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Maria Rainha da Escócia – Versos na tarde – 25/06/2017

Amo-te
Maria I – Rainha da Escócia¹

Amo-te quanto em largo, alto e profundo
Minh’alma alcança quando, transportada,
sente, alongando os olhos deste mundo,
os fins do ser, a graça entresonhada.

Amo-te a cada dia, hora e segundo
A luz do sol, na noite sossegada
e é tão pura a paixão de que me inundo
Quanto o pudor dos que não pedem nada.

Amo-te com a dor, das velhas penas
com sorrisos, com lágrimas de prece,
e a fé de minha infância, ingênua e forte.

Amo-te até nas coisas mais pequenas,
por toda vida, e assim DEUS o quiser
Ainda mais te amarei depois da morte.

¹Esse soneto foi escrito por Maria Rainha da Escócia – * 7 ou 8 de dezembro de 1542/+8 de fevereiro de 1587, dedicada ao então seu primeiro marido Francisco II “Delfim” da França.
Também conhecida como Maria Stuart ou Maria I, foi a Rainha da Escócia de 14 de dezembro de 1542 até sua abdicação em 24 de julho de 1567. Também foi Rainha Consorte da França como esposa de Francisco II de 10 de junho de 1559 a 5 de dezembro de 1560.

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Luiz Gonzaga & Sivuca

Eita que isso aqui tá muito bom

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Brasil da série “Só dói quando eu rio”

O que dá pra rir dá pra chorar

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Smartphones facilitam roubos de carros conectados

‘Como eu poderia ter roubado meu carro antigo usando meu celular’Charles Henderson

Charles Henderson descobriu que seu smartphone podia acessar seu antigo carro Direito de imagemCHARLES HENDERSON

Charles Henderson adorava seu carro conversível, especialmente por que dava partida, trancava e destrancava o veículo pelo celular.

Era um dos primeiros modelos de veículos “conectados” que sincronizavam com smartphones.

Mas ficou espantado ao descobrir que, após vender o automóvel, ainda conseguia controlá-lo com o respectivo aplicativo em seu celular.

“Poderia descobrir onde ele está, destrancá-lo remotamente, dar partida e levá-lo embora”, conta à BBC.

Henderson, do Texas, nos EUA, é diretor da X-Force Red, um braço da IBM que testa esquemas de defesa de empresas – tanto físicas quanto digitais. “Tentamos pensar como um criminoso sem agir como um”, diz.

Por isso, antes de vender o carro a uma revendedora, ele se assegurou de efetuar a reinicialização e limpeza de qualquer dado pessoal do computador de bordo do carro. Ele não queria que o novo dono tivesse acesso ao calendário, contatos e registros de seu telefone.

Henderson comprou um novo veículo conectado produzido pelo mesmo fabricante e ficou surpreso quando notou que seu carro antigo ainda aparecia no aplicativo, junto ao novo.

“Estes dispositivos de ‘internet das coisas’ são muito inteligentes, mas não o suficiente para saber que foram vendidos”, diz.

Peugeot
O clichê moderno é que carros estão se tornando smartphones com rodas Direito de imagem GETTY IMAGES

“Informei a concessionária de automóveis, mas eles não sabiam como resolver o problema. Então fomos ao fabricante do carro e demorou para que eles levassem isto a sério. E eles notaram que é muito difícil interromper esse acesso.”

Dados pessoais deixados em dispositivos alugados ou próprios podem representar um sério risco – hackers podem ter acesso a eles e usá-los para praticar chantagem ou roubar dinheiro usando identidades clonadas.

“Quando alugam um carro, muitos motoristas sincronizam seus telefones com o bluetooth de bordo sem pensar que os dados vão permanecer no computador do carro. E eles não vão nem pensar em apagar as informações antes de devolvê-lo”, diz Henderson.

“Assim, eles podem revelar dados confidenciais corporativos ou privados involuntariamente”, acrescenta.

Protegendo dados

Ian Fogg, analista na empresa de pesquisa IHS Markit, acrescenta: “Seu smartphone é agora uma central de várias experiências, seja do seu carro conectado ou da sua casa inteligente”.

“Então é muito importante proteger seus dados, e quando vender seus bens ou dispositivos com os quais houve sincronização, esteja certo de que toda a informação pessoal foi totalmente removida”, acrescenta.

Richard Stiennon é diretor estratégico da Blancco Technology Group, companhia especializada em remoção de dados. Ele admite que é mais fácil falar do que realmente apagar os dados.

“Simplesmente entrar nas configurações do carro e deletar seu telefone da lista de dispositivos sincronizados com o bluetooth não é suficiente”, disse Stiennon.

“Isto vai impedir apenas hackers ocasionais, como o próximo locatário, de ver os dados. Uma opção melhor é substituir todas as informações do usuário ou fazer uma reinicialização de fábrica, se o seu veículo permitir isso, para garantir que os dados serão 100% apagados e não poderão ser recuperados.”

Kim Kardashian
Se celebridades como Kim Kardashian sincronizarem seus celulares com carros, os hackers poderiam acessar seus dados? Direito de imagemGETTY IMAGES

Apagar informações de um carro conectado é mais difícil do que de laptops, discos removíveis e celulares. Imagine todos os modelos de carros, com seus próprios sistemas operacionais e aplicativos, sendo sincronizados com inúmeros modelos de celulares que também têm suas próprias versões de sistemas operacionais.

Toby Poston, diretor de relações externas e de comunicação da Associação Britânica de Locação de Veículos, diz: “O indivíduo é responsável por garantir que os dados serão apagados, mas fabricantes poderiam facilitar o trabalho”.

“Nossos membros gerenciam milhões de locadoras e concessionárias de carros e gostaríamos de ver os fabricantes introduzindo um botão de ‘limpeza de dados’ para seus veículos, além de permitir que isso seja feito remotamente”, comenta.

Também há questões de segurança cibernética. “Se a rede de celular do motorista é infectada por um malware, ele poderia acessar informações privadas e copiá-las de volta para o sistema do carro”, diz Stiennon.

“Isso poderia permitir o acesso a informações confidenciais, como dados financeiros, números de identidade, usuários e senhas.”

Também é possível que um carro infectado possa contaminar o seu telefone.

Os dados compartilhados com nossos carros têm valor, e por isso existe uma briga sobre quem pode ter acesso a eles.

Stiennon cita o caso recente de três empregados da locadora Enterprise Rent-A-Car, no Reino Unido, que roubaram detalhes de dezenas de milhares de clientes da empresa e venderam as informações a escritórios de advocacia especializados em buscar indenizações por acidentes.

carro conectado
A conexão carro-celular traz várias vantagens, como fluxo constante de entretenimento e informações Direito de imagemGETTY IMAGES

Então, na próxima vez que você alugar um carro conectado, é recomendável perguntar à locadora as opções de remoção de dados que eles oferecem e se eles podem te dar uma comprovação escrita de que seus dados pessoais foram totalmente apagados.

“Quando revendi meu carro, o fabricante não se envolveu no processo”, diz Henderson, da IBM. “Embora eles estejam começando a levar a situação mais a sério, todo mundo na indústria precisa participar, não apenas as grandes empresas. As estradas são de todos.”

Um relatório sobre veículos autônomos e conectados (CAVs, na sigla inglesa) comissionado pela Sociedade de Fabricantes e Comerciantes de Motores, no Reino Unido, concluiu que “a coleta e o uso de dados de CAVs não gera grande preocupação a consumidores”.

Mas como saber se os consumidores não estão incomodados simplesmente por que não entendem ainda essas implicações?
BBC/

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Arte – Meio Ambiente – Poluição

Meu ofício é incomodar
Blog do Mesquita,Meio Ambiente,Ecologia,Desmatamento,Água,Ilustração,Ricardo BermudezIlustração de Ricardo Bermudez

Blog do Mesquita,Meio Ambiente,Ecologia,Desmatamento,Água,Ilustração,Clima,Pawel KuczynskiIlustração de Pawel Kuczynski

Blog do Mesquita,Meio Ambiente,Ecologia,Desmatamento,Água,Ilustração,Felipe GalindoIlustração de Felipe Galindo

 Ilustração de Andrei Popov

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Design – Mobiliário – Sapataria

Design – Mobiliário – SapatariaBlog do Mesquita,Design,Sapataria,MobiliárioBlog do Mesquita,Design,Sapataria,MobiliárioBlog do Mesquita,Design,Sapataria,MobiliárioBlog do Mesquita,Design,Sapataria,MobiliárioBlog do Mesquita,Design,Sapataria,MobiliárioBlog do Mesquita,Design,Sapataria,Mobiliário

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Ether moeda digital que briga com o BitCoin

O que é o ether, nova moeda virtual que cresceu 4.000% em seis meses e ameaça o bitcoinMoedas com símbolo do Ethereum

Valor do ether aumentou 4.250% desde janeiro deste ano Direito de imagemBACKYARDPRODUCTION

Se na véspera do Ano Novo você tivesse comprado um ether por US$ 8 (cerca de R$ 26), hoje você poderia vendê-lo por US$ 340 (cerca de R$ 1.135).

Até dois meses atrás, o ether era apenas uma das mais de 762 criptomoedas que circulam na web – divisas virtuais que permitem realizar operações difíceis de serem rastreadas e que podem ser trocadas por dinheiro no mundo real.

O bitcoin surgiu nos últimos anos como principal referência no mercado de moedas digitais e segue como o mais valorizado, cotado a US$ 2.693,91 (cerca de R$ 9.000) por moeda.

No entanto, não é o único que está se beneficiando da procura por criptomoedas. Basta ver o exemplo do ether.

Símbolo de bitcoin
Fatia do bitcoin no mercado passou de 91% para 39% Direito de imagemTSOKUR

Desde o início do ano, a cotação do ether aumentou 4.250%, tornando-se a segunda moeda virtual mais valorizada no mercado, de acordo com o portal de comparação de dinheiro digital CryptoCurrency Market Capitalizations.

Mas, entre tantas opções, por que escolher o ether?

Restrições de uso

Diferentemente de outras criptomoedas, o ether está ligado a uma plataforma chamada Ethereum e só pode ser usado dentro dela.

O Ethereum, lançado em agosto de 2014, é um software que deve ser baixado e permite fazer aplicações descentralizadas ou do tipo dapps – ou seja, via aplicativos que operam “exatamente como os programas, sem possibilidade de interrupção, censura, fraude ou interferência de terceiros”, nas palavras da associação suíça que regula a Fundação Ethereum.

Logo do Ethereum sobre uma cidade
Operar no Ethereum não é de graça e o preço deve ser pago em ether
Direito de imagemBYOUNGJOO

A plataforma usa a tecnologia blockchain, conhecida pela segurança e discrição.

Ambos os atributos são considerados ideais para a criação de mercados digitais.

É possível, por exemplo, dar instruções de como você deseja movimentar certos montantes, no caso do euro superar a libra, e a plataforma se encarrega de que isso aconteça sem necessidade de intervenção humana.

Ether x bitcoin

Mas operar no Ethereum não ocorre de graça e o custo deve ser pago em ether.

Cada ação que a máquina executa pelo usuário tem um preço. De acordo com a fundação, a cobrança garante que os dapps criados na plataforma sejam de qualidade.

Durante a maior parte de 2015, o valor de ether não ultrapassou US$ 1.

De volta à véspera do Ano Novo, se você tivesse analisado as cotações passadas para decidir se valia a pena comprar ether, provavelmente teria desistido.

Litecoin
Neste ano, o ether superou outras moedas virtuais, como o litecoin
Direito de imagemG0D4ATHER

Na ocasião, 91,3% do mercado de criptomoedas era dominado pelo bitcoin, seguido pelo ripple (2,8%) e litecoin (2,15%). O ether representava apenas 1%.

Mas o quadro mudou: a fatia do bitcoin no mercado foi reduzida para 39,8%, enquanto a do ether subiu para 28,5%.

Segundo Garrick Hileman, historiador econômico da Universidade de Cambridge e da London School of Economics (LSE), há três razões para essa mudança.

“A primeira é que o bitcoin parou de inovar. A moeda está atingindo sua capacidade plena e está gerando debate sobre como aumentar essa capacidade”, explicou Hileman à BBC.

Dois empreendedores
Empreendedores descobriram o potencial do Ethereum para conseguir financiamento Direito de imagemPEOPLEIMAGES

O segundo motivo se refere às características “sofisticadas” do Ethereum, que permitem projetar esses dapps.

O mais importante, no entanto, é que os empreendedores descobriram as vantagens oferecidas pelo Ethereum para conseguir financiamento: a Oferta Inicial de Moedas (ICO, na sigla em inglês).

Novas criptomoedas

A ICO nada mais é do que uma forma de crowdfunding (financiamento coletivo): um empreendedor divulga sua ideia, cria uma criptomoeda e a vende para conseguir o dinheiro que tornará seu negócio realidade.

A vantagem para as startups é que, diferentemente de outras formas de financiamento, quem compra as moedas não recebe ações da futura empresa em troca.

O que eles ganham então? No futuro, quando a empresa estiver operando, o investidor poderá trocar sua moeda virtual por dinheiro real.

Mas por que você precisa do ether? Para comprar a criptomoeda criada pela startup.

“É por isso que a imprensa não escreve sobre isso, é muito complicado!”, afirma Hileman.

Porquinho de moeda
Nas ICOs, os investidores não adquirem ações mas compram criptomoedas Direito de imagemBRIANAJACKSON

De acordo com o professor, a ICO pode ser feita com qualquer moeda virtual, inclusive bitcoin. Mas a vantagem de usar o ether é que ele já vem com uma plataforma ideal para esse tipo de transação.

No caso das outras moedas, você precisa procurar onde fazer a ICO.

O ápice foi na semana passada, quando a startup Bancomar arrecadou US$ 144 milhões em poucas horas.

“As pessoas estavam especulando que a Bancomar criaria uma plataforma tão grande que o preço da moeda aumentaria fortemente”, conta Hileman.

“As ICOs não são ilegais, mas não estão regulamentadas”, lembra o professor sobre algo que pode representar um risco.

“Há ceticismo e dúvidas se as empresas que já fizeram vão devolver o dinheiro ou se essas ICOs estão arrecadando cifras demasiadamente altas”, explica.

No momento, a expectativa é de que o espírito empreendedor faça o valor do ether continuar a subir.
BBC

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John David Wissler – Pro dia nascer melhor – 25/06/2017

John David Wissler – Lanscape I
O/s/t 95x 42cmBlog do Mesquita,Pinturas,Arte,Artes Plásticas,John David Wissler

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Jiddu Krishnamurti – Frase do dia – 25/06/2017

“Não é sinal de saúde estar bem adaptado à uma sociedade doente”
Jiddu Krishnamurti

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Brecht – Versos na tarde – 24/06/2017

Também o céu
Brecht¹

Também o céu às vezes desmorona
E as estrelas caem sobre a terra
Esmagando-a com todos nós.
Isto pode ser amanhã.

¹Eugen Berthold Friedrich Brecht
* Augsburg, Alemanha – 10 de Fevereiro de 1898

+ Berlim, Alemanha – 14 de Agosto de 1956

Conheça a Biografia de Brecht

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Engenharia genética criará uma raça superior?

“A edição genética poderia criar uma classe social superior”

O oncologista indo-americano Siddhartha MukherjeeO oncologista indo-americano Siddhartha Mukherjee MIRIAM LÁZARO

Oncologista que ganhou Pulitzer reflete sobre como genética vai acabar com o mundo que conhecemos

O que acontece quando uma máquina aprende a ler e escrever seu próprio manual de instruções? Esta é a pergunta que Siddhartha Mukherjee (Nova Délhi, Índia, 1970), vencedor do prêmio Pulitzer em 2010 por sua biografia do câncer: O imperador de todos os males (Companhia das Letras) quer responder com seu último livro.

Em O gene: uma história íntima (Companhia das Letras), este oncologista entrelaça três narrativas como em uma tripla hélice: uma pessoal, em torno de sua própria família, afetada por doenças mentais hereditárias; uma história que acompanha os cientistas e as experiências que deram origem à genética moderna; e uma chamada de atenção sobre como as tecnologias derivadas desse conhecimento podem mudar a sociedade, e a discussão necessária para que não tenhamos de nos arrepender do que aprendemos.

No início deste mês, no maior congresso de câncer do mundo, em Chicago, Mukherjee propunha em uma conferência diante de milhares de médicos um exemplo concreto da relevância dessa discussão. Os testes genéticos permitiram descobrir mutações que podem predispor a sofrer um tumor e em muitos casos melhorou o prognóstico. No entanto, também corre-se o risco de transformar o câncer em uma instituição total na qual o paciente é “constantemente vigiado” e a quem se recorda com frequência demais a ameaça da morte. É um caso em que o conhecimento do genoma pode condicionar a forma de viver nossa vida.

Pergunta. Os nazistas utilizaram a poderosa ideia da genética para justificar seus delírios de limpeza racial e os soviéticos a rechaçaram, negando toda evidência científica, porque a consideravam uma ideia burguesa. Você reconhece agora o uso dessa ideia científica como justificativa para determinadas ideologias?

Resposta. A eugenia privatizada não é diferente da imposta pelo Estado. Só mudam os atores. Um dos últimos desenhos no livro [em que aparece uma família chinesa que só tem filhos homens] mostra o que acontece às populações humanas quando se privatiza a capacidade das pessoas de tomar decisões sobre as características genéticas de seus filhos. Que tenhamos desmantelado a eugenia estatal não significa que não sejamos capazes de propor as mesmas escolhas individualmente, e é igualmente perigoso.

P. Se conseguimos desenvolver uma tecnologia para melhorar os humanos, tornando-os mais inteligentes ou mais bonitos, é possível evitar que as pessoas façam isso com seus filhos?

Dizer que um conhecimento é perigoso incita a buscá-lo.

R. Acho que estamos rumando lentamente para uma nova era. Há três meses, a Academia Nacional de Medicina dos EUA tomou uma decisão muito interessante e muito importante. Estava-se debatendo se as alterações genéticas podiam ser permitidas em espermatozoides, óvulos e embriões humanos. Até agora, no Ocidente, decidimos que a engenharia genética é aceitável em células humanas desde que não mude permanentemente o genoma humano. Se em seu corpo você muda as células do sangue ou os neurônios ou as células do câncer, tudo isso não faz com que as mudanças se tornem parte permanente do genoma humano.

Com Crispr [uma nova ferramenta de edição do genoma] e outras tecnologias estamos chegando ao ponto em que podemos nos perguntar se deveríamos editar o genoma humano de forma permanente. E a academia decidiu permitir isso. Mas há algumas limitações. A primeira, a de que deveria haver uma relação causal entre o gene e o objetivo que tentamos alcançar. A maioria dos traços humanos têm sua origem em vários genes, efeitos ambientais, o acaso… Mas alguns são muito autônomos e para essas doenças em que há uma causa direta entre gene e a doença poderíamos tornar essas mudanças permanentes.

A segunda limitação é mais complicada. Diz que se permitiria realizar essas mudanças se houver um sofrimento extraordinário que se quer evitar. Mas sofrimento extraordinário segundo quem? Quem vai estabelecer os limites? É um sofrimento extraordinário ser mulher em uma sociedade em que se pode enfrentar uma discriminação pavorosa? Definiríamos o sofrimento extraordinário segundo uma doença? Ou perguntando às pessoas se estão sofrendo, se querem continuar vivendo assim? É uma decisão muito complicada e no fim tem a ver com quem somos, com como nos definimos.

P. No livro, você fala dos problemas mentais hereditários que sofreu em sua família. Se tivesse a possibilidade de eliminar esse problema com edição genética, o faria?

R. Não tenho nenhuma dúvida de que no futuro será possível encontrar uma relação entre doenças como a esquizofrenia ou o transtorno bipolar e talvez 10 ou 20 variantes de genes que, combinados, podem predizer que o risco de alguém sofrer essas doenças se multiplica por 10 ou 20. Uma vez que começarmos a conhecer essas combinações, o que vamos fazer?

A eugenia privatizada não é diferente da imposta pelo Estado

Imagine um experimento no qual sequenciamos 10 ou 15 milhões de genomas humanos e, depois, para cada um desses 15 milhões, registramos as vidas dessas pessoas. Em seguida utilizamos técnicas de computação para cruzar essas informações e começamos a entender bem como essas combinações de genes – ou até mesmo a combinação desses genes com fatores ambientais – aumentam ou diminuem o risco de sofrer determinadas doenças. No final, você pode imaginar como em uma família como a minha 10 variantes genéticas em combinação multiplicam por 10 o risco de uma doença terrível. Você sequenciaria o genoma de seus filhos para ver qual carrega esse risco?

P. Se eu puder fazer algo a respeito, seguramente sim. Se não, preferiria não saber. Já fazemos isso com a síndrome de Down, mas poderíamos começar a descartar particularidades genéticas muito mais sutis.

R. Depende do que você considere poder fazer algo a respeito ou mudar algo. Uma das possibilidades, que teremos à disposição logo, pode ser algo como selecionar embriões e só implantar aqueles que não têm determinadas combinações de genes.

P. Mas já fazemos isso. Quase não nascem mais pessoas com síndrome de Down.

R. Verdade. Já fazemos isso com as trissomias [presença de três cromossomos e não dois como seria o normal], mas poderíamos fazer com particularidade genéticas muito mais sutis. Acho que só veremos isso daqui a 10 ou 15 anos.

Já o fazemos com a síndrome de Down, mas poderíamos começar a descartar particularidades genéticas bem mais sutis

P. E você concorda com isso?

R. Não estou seguro de que tenhamos nem a compreensão científica nem humanística do que vai acontecer uma vez que comecemos a adotar essas tecnologias. Acredito que o público crê que os genes produzem características, que são iguais a características, e claramente esse não é o caso. Agora sabemos que para a maioria das características humanas o normal é que vários genes ajam em conjunto e que o ambiente desempenhe um papel muito importante. Tampouco creio que tenhamos uma compreensão humanística sobre o tipo de mundo em que viveremos uma vez que começarmos a levar a cabo esse tipo de manipulação. O que aconteceria se essas tecnologias só estivessem disponíveis para os ricos? Teríamos uma sociedade que não só estaria dividida por uma brecha econômica como também as novas tecnologias criariam uma subclasse genética. Me parece que o perigo é enorme. Não sou pessimista sobre o poder de utilizar essas tecnologias genéticas tão potentes para curar doenças, mas também creio que todos nós deveríamos parar para pensar antes de avançar com demasiada rapidez em direção a esse futuro.

P. Quando se fala de edição genética, parece aceitável empregá-la para curar uma doença, mas há mais dúvidas se a intenção é melhorar alguém que já está bem.

R. O que você está perguntando é onde está a fronteira entre a doença e a normalidade. Essa linha mudou durante nossa própria vida. A homossexualidadeera considerada uma doença até pouco tempo atrás. Vinte anos depois, no ocidente, percebemos que é fundamentalmente uma variação humana. Em muitas sociedades ainda é considerada uma doença e você pode ser morto por causa disso. As linhas entre a normalidade e a doença são flexíveis. A pergunta é como começaremos a saber o que significa um sofrimento extraordinário para você. Quem pode definir isso? O Estado vai fazer uma lista. As linhas são flexíveis. Quem vai delimitá-las?

Não conheço as respostas mas sei que não cabe aos cientistas responder a essas perguntas sozinhos. Estamos capacitados para desenvolver uma tecnologia, para explorar a natureza e criar novas tecnologias. Mas não estamos preparados para compreender as imensas implicações dessas tecnologias, particularmente do genoma humano, que é o que mais temos de humano. Nossa decisão para intervir nisso não pode ser tomada apenas por cientistas. Tem que ser um processo político muito mais amplo. E para fazer isso precisamos do vocabulário, dos antecedentes, da história, e precisamos compreender as limitações e pensar sobre o futuro. É disso que o livro fala.

P. Jennifer Doudna, uma das criadoras do sistema de edição Crispr, disse ser uma sorte o fato de não conhecermos em detalhes a origem genética de traços complexos como a inteligência, porque isso tornaria impossível um programa de melhoria humana. Há conhecimentos que é melhor não obtermos?

R. Eu também tenho um conflito com essa pergunta. Acho que dizer que certo conhecimento é perigoso leva imediatamente alguém a buscá-lo e disseminá-lo, o que o torna mais sedutor. Por outro lado, creio que há ideias que são fundamentalmente perigosas, e precisamos de uma compreensão profundamente humanística dessas ideias antes de começarmos a explorá-las como se fosse algo sem maior relevância.

As linhas entre a normalidade e a doença são flexíveis. Quem as vai delimitar?

Um exemplo: a inteligência é um conceito popular com uma longa história, que em parte também é depreciável. Depreciável porque uma das capacidades que os nazistas queriam medir e melhorar era justamente essa. Mas agora é um conceito popular, o utilizamos em conversas informais. Quando os cientistas utilizam a palavra inteligência, têm que pegar esse conceito e fazer um código e convertê-lo em algo que se possa definir e medir. No momento em que dissermos que a inteligência é algo sobre o que não se pode falar, alguns cientistas dirão: ‘Não, vou estudar justamente esse problema’.

O que quero fazer com esse livro é dar um passo atrás e pensar na linhagem desse conceito popular do gene, de onde ele vem, como se utilizava no passado, se estamos utilizando com precisão quando um cientista transforma esse conceito popular em uma medida.

Minha ideia não é restringir o conhecimento, não acredito nisso. Minha ideia é explorar desde o fundamental como obtemos o conhecimento, o que significam as palavras. Para que quando comecemos a utilizar palavras como inteligência, reconheçamos que há uma história por trás do uso dessa palavra na ciência, e que se vamos ter um debate público pediria que paremos um segundo e falemos sobre a transformação de um conceito popular em uma medida científica. Porque se não reconhecermos essa transição, cometeremos muitos erros horríveis. Não quero restringir o conhecimento, mas sim reconhecer a anatomia do conhecimento.

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Veículos – Volks Wagen

Fusca: Sempre eterno

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