Encorajamento
Guimarães Rosa¹

Meu desejo corre a ti com velas enfunadas…
Podes dar-lhe um porto, sem nenhum receio:
ele não traz âncora…

¹ João Guimarães Rosa
* Cordisburgo, MG – 27 de junho de 1908 d.C
+ Rio de Janeiro, RJ – 19 de novembro de 1967 d.C


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Plano Nacional está comprometido com eventual desvinculação de receitas, alertam educadores em Seminário EL PAÍS.

Educação,Cesar Caligar,i,Blog do Mesquita

Cesar Callegari, conselheiro do CNE, durante evento de educação na última quinta. Bruno Sousa El País

Em dois dias de Governo interino do presidente Michel Temer já se sabe que haverá um ajuste fiscal e que pode haver a Desvinculação de Receitas da União (DRU), um mecanismo que permite gastar livremente parte do orçamento disponível, sem seguir as obrigações constitucionais de destinação de gastos.

Educação é uma das áreas obrigatórias. Os dois anúncios acenderam o alerta entre especialistas em educação, reunidos durante o “Seminário Internacional Educação para a cidadania global”, realizado pelo EL PAÍS, a Fundação Santillana e a Unesco, na última quinta-feira (12), em São Paulo.

Eles temem o distanciamento do país de concretizar as metas do Plano Nacional de Educação (PNE). Aprovado em 2014, o PNE foi criado justamente para corrigir falhas na área, melhorando a universalização da educação, e criando um plano de carreira para professores da rede pública, uma das categorias mais mal pagas do país.

“Educação não é gasto. É investimento”, defendeu Cesar Callegari, membro do Conselho Nacional de Educação (CNE). De acordo com o especialista, o já aguardado ajuste fiscal, anunciado pela equipe do presidente interino Michel Temer, e a volta da Desvinculação de Receitas da União (DRU), podem distanciar o país ainda mais de concretizar as metas do Plano Nacional de Educação (PNE). “Sobretudo em momentos de dificuldade, como agora, a educação não pode ficar a mercê, ela é um instrumento anticíclico”, complementou.

O novo ministro da Educação, José Mendonça Bezerra Filho (deputado federal pelo DEM-PE), assumiu a pasta oficialmente nesta sexta-feira, em um clima bastante tenso.

Foi recebido com vaias pelos funcionários de Cultura, pasta que foi fundida a contragosto com o MEC. Bezerra Filho foi vice-governador de Pernambuco de Jarbas Vasconcelos por sete anos, e governador por um ano, quando Vasconcelos saiu para concorrer ao Senado. É conhecido no meio político por ter arquitetado a PEC da reeleição. Na área da educação, contudo, é desconhecido da grande maioria.

Durante o evento, os educadores evitaram opinar sobre expectativas quanto a sua gestão. Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos Pela Educação, entretanto, destacou que, em sua breve passagem como governador, Bezerra Filho defendeu a educação integral em seu estado.

“Não sabemos muita coisa sobre o novo ministro, mas há esperanças. Em Pernambuco, foi um grande entusiasta da educação em tempo integral nas escolas. Mas não conheço o posicionamento dele quanto a outros temas importantes, como a base curricular nacional e a formação de professores”, afirma.

Os desafios a enfrentar são muitos. Há uma orientação clara do novo governo interino em promover um severo corte de gastos para elevar receitas e cobrir o rombo das contas públicas.

O novo ministro da educação ainda não se pronunciou a respeito de como o ajuste vai afetar a educação, mas interlocutores da equipe econômica de Michel Temer já sinalizaram que aprovação do projeto de lei que ressuscitará a DRU, extinta em dezembro de 2015, será fundamental.

Callegari acredita que a DRU é “um atentado contra as bases de financiamento da educação brasileira. Um retrocesso gravíssimo”. Priscilla Cruz concorda. “O ajuste é necessário, mas se o Brasil entende que historicamente o nosso maior erro foi o descaso com a educação, então não pode invadir o nosso orçamento”, afirma.

“Se a gente quer reduzir o tempo desta crise e evitar recessões futuras, precisamos de verdade colocar a educação como prioridade”, complementa.

Para o presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Alessio Costa Lima, caso a DRU volte, ainda que temporariamente para aliviar as contas da União, estados e municípios, as metas já estabelecidas para o Plano Nacional de Educação serão comprometidas.

“O PNE determina que a União destine gradativamente um percentual maior do PIB para a educação. Hoje, o país aplica em torno de 5% a 6% do PIB. A meta é que em 2017 chegue a 7% e, no final, em 2024, a 10%. Entendo que na crise a destinação de novos recursos é difícil, mas retirar recursos já existentes, que não são suficientes? A DRU nos preocupa porque seria um preço muito alto que o país pagaria”, conta. Lima destaca, ainda, que 39% dos investimentos em educação partem dos municípios, 41% dos estados e apenas 20% da União.

Ainda que os recursos investidos não sejam suficientes para atender todas as demandas do setor, foi possível avançar muito nos últimos anos, segundo opinião de Callegari. Dentro do CNE discute-se, em audiência pública, a criação de uma base curricular nacional comum e o redesenho das diretrizes das licenciaturas, que são a base para a formação de professores no Brasil.

“O próximo passo será discutir a ultra concentração da educação superior na mão de poucos e grandes conglomerados empresariais. Impor limites à concentração de grupos econômicos na educação, o que tem só precarizado o sistema”, conta Callegari.

“Investir não é colocar mais dinheiro a esmo. É preciso investir naquilo que é estruturante em matéria de qualidade da educação, como a carreira do professor e a infraestrutura das escolas.

O PNE defende um novo modelo de educação, que se pretende mais criativo, mais participativo, mais experimental. Esses investimentos precisam acontecer e me preocupa essa redução de verba, mesmo que temporariamente”, explica.

Uma nova educação para atender novas demandas

Não é preciso falar em cifras da educação, contudo, para chegar à conclusão de que o Brasil ainda tem muito a percorrer no âmbito da qualidade de ensino. Basta voltar à sala de aula: estudantes de diversos estados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Rio Grande do Sul estão ocupando suas escolas como forma de reivindicar diversas pautas, que vão desde a melhoria do ensino até o atendimento das necessidades mais básicas, como merenda.

De acordo com Maria Redher, coordenadora de projetos da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o movimento estudantil das ruas deixa um recado bastante claro para os gestores de políticas educativas. “A escola, da forma como está constituída, não atende mais aos interesses dos jovens”.

Alice Ribeiro, secretária-executiva do movimento pela Base Nacional Comum, lembra que em menos de três anos a pasta da educação trocou de ministro seis vezes. “Espero que o novo ministro dê continuidade aos trabalhos em curso, como o desenvolvimento da base curricular nacional, assim como fizeram os seus antecessores”, complementa.

A falta de continuidade das políticas públicas voltadas para a educação também foi apontada como um dos principais entraves do setor por Gabriel Chalita, secretário de Educação da cidade de São Paulo.

“Há dois grandes problemas. O primeiro é a falta de continuidade. Já tivemos excelentes projetos de educação que foram desprezados por questões partidárias em governos sucessórios. O segundo é que muitos gestores acreditam em milagres. Educação é um processo e demanda visão de longo prazo, não dá para criar soluções imediatas. Também precisamos envolver mais a sociedade na construção do modelo educacional que queremos. Não pode ser baixado por decreto”, destaca. Para ele, educação é a política pública mais importante, pois “resolve” todos os demais problemas, como empregabilidade e renda.

A ascensão social vivenciada nos últimos anos, que viabilizou o acesso à educação e a novas tecnologias por toda uma geração de jovens, puxou a mudança no perfil das demandas estudantis no país.

“Aprender a ler e fazer contas não é mais suficiente para viver no mundo atual. Precisamos atualizar as nossas escolas para que sejam capazes de formar cidadãos globais”, destaca Cecilia Barbieri, especialista sênior da Unesco na América Latina. Maria Rebeca Otero Gomes, coordenadora de educação da Unesco no Brasil, concorda.

“Precisamos priorizar uma educação que transcende o aprendizado em sala, que seja para toda a vida. Temos um problema sério de qualidade no Brasil, mas a tendência é que o PNE, que foi um grande avanço para o setor, possa resolver grande parte dos nossos entraves nos próximos anos”, diz.

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Arte – Pintura – Irã

Pintura de,Mohammad Hadi Fadavi,Irã
Arte,Pintura,Irã,Mohammad Hadi Fadavi,Blog do Mesquita 01


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Arquitetura – Bibliotecas

Chetham Library, Manchester, Inglaterra
Fundada em 1653 por Humphrey Chetham
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Stanley Jordan & Kevin Eubanks – Summertime


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Noam Chomsky – Frase do dia – 15/05/2016

“Se quisermos, podemos viver em um mundo de ilusão reconfortante”.
Noam Chomsky

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Dušan Simić – Versos na tarde – 14/05/2016

As Vidas dos Alquimistas
Dušan Simić ¹

O maior trabalho sempre foi o de apagar-se,
Ressurgir como algo inteiramente distinto;
O travesseiro de uma jovem apaixonada,
Uma bola de sujeira fingindo ser uma aranha.

Pretos tédios de noites chuvosas do campo
A folhear os escritos de adeptos ilustres
Oferecendo conselhos sobre como continuar a transmutação
De um figimento do tempo na eternidade.
O verdadeiro mestre, um dos do conselho,
Requer cem anos para aperfeiçoar sua arte.

Nesse ínterim, o segredinhos arcanos da frigideira,
O cheiro de azeite de oliva e alho soprando
De cômodo a cômodo vazio, a gata preta
Se esfregando na sua perna descoberta
Enquanto você hesita em ir até a luz distante
E o tilintar de copos na cozinha.

¹Dušan Simić, ou Charles Simic
*Iugoslávia, – 1938 d.C


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Marc Figueras – Arte – Pintura

“Look up there” – Marc Figueras, Óleo sobre Tela, 130×60 cm
Arte,Pinturas,Look up there,Marc Figueras,Óleo sobre Tela,130x60 cm,Blog do Mesquita


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Arquitetura – Austrália

Great Ocean Road in Fairhaven, Australia
Arquiteto: Frank Dixon
Frank Dixon,Arquitetura,EngenhariamAustrália,Blog do Mesquita 14Frank Dixon,Arquitetura,EngenhariamAustrália,Blog do Mesquita 03Frank Dixon,Arquitetura,EngenhariamAustrália,Blog do Mesquita 04Frank Dixon,Arquitetura,EngenhariamAustrália,Blog do Mesquita 09Frank Dixon,Arquitetura,EngenhariamAustrália,Blog do Mesquita 10Frank Dixon,Arquitetura,EngenhariamAustrália,Blog do Mesquita 11Frank Dixon,Arquitetura,EngenhariamAustrália,Blog do Mesquita 12Frank Dixon,Arquitetura,EngenhariamAustrália,Blog do Mesquita 08


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Temporários é? A ex-celência nos considera a todos uns imbecis? É? Então tá!
José MesquitaReforma da Previdência é prioridade do governo Temer, disse novo ministro da FazendaReforma da Previdência é prioridade do governo Temer, disse novo ministro da Fazenda


Ministro da Fazenda afirmou que presidente do BC será anunciado na segunda. 

O novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse, nesta sexta-feira (13), durante entrevista coletiva, que o governo “tem pressa” na apresentação de resultados, mas que as medidas a serem anunciadas “não podem ter a finalidade de satisfazerem uma curiosidade natural”.

Meirelles afirmou que o novo presidente do Banco Central e a nova equipe econômica serão anunciados na próxima segunda-feira (16).

“Eu sou o primeiro interessado em saber quanto tempo vamos levar para termos uma visão da nossa real situação econômica. Espero que o mais rápido possível.

Vamos procurar trabalhar intensamente, mas apresentar os resultados com segurança”, disse o ministro, se recusando a fazer uma avaliação do trabalho de Alexandre Tombini à frente do Banco Central.

“Tenho um princípio, como ex-presidente do BC, de não comentar as questões de sucessores”.

>> Meirelles não descarta volta da CPMF

>> Presidente do Banco Central será anunciado na segunda-feira, diz Meirelles

Questionado sobre reformas que virão a ser realizadas pelo novo governo, Meirelles priorizou a reforma da Previdência, “uma necessidade evidente”, segundo ele.

“Na medida em que mais importante do que alguém saber em valor de moeda de hoje qual será o benefício em alguns anos, é saber se ele receberá a aposentadoria”, completou.

“Em relação a direitos da previdência, a ideia é que se respeite direitos claramente adquiridos, apesar de que esse conceito é muito preciso e não prevalece sobre a Constituição.

O importante é preservar o maior direito do cidadão, que é o de receber a aposentadoria. Os direitos sociais serão mantidos, não há dúvidas, questão do gasto da previdência é outra coisa”, argumentou.

Meirelles disse que o nível tributário do país é elevado e que precisa ser diminuído, mas não descartou a possibilidade de que o governo não descarta a implementação de novos impostos e que o equilíbrio fiscal é prioridade.

A tentativa da presidente Dilma Rousseff de recriar a CPMF teve grande resistência no Congresso Nacional.

“O nível tributário no Brasil é elevado. Para que a economia volte a crescer de forma sustentável é importante diminuirmos o nível da tributação da sociedade. A prioridade hoje é o equilíbrio fiscal. Caso seja necessário um tributo, ele será aplicado, mas de modo temporário.

Sabemos que o nível de tributação elevado e que isso atrapalha o crescimento econômico. A meta é a diminuição do nível tributário, no entanto, vamos dar prioridade à questão da dívida pública e a seu crescimento de maneira insustentável”.
JB


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(Foto: PMDB)Não fosse o afastamento de Cunha, PMDB acumularia controle do Planalto, da Câmara e do Senado – Image copyright PMDB

O motivo era o seguinte: pela segunda vez em três eleições, a legenda decidira não lançar candidato a presidente nem a vice.

“O PMDB vive, neste momento, uma realidade paradoxal: é hoje um partido nacional – o maior e o mais forte; (…) Contudo, em que pesem tantos atributos, vive um momento ímpar de radicalização extremada do federalismo, que o impede, desde 1998, de lançar candidato próprio à Presidência da República.”

A crítica do autor da “biografia” da sigla, o ex-deputado federal mineiro Tarcísio Delgado, tinha destino. Segundo ele, lideranças que haviam aderido ao partido nas duas décadas anteriores haviam ganhado muita força e, em nome da liberdade para fazer as alianças regionais que desejassem, sustentaram a “posição surrealista” de não lançar candidato a presidente.

Uma década depois, e no ano em que completa meio século de vida, o maior partido do Brasil volta à Presidência da República pela segunda vez, novamente de forma indireta, com o afastamento de Dilma Rousseff, agora oficialmente alvo de um processo de impeachment. Mas Delgado, hoje com 80 anos, continua descontente.

(Foto: Ag. Senado)
Partido tem as maiores bancadas nas duas Casas do Congresso
Image copyright AG. SENADO

“O PMDB chega ao poder, mas é por meios travessos, que não têm nada a ver com a história do partido. Pelo contrário”, afirma o veterano à BBC Brasil. Ele trocou a sigla pelo PSB em 2012, após 46 anos de militância, devido a uma série de “desapontamentos”. Mas garante não ter mágoas.

O que levou, porém, uma legenda que nem sequer conseguia se unir em torno de um candidato a presidente a acumular agora o comando do país, as maiores bancadas da Câmara e do Senado e à liderança no número de prefeituras e governos estaduais?

Acidente ou plano?

Ex-líder na Câmara e secretário-geral do partido na época em que era chefiado por Ulisses Guimarães (1916-1992), Delgado diz que sua experiência lhe permite crer que esse predomínio alcançado pelo PMDB não foi algo planejado.

“Penso que (Temer) não chegou (ao comando do partido) com esse objetivo. Acho que não, até onde eu posso conhecer o Michel”, avalia, ao se referir à gestão de mais de uma década do presidente interino da República no partido, que presidiu até pouco tempo atrás.

O cientista político Rafael Moreira, que estuda o PMDB na USP, também não vê o momento atual como resultado de um plano ou esforço do partido em assumir o papel de protagonista.

“A estratégia do PMDB sempre foi se manter no plano de fundo da política brasileira”, afirma, ao explicar que as fortes bases regionais têm permitido à legenda sempre lançar muito mais candidatos ao Congresso Nacional do que as outras siglas e, assim, conquistar uma bancada ampla nas duas Casas.

(Foto: Tânia Rêgo/Ag. Brasil)
PMDB administra, com Eduardo Paes, a sede da Olimpíada; sigla também governa Estado do Rio – Image copyrightAG. BRASIL

“Isso faz com que o ato de governar sem o PMDB se torne muito difícil”, acrescenta, antes de citar o aparente desfecho do governo Dilma Rousseff como uma prova disso.

Na sua opinião, se houve uma estratégia para chegar ao poder, ela esteve centrada em Eduardo Cunha, presidente afastado da Câmara, e em Temer; dificilmente na legenda em si. O que deve se manter, inclusive, em 2018: para Moreira, a tendência é de que o PMDB volte à periferia.

“Nunca dá para se falar de unidade se tratando do PMDB. Não conseguiram isso nem com o Ulisses Guimarães, que era uma figura de projeção nacional do partido, tinha acabado de ser o ‘senhor das Diretas’, levou adiante o projeto da Constituinte”, recorda, ao citar a candidatura do líder peemedebista à Presidência da República, em 1989.

Ulisses terminou em 7º lugar.

Ocasionalidade?

É possível dizer, então, que todo esse poder caiu no colo do PMDB?

Para José Alvaro Moisés, cientista político e professor da USP, seria um equívoco chegar a essa conclusão.

“O PMDB consolidou uma estrutura muito forte no país, e o que está acontecendo agora é de certa maneira um resultado disso”, analisa.

Na sua avaliação, o partido “mudou sua orientação” nos últimos dois anos. Logo após a reeleição da chapa Dilma-Temer e diante do crescimento da sigla nas urnas em 2014, algumas lideranças do PMDB passaram a questionar a aliança com o PT, recorda.

“A política de aliança do PT significava ter o apoio do PMDB nas votações, mas, em casos muito raros, compartilhar decisões sobre política de Estado”, afirma.

Foto: ReutersRelação entre Dilma e Temer degringolou em 2015, abrindo espaço para rompimento – Image copyright REUTERS

Essa crítica ecoa como reclamação na famosa carta enviada por Temer a Dilma no fim do ano passado, marcando o início do rompimento da parceria.

O documento Ponte Para o Futuro, conjunto de propostas peemedebistas divulgado em outubro passado e visto como uma espécie de guia da gestão Temer, é apontado pelo professor como outro indicativo dessa mudança de rumo.

A coincidência dessa sinalização de correção nos rumos com o avanço da crise, diz, é que levou o “cavalo a passar selado” para a legenda.

‘Partido sem face’

Professor da FGV-SP, o cientista político Cláudio Couto dá um crédito bem menor ao PMDB: além de não ver um projeto deliberado para chegar ao poder, diz que oPonte Para o Futuro está longe de ser um programa para o país.

“Esse plano tem muito mais a ver com uma alternativa à falência da política econômica do governo Dilma do que ter, digamos, vida própria”, avalia.

Couto classifica o PMDB como um “partido invertebrado”, sem face clara. “Por isso, nunca conseguiu ter um candidato presidencial. Qual o projeto do PMDB para o país? Sabe-se lá o que é”, diz.

(Foto: Ag. Brasil)Veterano Pedro Simon lamenta lacuna de lideranças no PMDB
Image copyright ABR

Para o professor, essa ausência de “face” é um dos grandes riscos do governo Temer, embora ele, três vezes presidente da Câmara e há mais de uma década no comando do partido, tenha boas credenciais para articulação política – principalmente se comparado a Dilma, majoritariamente considerada inapta para tal.

“Minha dúvida é o quanto o Temer tem alguma vértebra, o quanto consegue efetivamente conduzir um governo com um mínimo de cara”, pontua.

Torcida reticente

Aos 86 anos, o ex-governador gaúcho e ex-senador Pedro Simon conta que, após ser criado como “partido de mentirinha” para passar uma ideia de que havia uma oposição à ditadura militar, o então MDB criou um programa de luta calcado na defesa de eleições diretas, da anistia, da convocação de uma assembleia constituinte e da liberdade de imprensa.

Peemedebista histórico, ele explica que aqueles tempos sombrios obrigaram a sigla a deixar a elaboração de um programa de governo para depois, ou seja, para quando eventualmente chegasse ao poder.

“A desgraça do PMDB foi o Tancredo ter morrido. E o Sarney ficou no lugar dele, pô”, brinca.

Segundo Simon, “justiça seja feita”, Sarney cumpriu todos os compromissos com a liberdade assumidos pelo partido. Mas sua forma de governar, optando por uma prioridade ao chamado “centrão”, diz, levou a um embrião do “toma lá, dá cá” dos dias atuais, provocando um racha no partido, a uma “vida difícil”.

Ele reconhece que a legenda “deixou de lado a grande luta” ao não lançar candidato a presidente desde 1998. E que hoje chega ao poder sofrendo de um “vazio de lideranças”.

(Foto: Senado)Após vitória de Tancredo nas eleições indiretas, PMDB nunca mais venceu disputa presidencial – Image copyright BBC WORLD SERVICE

O ex-senador diz esperar que Temer tenha condições de fazer o governo que “se espera que ele faça”, e aconselha que ele deixe claro seu apoio à Operação Lava Jato e adote uma política de austeridade na economia.

Tarcísio Delgado, o “ex-biógrafo” do PMDB, também diz torcer para que o presidente interino acerte e faça uma boa gestão.

Avalia, porém, ser difícil apostar em um sucesso. “O Michel está levando para o governo aquele que era o baixo clero no meu tempo na Câmara. É a ascensão do baixo clero, do centrão. Que pensa pouco e age muito em benefício próprio”, afirma.

“Não é com esse pessoal que o PMDB pensava, ou podia pensar, em assumir o governo. Não é com Geddel Vieira Lima, com Moreira Franco, com Eliseu Padilha, com (Henrique) Eduardo Alves… não é com esse pessoal”, continua, para mais tarde arrematar: “Se Ulisses Guimarães estivesse aí, isso não estaria nem acontecendo.”
Adriano Brito/BBC

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