com o país. O assunto para ele é a história, não é a popularidade. É fazer o que se requer e ter coragem para enfrentar uma situação difícil e persistir. Veja, eu fui ministro da Fazenda sendo sociólogo, e era um desconhecido, mas obtive êxito. Tudo depende das circunstâncias, que também transformam as pessoas”, afirmou.

O Clarín quis saber se Fernando Henrique acredita que Temer terá força para levar adiante algumas reformas, como a da Previdência e a trabalhista, “reformas antipáticas”, como ressaltou o jornal. Segundo FHC, governos de esquerda em todo o mundo tendem a enxergar a condição de desequilíbrio fiscal em seus respectivos países como “progressista”, mas argumentou que a questão da previdência produz desigualdades sociais entre o setor público e o privado que devem ser atacadas por Temer.

“Há uma fixação, não somente no Brasil, com a ideia de que o desequilíbrio fiscal é progressista, de esquerda, enquanto o controle fiscal é de direita. É um erro, nem de esquerda nem de direita, é um erro que deve ser corrigido. Na luta política alguns dirão que se diluíram gastos em educação e saúde. Não necessariamente. Mas dirão para conquistar a opinião pública. Enfoque o tema da previdência: os aposentados do setor privado são 25 ou 26 milhões e o orçamento é de R$ 140 milhões. No setor público são 1 milhão e há R$ 90 milhões de reais. Quer dizer: 90 mil para um milhão e 140 mil para 26 milhões. É uma grande desigualdade. Se o governo ataca essa desigualdade, as pessoas podem aceitar melhor essa mudança”, defendeu FHC.

Indagado sobre o fato de o PMDB ter ocupado a Vice-Presidência da República e depois ter rompido com o próprio governo de Dilma Rousseff, Fernando Henrique justificou a ruptura: “O PMDB também esteve comigo, com o Lula e com Sarney”.

“A verdade é que Temer se distanciou da orientação de Dilma a partir de um certo momento. O PT, certamente, havia logrado uma espécie de hegemonia sobre o conjunto de partidos. Desde a Constituinte de 1988 o sistema político brasileiro contempla dois partidos com certa capacidade de liderança, o PT e o PSDB, e outro que estabiliza, que é o PMDB. Quando esses partidos obtêm apoio da opinião pública e a situação vai bem, como foi com o boom das commodities que beneficiou Lula, então a coisa funciona. E quando não, se perde o rumo. Foi o que aconteceu. O PMDB se deu conta que o PT estava sem rumo e se foi. A interrogação para Temer é que rumo teremos”.
JB

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José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração e bacharelando em Direito. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, Usa. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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