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A Era da Pós Verdade

Nada é o que Parece

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A era da pós- verdade anunciada pela revista britânica The Economist pode ser traduzida pela era da mentira, principalmente nesses tempos eleitorais onde o jato lava tudo e todos. O triplex de Guarujá não pertence a Lula e os bens armazenados ganhos durante a presidência, pagos pela OAS, eram “bugingangas”. Os processos nos quais Lula foi incriminado são pura perseguição.

As contas de Eduardo Cunha na Suíça nunca foram dele. Nenhum dos apanhados por Sérgio Moro sabia de nada e só um dos bens levados a leilão dentro da Lava Jato, uma lancha do Paulo Roberto Costa, dos primeiros delatores da Operação, está avaliada entre R$3 milhões e R$ 785 mil. Uma tela que pertenceu ao banqueiro Edemar Cid Ferreira , agora envolvido no imbróglio do Lava Jato, foi vendida em Londres por 10,565 milhões de libras .

Marcelo Crivella tem 52% das intenções de voto no Rio e deverá vencer o segundo turno dizendo que não quer acordos e omitindo seu tio , o bispo Edir Macedo , mas por baixo do pano costura acordos com a centro direita, e com a Igreja Universal. O adversário Marcelo Freixo, com 25% das intenções de voto, fez uma campanha xôxa até agora parecendo que não queria vencer, o olho está pregado no governo do Rio em 2018. Nesse jogo cruzado, o candidato do PSOL recolhe votos de quem ganha mais de 10 salários mínimos enquanto Crivella , forte na periferia, angaria votos na zona sul.

Fernando Haddad , prefeito petista de São Paulo eleito pela classe média e derrotado pelos mais pobres, atua fortemente nos seus últimos meses, não para fechar o ano bem , mas para mirar o governo em 2018 e encher o buraco do PT implodido. João Dória, rico, eleito na periferia onde o PT perdeu, não governará por ele mas para eleger presidente seu padrinho , Geraldo Alckmin. Alckmin é só governador de São Paulo mas está de olho em 2018 e, na costura do plano, ameaça dar apoio na Câmara a um nome anti-Aécio, seu provável adversário.

A Primeira Dama paulista Bia Doria desfila no seu Porsche Cayenne mas se sente uma Evita Peron, “sou mais do povo, me sinto do povo”. ” Quem sabe um dia todos vão poder usar Ralph Laren?” diz Doria. Doria é mais político e marqueteiro que qualquer outro mas venceu as eleições se autointitulando gestor.

A mulher de Temer, Marcela, elevada por força das aparências políticas à condição de gerente do projeto Criança Feliz, fez um discurso que não teria escrito, e resume que só quer fazer uma criança feliz , sem explicar qual.

Hecatombe econômica anunciada

Os brasileiros ficarão mais pobres nos próximos anos engordando as classes C e D — mas votam nos candidatos mais ricos. Os políticos investigados pela Lava Jato não usaram o próprio nome mas codinomes e até hoje os promotores procuram saber quem é “Santo” e onde fica o “CEU”.

Há uma hecatombe econômica anunciada, uma guerra de tráfico no Rio, os assaltos se avolumam em São Paulo e a aposentadoria vira uma ilusão até na média de R$1.862,00 quando a dos políticos bate nos R$14,1 mil. Mas os candidatos ao poder em 2018 ainda não se convenceram a baixar os salário dos parlamentares, fixar o teto dos gastos públicos e usar os próprios carros ou metrô para trabalhar. São caricaturas de poder , camaleões.

Quando perguntados, todos negam. E os fãs de Doria acreditam no que ele prega: se aplicar metade das propostas de campanha , São Paulo vira Manhattan. A 400 km de um Rio em tiroteio entre favelas, inadimplente , onde o tráfico manda fechar quando bem entende o comércio de Ipanema e Copacabana , e o carioca acaba acreditando que só a Igreja e a política espiritualizada salva.

Nada é o que parece, é só ler o escritor anglo-irlandês Jonathan Swift em 1733 ” A Arte da Mentira Política” ou o psicólogo espanhol José María Martinez Selva, “A Grande Mentira”. Os políticos mentem mais porque precisam seduzir as pessoas, falar de um futuro imprevisível. Mentir é a arte de convencer o povo. Também vale se orientar pelo livro “Verdades e Mentiras” , na lista da semana dos mais vendidos, de Cortella, Dimenstein , Karnal e Pondé. Ou “O Declínio da Mentira” de Oscar Wilde.

E para entender os limites do ser humano, se aprofundar no romance do argentino-canadense Albert Manguel, “Todos os Homens São Mentirosos” . Mas não é nos candidatos com tantos limites que queremos votar e deixar governar. Só que eles precisam encantar e nós precisamos acreditar em alguma coisa embora, como cantou o Nobel Bob Dylan, “só quero dizer que posso ver através de suas máscaras”.

E ainda há quem estranhe o abandono dos jovens, a brutal abstenção e a ascensão do antipolítico.

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Alberto Dines é jornalista, escritor e cofundador do Observatório da Imprensa

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