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Albert Guinon – Frase do dia – 24/01/2015

“Pessoas que não podem suportar ficar sozinhas são, geralmente, a pior companhia.”
Albert Guinon

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Yves Bonefoy – Versos na tarde – 24/01/2015

A Murta
Yves Bonnefoy ¹

Por vezes te sabia a terra, eu bebia
Em teus lábios a angústia das nascentes
Quando brota das pedras quentes, e o verão
Dominava alto a pedra airosa e quem bebia.

Por vezes te dizia de murta e queimávamos
árvore de teus gestos todos todo um dia.
Eram fogaréus breves de uma luz vestal,
Assim eu te inventava em teus cabelos claros.

Todo um nulo verão secara-nos os sonhos,
Tolhera a voz, inchara os corpos, quebrara os ferros.
Por vezes ia rodando o leito, barca livre
Que ganha lentamente o mais alto cio mar.

¹ Yves Bonnefoy
Tours, França – 24 de junho de 1923 d.C


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A imagem aí abaixo, do twitter do recém-expurgado Xico Sá, que antes de cronista foi repórter de política da Folha, é só um dos inúmeros testemunhos sobre a  carreira de Eduardo Cunha, o homem que promete “colocar na gaveta” qualquer projeto de regulação econômica da mídia.

pccunha

Sá sabe de quem está falando.

E é por isso que, se quer seguir em frente em seu ambicioso plano de presidir um dos poderes da República, Cunha precisa que a grande imprensa sofra um processo de amnésia, que durará tanto quanto durar sua disposição de inviabilizar o governo eleito pela população.

Depois, se quiserem, devolvem-no ao lugar com um piparote.

Quem quiser conhecer o rosário de processos em que ele está envolvido, pode ler aqui a matéria do Luís Nassif, muito bem lembrada pelo Conversa Afiada.

Como hoje é sábado, opto pela mais proseada narrativa de uma reportagem do IG sobre os “60 mais poderosos” do Brasil,à qual acrescento um título ao estilo do texto.

O X-Man da maracutaia

Para os telespectadores, aquela foi apenas mais uma edição do RJ TV. Mas os colegas de Cláudia Cruz presentes na redação em 10 de abril de 2000 testemunharam o constrangimento e a contrariedade da jornalista. Naquela noite de segunda-feira, por dever de ofício, a então apresentadora da Rede Globo enfrentou o momento mais embaraçoso de sua carreira: teve de noticiar a demissão de seu próprio marido da presidência da Companhia Estadual de Habitação (Cehab) do Rio de Janeiro por denúncias de fraudes em contratos assinados em sua gestão.

Mas, não haveria de ser nada, tanto para um quanto para outro. Mais de uma década depois, Cláudia permanece submersa em conveniente, ainda que não necessariamente voluntário, anonimato em que mergulhou em 2002, quando abandonou a TV. Seu marido, por sua vez, percorreu o caminho contrário e se tornou protagonista de uma das mais impressionantes biografias da história recente da política brasileira. Em meio a sucessivos escândalos, virou, para muitos, o mais poderoso e influente parlamentar do Brasil. A trajetória de Eduardo Cunha merece muito mais do que um RJ TV.

Em um estranho metabolismo, Eduardo Cunha é capaz de transformar cada nova denúncia em nutriente político, cada ataque em massa muscular. Cunha parece ter couraça de vibranium e esqueleto de adamantium, como se saído de um quadrinho da Marvel. Sua história, no entanto, não está nos gibis, mas, sim, nas centenas de páginas de jornais, revistas e sites recheadas de escândalos envolvendo seu nome.

Fosse Brasília a Veneza dos Doges e haveria por toda a cidade Bochi delle Denuntie apinhadas de delações contra ele – os homens públicos denunciados e posteriormente condenados por corrupção eram afogados em lagos do Vêneto, prática que ficou nas enciclopédias, para alívio dos amantes do Paranoá.

Pouco antes de dirigir a Cehab, Eduardo Cunha ocupou, em 1999, a subsecretaria de Habitação do Rio de Janeiro. No início da década, mais precisamente entre os anos de 1991 e 1993, presidiu a Telerj – os cariocas mais atentos e saudosos certamente hão de lembrar que, nessa época, a maviosa voz feminina gravada no serviço 102 pertencia a Claudia Cruz, mas isso é apenas um detalhe.

Eduardo Cunha entrou oficialmente na política em 1994, quando se filiou ao então PPB. No período entre sua saída da Telerj e a indicação para a subsecretaria de Estado, o economista, com passagens pela Xerox e pela Arthur Andersen, atravessou boa parte da década batendo ponto em um escritório no número 68 da Rua Buenos Aires, no centro do Rio, em um edifício sugestivamente chamado Big.

Em sua sala, costumava acompanhar compulsivamente uma tela com gráficos e cotações da Bolsa, muitas vezes ignorando o interlocutor sentado à sua frente. Sua ascensão política se deu pelas mãos de Anthony Garotinho, de quem foi aliado fiel e hoje é inimigo figadal. Em 2001, elegeu-se deputado estadual. Ano seguinte, era escolhido para o seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados.

Uniu-se ao ex-empresário e líder evangélico Francisco Silva, filho ilustre da cidade de Cunha, em São Paulo – coincidência que virou piada surrada na boca de assessores e bajuladores de plantão. Sagrada parceria. A aproximação com comunidades pentecostais tornou Eduardo Cunha conhecido em bairros da periferia do Rio e em cidades do interior do Estado nos quais, provavelmente, ele jamais havia pisado. Desde então, a fé tem lhe garantido de 100 mil a 150 mil votos por eleição.

Os próprios adversários – alguns preferem ser chamados de inimigos mesmo – de Eduardo Cunha dão a mão à palmatória. Existem poucos parlamentares com tamanho conhecimento das avenidas e vielas do Congresso e das retas e gincanas do regimento da Casa.

Cunha sabe como adiantar ou atrasar os ponteiros de uma votação de acordo com seus interesses, que, às vezes, até coincidem com os do PMDB. Líder de um partido da base aliada, parece estar no posto apenas para lembrar que, na política, o maior rival está sempre dentro de casa; só depois é que vêm os adversários.

A cada estocada, Cunha mostra que conhece exatamente onde está cada terminação nervosa do governo, e, consequentemente, como impor ao Planalto torturantes mialgias políticas. Assim foi na MP dos Portos, quando ergueu mil e um obstáculos para a votação do projeto – o que lhe rendeu acusações de trabalhar a favor dos interesses de operadores portuários.

Eduardo Cunha está sempre muito bem posicionado, embora se tenha muito pouca clareza onde ele realmente está posicionado. Seu poder se ramifica por diversas instâncias e setores da República. Tem notória influência sobre determinados fundos de pensão e estatais, como Furnas e sua respectiva entidade de previdência privada, o Real Grandeza. Em 2007, impôs à então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, o nome do ex-prefeito do Rio Luiz Paulo Conde à presidência da subsidiária da Eletrobras.

Como relator do projeto para a prorrogação da CPMF, Cunha só deu seu parecer depois de o governo confirmar a nomeação de Conde. Quatro anos depois, foi investigado pela Controladoria-Geral da União (CGU). O órgão apontou que Furnas teria coberto prejuízos decorrentes de sua participação na construção da Usina Hidrelétrica de Serra do Facão, em parceria com a Companhia Energética Serra da Carioca II, cujos diretores seriam ligados ao deputado federal.

No ambiente parlamentar, esbanja ascendência sobre a bancada do PMDB. Mesmo os deputados que não se alinham necessariamente às suas posições temem enfrentá-lo ostensivamente, como se calculassem o risco político que tal conflito pode gerar. Nas votações mais importantes, Cunha costuma cantar com antecedência como votarão os congressistas do partido. E dificilmente erra uma nota. O líder do PMDB costuma ser rascante ao avaliar seus pares: “Se o Congresso está ruim é porque a sociedade está ruim”.

O poder de Eduardo Cunha é proporcional à poeira que ele levanta por onde passa. Parece haver um escândalo para cada pegada do deputado. Seus adversários apontam para as mais diversas feridas, soldadas a ferro e fogo em seu currículo. Ao assumir a presidência da Telerj, no governo de Fernando Collor, foi vinculado a PC Faria, tesoureiro de campanha do único presidente da República a sofrer no impeachment no Brasil.

Em 2000, a Receita Federal constatou incompatibilidades entre suas movimentações financeiras e sua declaração de Imposto de Renda. Em 2003, foi alvo de acusações de achaques a empresários do setor de combustíveis. Cunha estaria instrumentalizando a Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara para pressionar dirigentes de companhias de petróleo.

Na ocasião, o deputado baiano Nelson Pellegrino, então líder do PT, disse que havia uma “quadrilha” na comissão. Suas palavras, assim como as denúncias, foram levadas pelo vento. Em 2007, a deputada estadual Cidinha Campos o acusou de ter feito uma operação cruzada de venda e recompra de um imóvel em Angra dos Reis com o traficante colombiano Juan Carlos Abadia, preso pela Polícia Federal no mesmo ano.

No episódio do mensalão, Eduardo Cunha foi ligado a denúncias de desvio de recursos da Prece, o fundo de pensão dos funcionários da Cedae. Pouco antes, em reportagens na imprensa, foi acusado de envolvimento com o doleiro Lucio Funaro, também investigado na CPI dos Correios, durante a qual emergiu o escândalo do mensalão.

Em 2010, o nome de Eduardo Cunha caiu em novo caldeirão fervente. Após uma longa investigação da Polícia Federal foi acusado de envolvimento em um grande esquema de sonegação fiscal liderado pela Refinaria de Manguinhos, pertencente ao empresário Rogério Andrade Magro, personagem tido como controverso e supostamente ligado ao ex-ministro José Dirceu.

A quem interessar possa: em seu site oficial, Eduardo Cunha mantém uma área dedicada exclusivamente a rebater as principais denúncias que lhe são imputadas e a atacar seus detratores. Afinal, é preciso manter a fama de mau.

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Arte – Pintura – Pintores Africanos

A arte da pintora africana Charlotte Derain

Arte - Pintura Pintores Africanos Charlotte Derain Agalet et les GormidesAgalet et les Gormides – Óleo sobre tela – 1996


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Invenções idiotas – Câncer enxuto

Robert L. Stern, presidente da Zeus Corp, claro que só podia ser nos Estados Unidos, inventou(sic), em 1954, essa coisa aí com guarda chuva pra não molhar o cigarro.

Mundo Estranho Invenções Idiotas Cigarrilha com guarda chuva


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Infidelidade,Constituição Federal,Código de Hamurabi,Blog do MesquitaA Traição
O Superior Tribunal de Justiça, em Brasília, apreciará caso se não inédito, pelo menos muito peculiar.

O requerente é um marido, do interior de Minas Gerais, que depois de dezena de anos de casado, vem a saber que o filho que sua esposa terá, ou já teve, não é seu.

É do vizinho do lado. Com quem por anos a esposa mantinha relações. O marido, devidamente abandonado, pede indenização não à mulher, pela infidelidade cometida.

Mas, ao vizinho pela infidelidade provocada. Curiosa decisão. Optou por processar o vizinho e não a ex esposa. A raiva dele, era maior do que a raiva dela.

O adultério nao é mais crime, a mulher não é mais condenada em nome da moral pública. Hoje, o marido pode ser beneficiado em seu patrimônio privado.

A idéia permanece a mesma: fidelidade conjugal é obrigação legal. Será?

“Quem pode ser responsabilizado pelo fim do amor?”, pergunta a juíza Andrea Pachá, da 1ª Vara de Família de Petrópolis, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Não são poucos os que respondem como o juiz Werson Franco Pereira Rego: deve ser responsabilizado aquele que causou o dano moral. E o que é dano moral?

Para autores ilustres como Savatier, dano moral é qualquer sofrimento humano que causa dano à reputação da vitima, ao seu amor próprio, a suas afeiçoes e por aí vai. Seria, pois justamente o caso.

Mais ainda, a Constituição brasileira no seu artigo 5°, X diz que “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”. Donde, o vizinho do lado teria violado o direito a honra. Tem, pois que pagar.

No Código de Hamurabi, de 1700 antes de Cristo, a pena seria provavelmente ter metade de seu cabelo raspado. Hoje tanto, pouco importa. Raspar cabelo não é pena, é moda. Importa é o dinheiro.

É contabilizar no patrimônio do traído, o custo da traição. Há males que vem para o bem, diz o ditado popular.

Este caso revela duas tendências que crescem na sociedade de hoje. A primeira é a judicialização do afeto, ou do desafeto no caso.

A judicialização dos problemas familiares não resolvidos. Não apenas entre marido e mulher, mas também entre pai e filho. A juíza Andrea Pachá alerta sobre o crescente número de casos em que pais sem meios de se auto sustentarem vão à justiça pedir que os filhos sejam obrigados a fazê-lo.

Quase um pedido de justiça: olho por olho. É como se os deveres da paternidade como a educação, o abrigo e a alimentação, tivessem sido apenas um empréstimo ao filho, de longo prazo e exigível. Uma nota promissória assinada pelo mesmo sangue.

Nem têm sido poucos os casos em que os pais pedem que a justiça puna, prenda e tente reeducar os filhos envolvidos com drogas.

Transferindo ao estado responsabilidade que exaustos, desorientados, não podem mais assumir. O esgarçamento das relações familiares estimula a demanda pelo Judiciário.

Mas, até que ponto, pergunta, Andrea Pachá, ex-conselheira do Conselho Nacional de Justiça, os tribunais devem se transformar na arena dos ressentimentos e das mágoas e das ingratidões?

Não seria levar longe demais a ação do Poder Judiciário? Mais ainda, acrescentamos. É o juiz o profissional treinado e competente para dirimir estes problemas de inconvivência familiar?

Não estaria o Judiciário mais uma vez atuando no vácuo deixado pelo Poder Executivo em sua obrigação de prestar assistência social, educacional, de abrigo a idosos, e psicológica? Preventivos da judicialização?

A segunda tendência que este caso revela é que ao lado da judicialização vem sempre uma patrimonialização. Vem sempre a latente tendência de mercantilização das disputas familiares.

A patrimonialização dos mútuos danos afetivos. Dinheiro por laços desfeitos, pelo fim do amor. Conjugal, filial, ou familiar. Perdas, danos e compensações.

Antigamente apenas nos inventários, a judicialização do patrimônio ocorria. Briga de herdeiros. Onde a razão, sucumbe às frustrações contidas. Muita vez, diria Freud, inventários se prolongam indefinidamente como maneira errada e transversa de herdeiros continuarem juntos.

Brigando na justiça, mas continuando juntos. Hoje a judicialização começa antes do fim da família. Vivemos a época das múltiplas judicializações.

Esta patrimonialização do afeto está presente nos pactos nupciais e nos contratos privados também. No mercado conjugal e familiar regulado pela vontade prévia das partes cônjuges ou herdeiros.

É famoso o contrato de casamento entre os atores Michael Douglas e a Catherine Zeta-Jones. Lá havia uma cláusula que estabelecia se uma das partes traísse a outra no primeiro ano de casamento, teria que pagar indenização de milhões de dólares.

Seja através da regulação privada contratual, seja através da judicialização, o fato é que a patrimonialização do desamor e da insolidariedade futura é crescente.

Tudo vira mercadoria judicializável neste modelo de sociedade. Inclusive a traição.

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Humor Crítica Arca de Noé e Automóveis


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José Luis Appleyard – Versos na tarde – 23/01/2015

O tempo
José Luis Appleyard ¹

Já é ontem porém então era sempre
um trasladar de horários imutáveis.
Desde a noite ao sol.

Cada semana
era distinta e igual à seguinte.

A criança desdenhava o calendário
e seu patrão relógio era o cansaço.

Idade sem equinócios, só o tempo
de ser feliz então ignorá-lo.

Tradução de Maria Teresa Almeida Pina

¹ José Luis Appleyard
* Assunção, Paraguai – 5 de maio de 1927 d.C
+ Assunção, Paraguai – 1988 d.C


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O WhatsApp pegou todo mundo de surpresa anunciando na tarde desta quarta-feira, 21, uma versão web do seu serviço, que pode ser utilizada no PC. A correria para testar foi grande, mas uma boa parte do público teve uma surpresa negativa e não conseguiu utilizar o recurso.

Ao entrar no site do WhatsApp web, o usuário recebe um QR Code para se autenticar. Esse código precisa ser escaneado utilizando o próprio app do WhatsApp no celular, mas muitos simplesmente não conseguem achar esta ferramenta no aplicativo.

Isso acontece porque o app precisa ser atualizado antes de poder escanear o código. Alguns já receberam o udpate, mas uma boa parte ainda não recebeu a atualização.

O WhatsApp disponibiliza em seu site o APK para instalar o aplicativo no Android sem depender do Google Play. No entanto, a versão oferecida no site também está desatualizada e não ajuda em nada. Portanto, resta a quem não está conseguindo utilizar a ferramenta esperar um pouco, talvez até um dia, para que o aplicativo seja atualizado.

Mas claro que tudo isso é relativo ao Android. Há relatos de que tudo funciona bem no Windows Phone. Ele também está disponível para BlackBerry. O suporte ao iOS ainda não tem data para chegar.
Via Olhar Digital

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Teens Taking Self Portrait with Camera PhoneEstamos todos conectados. De uma forma física, eu quero dizer. A internet possibilitou encurtar tempo e espaço que conhecíamos como “real”. Algo que você diz aqui no Brasil pode ser lido por alguém no Japão no segundo em que algum conteúdo foi postado online.

Isso todo mundo já está cansado de saber, mas mesmo assim insistem em falar mal das redes sociais e afirmar como a vida era melhor antes Facebook.

Casais se separam por causa do Whatsapp, a inveja da vida alheia começa a parecer algo comum e a ideia de que não estamos vivendo algo real nos apavora. E adivinha?

Mesmo assim continuamos postando nossas fotos no Instagram com um filtro legal pra dizer onde estávamos.

Falar mal dessas redes sociais é uma forma de não saber lidar com essa nova forma de se comunicar. Achar que uma realidade virtual é menos real do que a fora do mundo online pode ser uma ilusão, porque não é como um sonho em que você vive certas coisas e depois elas não existem mais.

Nas redes sociais a vida continua bem viva e é possível trocar ideias, manter contato com velhos amigos e se apaixonar perdidamente. Se isso é irreal, então não sei o que é real. Vivem nos dizendo que temos que aproveitar mais a nossa vida off-line, mas acho que a gente já aproveita a nossa vida off-line quando tá a fim. Às vezes, a discussão no Facebook tá realmente mais interessante do que o papo furado da mesa. Vai saber…

As redes sociais são apenas novas formas de comunicação, que, claro, estão transformando o mundo e nossas relações. Mas nós as criamos. Nós é que temos a capacidade e o poder de decidir quando podemos ficar online. Nossos smartphones são realmente uma forma de dividir esse tempo, mas eu não considero isso uma coisa ruim. E alguns vão dizer: “a parte ruim é que a pessoa está lá, mas ao mesmo não está lá.

Ela está conversando com outra pessoa pelo whatsapp e não com quem está na sua frente”. De fato isso acontece, mas cabe a ela saber o momento de dividir a atenção. Ela pode estar com você e compartilhando esse momento com outra pessoa, fazendo com que a outra pessoa também faça parte do momento. E isso é mágico.

É como se a gente tivesse superado os limites da distância.Essa comunicação à distância nunca vai ser o necessário para matar a saudade, mas ajuda bastante. É uma bobagem achar que a gente vai se acostumar com isso e que as relações vão ficar mais frias. Nós é que devemos criar os limites, porque somos nós que nos comunicamos e nós que usamos todas essas ferramentas online.

Talvez a gente esteja só com medo do que essa nova forma de comunicação pode nos causar. É um novo espaço para nos comunicarmos e criamos ideias a partir daí. Estamos apenas facilitando a vida. Não há nada de irreal na vida online, por mais que afirmem que todo mundo posta só coisas boas, que querem passar a ideia de uma falsa vida e que ninguém é tão feliz assim. Mas, por que as pessoas vão postar sobre as coisas ruins?

Talvez uma pessoa querendo mostrar uma vida incrível pelas redes sociais tenha realmente uma vida incrível ou pode estar com a auto-estima tão baixa que precisa de atenção constantemente. Mas ela daria um jeito de conseguir isso mesmo fora do Instagram. Talvez fulaninho não esteja postando uma foto para mostrar que a vida dele é melhor do que a sua, mas para simplesmente compartilhar um momento com os amigos, para que, de certa forma, todos estejam conectados. Agora, você tem a capacidade de saber onde as pessoas que você conhece estão, ou o que estão fazendo.

A gente pode não falar com uma pessoas há séculos, mas sabe que ela teve neném recentemente e está feliz. Descobre que o outro amigo foi promovido, o outro encontrou o amor da vida. Às vezes, a gente nem conhece a pessoa direito, mas curte um monte de coisas engraçadas que ela posta. Você se sente mais perto de todo mundo. Agora é possível ter uma visão geral do que está acontecendo.

E algumas pessoas vão dizer que isso é ruim, porque a gente deveria estar vivendo a própria vida. Mas, sabe, uma coisa não exclui a outra. O fato de você saber o que fulaninho está fazendo não deveria interferir na sua vida de uma forma ruim. Se interfere, a culpa não é das mídias sociais.

Essa nova forma de comunicação é apenas uma expansão dos nossos conhecimentos e da nossa vivência. É um novo jeito de compartilhar tudo isso e receber mais informação em troca. A gente ainda está meio perdido, mas muita gente já criou várias coisas bacanas por causa dessa troca que a Internet nos proporciona. A gente deve encontrar formas de encaixar essa vida virtual na nossa vida off-line e construir ideias que vão além disso.

Devemos olhar para as mídias sociais como uma ferramenta e não como algo que nos aliena do mundo real ou que nos distancia das pessoas. É justamente ao contrário. Precisamos agregar. Nunca na história da humanidade tivemos tantas oportunidades escancaradas a nossa frente. Isso assusta, mas ao mesmo tempo é o que temos de mais valioso na nossa geração.

Vamos olhar para essas novas formas de comunicação como uma opção e não como um fardo da humanidade egoísta e mesquinha. Tudo que você postar ali, vai começar a fazer parte da história do mundo. Cada um usa a ferramenta da forma que lhe convém. Faça bom uso das redes sociais.
Por Marcela Picanço
Atriz, roteirista, formada em comunicação social e autora do Blog De Repente dá Certo.

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Aldous Huxley – Frase do dia – 23/01/2015

“Experiência não é o que acontece com um homem; é o que um homem faz com o que lhe acontece.”
Aldous Huxley

Pat Metheny Trio & Nils Landgren “My funny Valentine”


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