“Na vingança e no amor a mulher é mais bárbara do que o homem”.
Friedrich Nietzsche

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Máscaras para prevenção contra a H1N1 – Gripe Suína

Diversos Estúdios foram convidados para criar máscaras contra a gripe suína.

O Estúdio Samira Boon criou uma proposta prática com um fecho que permite abrir para ingestão de comida.

Máscara geisha também do Estúdio Samira Boon

Digo Brands propõe uma máscara anti-porco pelo módico preço de US$100.

Um elegante bigode frisado é outra proposta da Digo.

A designer Sherry Sirof optou pela feminilidade e elegância.


A designer Irina Blok, foi mais longe que a Digo na proposta do bigode e acrescentou uma generosa barba.


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‘Eletrônicos duram 10 anos, livros, 5 séculos’

O bom humor parece ser a principal característica do semiólogo, ensaísta e escritor italiano Umberto Eco. Se não, é a mais evidente. Ao pasmado visitante, boquiaberto diante de sua coleção de 30 mil volumes guardados em seu escritório/residência em Milão, ele tem duas respostas prontas quando é indagado se leu toda aquela vastidão de papel. “Não. Esses livros são apenas os que devo ler na semana que vem. Os que já li estão na universidade” – é a sua preferida. “Não li nenhum”, começa a segunda. “Se não, por que os guardaria?”

Na verdade, a coleção é maior, beira os 50 mil volumes, pois os demais estão em outra casa, no interior da Itália. E é justamente tal paixão pela obra em papel que convenceu Eco a aceitar o convite de um colega francês, Jean-Phillippe de Tonac, para, ao lado de outro incorrigível bibliófilo, o escritor e roteirista Jean-Claude Carrière, discutir a perenidade do livro tradicional. Foram esses encontros (“muito informais, à beira da piscina e regados com bons uísques”, informa Umberto Eco) que resultaram em Não Contem Com o Fim do Livro, que a editora Record lança na segunda quinzena de abril.

A conclusão é óbvia: tal qual a roda, o livro é uma invenção consolidada, a ponto de as revoluções tecnológicas, anunciadas ou temidas, não terem como detê-lo. Qualquer dúvida é sanada ao se visitar o recanto milanês de Eco, como fez o Estado na última quarta-feira. Localizado diante do Castelo Sforzesco, o apartamento – naquele dia soprado por temperaturas baixíssimas, a neve pesada insistindo em embranquecer a formidável paisagem que se avista de sua sacada – encontra-se em um andar onde antes fora um pequeno hotel. “Se eram pouco funcionais para os hóspedes, os longos corredores são ótimos para mim pois estendo aí minhas estantes”, comenta o escritor, com indisfarçável prazer, ao apontar uma linha reta de prateleiras repletas que não parecem ter fim. Os antigos quartos? Transformaram-se em escritórios, dormitórios, sala de jantar, etc. O mais desejado, no entanto, é fechado a chave, climatizado e com uma janela que veda a luz solar: lá estão as raridades, obras produzidas há séculos, verdadeiros tesouros. Isso mesmo: tesouros de papel.

Conhecido tanto pela obra acadêmica (é professor aposentado de semiótica, mas ainda permanece na ativa na Faculdade de Bolonha) como pelos romances (O Nome da Rosa, publicado em 1980, tornou-se um best-seller mundial), Eco é um colecionador nato; além de livros, gosta também de selos, cartões-postais, rolhas de champanhe. Na sala de seu apartamento, estantes de vidro expõem tantos os livros raros – que, no momento, lideram sua preferência – como conchas, pedras, pedaços de madeira. As paredes expõem quadros que Eco arrematou nas visitas que fez a vários países ou que simplesmente ganhou de amigos – caso de Mário Schenberg (1914-1990), físico, político e crítico de arte brasileiro, de quem o escritor guarda as melhores recordações.

Aos 78 anos, Eco – que tem relançado no País Arte e Beleza na Estética Medieval (Record, 368 págs., R$ 47,90, tradução de Mario Sabino) – exibe uma impressionante vitalidade. Diverte-se com todo tipo de cinema (ao lado de seu aparelho de DVD repousa uma cópia da animação Ratatouille), mantém contato com seus alunos em Bolonha, escreve artigos para jornais e revistas e aceita convites para organizar exposições, como a que o transformou, no ano passado, em curador, no Museu do Louvre, em Paris. Lá, o autor teve o privilégio de passear sozinho pelos corredores do antigo palácio real francês nos dias em que o museu está fechado. E, como um moleque levado, aproveitou para alisar o bumbum da Vênus de Milo. Foi com esse mesmo espírito bem-humorado que Eco – envergando um elegante terno azul-marinho, que uma revolta gravata da mesma cor tratava de desalinhar; o rosto sem a característica barba grisalha (raspada religiosamente a cada 20 anos e, da última vez, em 2009, também porque o resistente bigode preto o fazia parecer Gengis Khan nas fotos) – conversou com a reportagem do Sabático.

O livro não está condenado, como apregoam os adoradores das novas tecnologias?

O desaparecimento do livro é uma obsessão de jornalistas, que me perguntam isso há 15 anos. Mesmo eu tendo escrito um artigo sobre o tema, continua o questionamento. O livro, para mim, é como uma colher, um machado, uma tesoura, esse tipo de objeto que, uma vez inventado, não muda jamais. Continua o mesmo e é difícil de ser substituído. O livro ainda é o meio mais fácil de transportar informação. Os eletrônicos chegaram, mas percebemos que sua vida útil não passa de dez anos. Afinal, ciência significa fazer novas experiências. Assim, quem poderia afirmar, anos atrás, que não teríamos hoje computadores capazes de ler os antigos disquetes? E que, ao contrário, temos livros que sobrevivem há mais de cinco séculos? Conversei recentemente com o diretor da Biblioteca Nacional de Paris, que me disse ter escaneado praticamente todo o seu acervo, mas manteve o original em papel, como medida de segurança.

Qual a diferença entre o conteúdo disponível na internet e o de uma enorme biblioteca?

A diferença básica é que uma biblioteca é como a memória humana, cuja função não é apenas a de conservar, mas também a de filtrar – muito embora Jorge Luis Borges, em seu livro Ficções, tenha criado um personagem, Funes, cuja capacidade de memória era infinita. Já a internet é como esse personagem do escritor argentino, incapaz de selecionar o que interessa – é possível encontrar lá tanto a Bíblia como Mein Kampf, de Hitler. Esse é o problema básico da internet: depende da capacidade de quem a consulta. Sou capaz de distinguir os sites confiáveis de filosofia, mas não os de física. Imagine então um estudante fazendo uma pesquisa sobre a 2.ª Guerra Mundial: será ele capaz de escolher o site correto? É trágico, um problema para o futuro, pois não existe ainda uma ciência para resolver isso. Depende apenas da vivência pessoal. Esse será o problema crucial da educação nos próximos anos.

Não é possível prever o futuro da internet?

Não para mim. Quando comecei a usá-la, nos anos 1980, eu era obrigado a colocar disquetes, rodar programas. Hoje, basta apertar um botão. Eu não imaginava isso naquela época. Talvez, no futuro, o homem não precise escrever no computador, apenas falar e seu comando de voz será reconhecido. Ou seja, trocará o teclado pela voz. Mas realmente não sei.

Como a crescente velocidade de processar dados de um computador poderá influenciar a forma como absorvemos informação?

O cérebro humano é adaptável às necessidades. Eu me sinto bem em um carro em alta velocidade, mas meu avô ficava apavorado. Já meu neto consegue informações com mais facilidade no computador do que eu. Não podemos prever até que ponto nosso cérebro terá capacidade para entender e absorver novas informações. Até porque uma evolução física também é necessária. Atualmente, poucos conseguem viajar longas distâncias – de Paris a Nova York, por exemplo – sem sentir o desconforto do jet lag. Mas quem sabe meu neto não poderá fazer esse trajeto no futuro em meia hora e se sentir bem?

É possível existir contracultura na internet?

Sim, com certeza, e ela pode se manifestar tanto de forma revolucionária como conservadora. Veja o que acontece na China, onde a internet é um meio pelo qual é possível se manifestar e reagir contra a censura política. Enquanto aqui as pessoas gastam horas batendo papo, na China é a única forma de se manter contato com o restante do mundo.

Em um determinado trecho de Não Contem Com o Fim do Livro, o senhor e Jean-Claude Carrière discutem a função e preservação da memória – que, como se fosse um músculo, precisa ser exercitada para não atrofiar.

De fato, é importantíssimo esse tipo de exercício, pois estamos perdendo a memória histórica. Minha geração sabia tudo sobre o passado. Eu posso detalhar sobre o que se passava na Itália 20 anos antes do meu nascimento. Se você perguntar hoje para um aluno, ele certamente não saberá nada sobre como era o país duas décadas antes de seu nascimento, pois basta dar um clique no computador para obter essa informação. Lembro que, na escola, eu era obrigado a decorar dez versos por dia. Naquele tempo, eu achava uma inutilidade, mas hoje reconheço sua importância. A cultura alfabética cedeu espaço para as fontes visuais, para os computadores que exigem leitura em alta velocidade. Assim, ao mesmo tempo que aprimora uma habilidade, a evolução põe em risco outra, como a memória. Lembro-me de uma maravilhosa história de ficção científica escrita por Isaac Asimov, nos anos 1950. É sobre uma civilização do futuro em que as máquinas fazem tudo, inclusive as mais simples contas de multiplicar. De repente, o mundo entra em guerra, acontece um tremendo blecaute e nenhuma máquina funciona mais. Instala-se o caos até que se descobre um homem do Tennessee que ainda sabe fazer contas de cabeça. Mas, em vez de representar uma salvação, ele se torna uma arma poderosa e é disputado por todos os governos – até ser capturado pelo Pentágono por causa do perigo que representa (risos). Não é maravilhoso?

No livro, o senhor e Carrière comentam sobre como a falta de leitura de alguns líderes influenciou suas errôneas decisões.

Sim, escrevi muito sobre informação cultural, algo que vem marcando a atual cultura americana que parece questionar a validade de se conhecer o passado. Veja um exemplo: se você ler a história sobre as guerras da Rússia contra o Afeganistão no século 19, vai descobrir que já era difícil combater uma civilização que conhece todos os segredos de se esconder nas montanhas. Bem, o presidente George Bush, o pai, provavelmente não leu nenhuma obra dessa natureza antes de iniciar a guerra nos anos 1990. Da mesma forma que Hitler devia desconhecer os relatos de Napoleão sobre a impossibilidade de se viajar para Moscou por terra, vindo da Europa Ocidental, antes da chegada do inverno. Por outro lado, o também presidente americano Roosevelt, durante a 2.ª Guerra, encomendou um detalhado estudo sobre o comportamento dos japoneses para Ruth Benedict, que escreveu um brilhante livro de antropologia cultural, O Crisântemo e a Espada. De uma certa forma, esse livro ajudou os americanos a evitar erros imperdoáveis de conduta com os japoneses, antes e depois da guerra. Conhecer o passado é importante para traçar o futuro.

Diversos historiadores apontam os ataques terroristas contra os americanos em 11 de setembro de 2001 como definidores de um novo curso para a humanidade. O senhor pensa da mesma forma?

Foi algo realmente modificador. Na primeira guerra americana contra o Iraque, sob o governo de Bush pai, havia um confronto direto: a imprensa estava lá e presenciava os combates, as perdas humanas, as conquistas de território. Depois, em setembro de 2001, se percebeu que a guerra perdera a essência de confronto humano direto – o inimigo transformara-se no terrorismo, que podia se personificar em uma nação ou mesmo nos vizinhos do apartamento ao lado. Deixou de ser uma guerra travada por soldados e passou para as mãos dos agentes secretos. Ao mesmo tempo, a guerra globalizou-se; todos podem acompanhá-la pela televisão, pela internet. Há discussões generalizadas sobre o assunto.

Falando agora sobre sua biblioteca, é verdade que ela conta com 50 mil volumes?

Sim, de uma forma geral. Nesse apartamento em Milão, estão apenas 30 mil – o restante está no interior da Itália, onde tenho outra casa. Mas sempre me desfaço de algumas centenas, pois, como disse antes, é preciso fazer uma filtragem.

Por que o senhor impediu sua secretária de catalogá-los?

Porque a forma como você organiza seus livros depende da sua necessidade atual. Tenho um amigo que mantém os seus em ordem alfabética de autores, o que é absolutamente estúpido, pois a obra de um historiador francês vai estar em uma estante e a de outro em um lugar diferente. Eu tenho aqui literatura contemporânea separada por ordem alfabética de países. Já a não contemporânea está dividida por séculos e pelo tipo de arte. Mas, às vezes, um determinado livro pode tanto ser considerado por mim como filosófico ou de estética da arte; depende do motivo da minha pesquisa. Assim, reorganizo minha biblioteca segundo meus critérios e somente eu, e não uma secretária, pode fazer isso. Claro que, com um acervo desse tamanho, não é fácil saber onde está cada livro. Meu método facilita, eu tenho boa memória, mas, se algum idiota da família retira alguma obra de um lugar e a coloca em outro, esse livro está perdido para sempre. É melhor comprar outro exemplar (risos).

Um estudioso que também é seu amigo, Marshall Blonsky, escreveu certa vez que existe de um lado Umberto, o famoso romancista, e de outro Eco, professor de semiótica.

E ambos sou eu (risos). Quando escrevo romances, procuro não pensar em minhas pesquisas acadêmicas – por isso, tiro férias. Mesmo assim, leitores e críticos traçam diversas conexões, o que não discuto. Lembro de que, quando escrevia O Pêndulo de Foucault, fiz diversas pesquisas sobre ciência oculta até que, em um determinado momento, elas atingiram tal envergadura que temi uma teorização exagerada no romance. Então, transformei todo o material em um curso sobre ciência oculta, o que foi muito bem-feito.

Por falar em O Pêndulo de Foucault, comenta-se que o senhor antecipou em muito tempo O Código de Da Vinci, de Dan Brown.

Quem leu meu livro sabe que é verdade. Mas, enquanto são os meus personagens que levam a sério esse ocultismo barato, Dan Brown é quem leva isso a sério e tenta convencer os leitores de que realmente é um assunto a ser considerado. Ou seja, fez uma bela maquiagem. Fomos apresentados neste ano em uma première do Teatro Scala e ele assim se apresentou: “O senhor não me admira, mas eu gosto de seus livros.” Respondi: Não é que eu não goste de você – afinal, eu criei você (risos).

Em seu mais conhecido romance, O Nome da Rosa, há um momento em que se discute se Jesus chegou a sorrir. É possível pensar em senso de humor quando se trata de Deus?

De acordo com Baudelaire, é o Diabo quem tem mais senso de humor (risos). E, se Deus realmente é bem-humorado, é possível entender por que certos homens poderosos agem de determinada maneira. E se ainda a vida é como uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, como Shakespeare apregoa em Macbeth, é preciso ainda mais senso de humor para entender a trajetória da humanidade.

Como foi a exposição no Museu do Louvre, em Paris, da qual o senhor foi curador, no ano passado?

Há quatro anos, o museu reserva um mês para um convidado (Toni Morrison foi escolhida certa vez) organizar o que bem entender. Então, me convidaram e eu respondi que queria fazer algo sobre listas. “Por quê?”, perguntaram. Ora, sempre usei muitas listas em meus romances – até pensei em escrever um ensaio sobre esse hábito. Bem, quando se fala em listas na cultura, normalmente se pensa em literatura. Mas, como se trata de um museu, decidi elaborar uma lista visual e musical, essa sugerida pela direção do Louvre. Assim, tive o privilégio (que não foi oferecido a Dan Brown) de visitar o museu vazio, às terças-feiras, quando está fechado. E pude tocar a bunda da Vênus de Milo (risos) e admirar a Mona Lisa a apenas 20 centímetros de distância.

O senhor esteve duas vezes no Brasil, em 1966 e 1979. Que recordações guarda dessas visitas?

Muitas. A primeira, em São Paulo, onde dei algumas aulas na Faculdade de Arquitetura (da USP), que originaram o livro A Estrutura Ausente. Já na segunda fui acompanhado da família e viajamos de Manaus a Curitiba. Foi maravilhoso. Lembro-me de meu editor na época pedindo para eu ficar para o carnaval e assistir ao desfile das escolas de samba de camarote, o que não pude atender. E também me recordo de imagens fortes, como a da moça que cai em transe em um terreiro (para o qual fui levado por Mario Schenberg) e que reproduzo em O Pêndulo de Foucault.

Ubiratan Brasil/Estadão

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Deitaduras, todas são iguais. Não suportam a liberdade de opinião. De Cuba a Pequim!

Contra a censura. Sempre!

O Editor


China ameaça Google com “consequências” caso empresa largue autocensura

A China advertiu nesta sexta-feira (12) a gigante da internet americana Google que a empresa ficará exposta a “consequências” se interrromper a filtragem dos resultados da buscas no site Google.cn.

“Apoiamos a expansão do Google na China, mas se violar as leis chinesas isto seria inamistoso e irresponsável, e o Google será certamente responsável pelas consequências”, afirmou o ministro da Indústria e Tecnologias da Informação, Li Yizhong.

O governo chinês controla com rigidez a internet e exige que as ferramentas de busca filtrem os resultados para ignorar os links que levam a conteúdos sensíveis para Pequim.

Em janeiro, o Google anunciou estar cansado da autocensura e informou que poderia interromper a medida, ou até mesmo suspender as atividades na China.

A ameaça aconteceu depois que a empresa americana foi vítima de ataques virtuais procedentes, segundo o Google, da China.

Desde então, o Google afirma estar em negociações com as autoridades chinesas, mas destaca que mantém a intenção de não atender mais as exigências oficiais de censura, o que não fez até agora.

“Se o Google decidir ficar na China, saberemos e isto beneficiará o desenvolvimento da internet na China”, comentou Li.

“Mas se decidir partir, o mercado de internet na China continuará se desenvolvendo rapidamente e o impacto não será muito grande”, completou.

A China tem o maior número de internautas no mundo: 384 milhões.

O mercado de busca on-line na China é dominado pelo local Baidu, que tinha 58,4% do setor no quarto trimestre, contra 35,6% da Google China.

France Presse, em Pequim

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Mouse – The Ball Scroll – designer Danilo Cvjetkovic


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A ‘coisa’ começou a esquentar. Do pescoço pra baixo, tudo é canela.


Ciro afirma que Serra ‘aparelha’ gestão paulista

O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), pré-candidato à Presidência, acusou ontem o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), presidenciável tucano, de aparelhar o Estado para se beneficiar eleitoralmente.

“Serra pegou o Márcio Fortes, um banqueiro do Rio, e o nomeou para dirigir a empresa de eventos de São Paulo. Todo mundo sabe que o Márcio Fortes, na verdade, ajuda a captação de dinheiro na campanha [presidencial]“, disse Ciro, em entrevista à rádio CBN, no Rio.

À Folha Fortes afirmou que Ciro “demonstrou sua ignorância”. Ele disse que não é banqueiro, mas engenheiro. “Não estou tratando de recursos para campanha. já tratei disto no passado, como político do PSDB.”

Ex-secretário e ex-tesoureiro do PSDB, Fortes dirige a Emplasa (Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano), vinculada à Secretaria Estadual de Planejamento.

Márcio Fortes está cotado para ser o vice da chapa encabeçada pelo deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) na disputa pelo governo fluminense.

Na entrevista, Ciro Gomes disse que é “remotíssima” a possibilidade de ser candidato à sucessão de Serra e negou que vá se encontrar com o presidente Lula para discutir tal tema. Ele também voltou a dizer que é mais preparado que Dilma para a corrida eleitoral.

João Paulo Gondim/Folha de S.Paulo

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Religious Devotional – tecido Pintado

Christian Engelmann, 1715 d.C – Alemanha


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A blogosfera e os jornais
Por Renato Mendes

Se há poucos anos ainda existiam dúvidas sobre a influência da blogosfera no jornalismo, nos dias atuais, além das dúvidas terem desaparecido, a simbiose que emerge da relação entre os blogues e os jornais é objeto de análise de diversos estudos. Com o surgimento do primeiro blogue nos EUA, em 1993 – quando a internet era ainda incipiente –, abriu-se uma janela sem precedentes para o início de um modelo coletivo de colaboração, baseado no feedback e na partilha de informações e notícias que revolucionaria o universo comunicacional.

Um ano após Justin Hall escrever em HTML (Hypertext Markup Language) o conteúdo do primeiro blogue, muito antes de surgirem as empresas especializadas em desenvolvimento de softwares para a criação de blogues, o então estudante do Swarthmore College recebe o primeiro visitante em sua página na internet. Tal fato é tão importante quanto a própria criação do blogue, pois algo inédito acontecia: a troca de informações entre duas pessoas pela internet a partir de um conteúdo gerado e publicado no mundo virtual.

A partilha na internet só foi possível graças à criação da tecnologia do hipertexto, por Tim Berners Lee, que mais tarde se transformou na WWW (World Wide Web). Através de um programa, ou o primeiro browser, Lee proporcionou aos não especialistas a possibilidade de publicar documentos como páginas da internet, dando início a um processo irreversível: emergia um novo modelo de interação entre pessoas e informações.

Conteúdo e comportamento dos blogs

O conceito Web 2.0, criado em 2004 por Tim O’Reilly, traduz-se no paradigma da internet como plataforma central de uma inteligência coletiva. O conceito é sustentado pelo desenvolvimento de aplicativos, que aproveitam os “efeitos de rede” para evoluírem. Esta evolução é proporcional à participação das pessoas nas redes. Como exemplo, temos os softwares open source, ou código aberto. Neste caso, a “inteligência coletiva” pode ser interpretada como meio, mas também como um fim, para a construção de uma plataforma do saber.

Sobre o conceito Web 2.0, alguns dizem que é uma buzzword, puro marketing. De qualquer maneira, diversas multinacionais que baseiam seus negócios na internet adotaram e amplificaram o conceito de Web 2.0, apoiadas pelos lucros alcançados através da experiência coletiva. Esta noção pode ser interpretada como uma tendência, ou então como uma nova versão da mesma ideologia do criador da WWW, que tem a internet como plataforma de partilha do conhecimento.

É necessário dizer que os blogues sejam talvez o elemento central desta plataforma para a inteligência coletiva, de partilha do conhecimento. O sítio Technorati, em sua série de relatórios – como, por exemplo, “O estado da Blogosfera em 2009″ – desenvolve desde 2004 estudos sobre os blogues, utilizando gráficos para perceber tendências na produção de conteúdo e comportamento dos bloggers – sob vários aspectos, além de entrevistar os maiores especialistas nesta área. Ciência está sendo produzida a partir do conteúdo que emana dos blogues.

Um novo gênero de jornalismo

A importância dos blogues na produção e transformação do conhecimento é inquestionável nos dias atuais e desperta cada vez mais interesse nas empresas de mídia, à medida que interfere na produção das notícias dos jornais. No blogue “Monday Note” escrito por Frédéric Filloux, editor internacional de um grupo de mídia norueguês, uma questão polêmica emerge na forma de uma pergunta em um dos posts: “Blogging, a new journalistic genre?” A reposta chega nas primeiras linhas, “um dos mais interessantes desenvolvimentos da internet (em 2009) será a evolução contínua dos blogues” e segue com a argumentação de que os blogues transformaram-se em um novo gênero jornalístico, “o qual poderá tornar-se o principal motor dos sítios de notícias”.

Segundo Filloux, muitos dos jornalistas que mantêm blogues referenciados – muitos endossados pela grande imprensa – fazem dos posts matérias jornalísticas mais interessantes, se comparadas aos seus trabalhos principais, nas redações dos jornais. De maneira a afirmar a importância dos bloggers no processo de construção da notícia, e ao mesmo tempo colocar este novo gênero de jornalismo em um patamar mais elevado, Filloux menciona os nomes de Floyd Norris, chefe do serviço financeiro do jornal The New York Times, e Paul Krugman, Prêmio Nobel de economia, como bloggers conhecidos e profissionais. O autor avança com a idéia de que os blogues devem ser elementos essenciais na estratégia editorial dos mídia.

A reflexão sobre do processo de apropriação das informações, que emerge da blogosfera, pelas redações dos jornais, torna-se mais rica sob a ótica do conceito de “mediamorfose”, de Roger Fidler: as novas formas de comunicar, ou os novos mídia, não surgem de maneira espontânea, mas sim através da transformação dos mídia que já existem. Este quadro de transformação não condena ao desaparecimento as velhas formas de comunicar, mas imprimem uma necessidade de adaptação. Em última análise é isso que Filloux defende em seu post sobre o surgimento de um novo gênero de jornalismo, muito apoiado pelo que acontece com os jornais norte-americanos.

Hiperligações e intertextualidade

No artigo de Carlos Castilho “Protagonismo dos blogs muda contexto da campanha eleitoral na mídia”, publicado no sítio Observatório da Imprensa, o autor chama a atenção para a internet como um novo ambiente político, “onde os participantes são ao mesmo tempo atores e público”. Castilho destaca um ambiente de polarização de opiniões políticas à medida que a data das eleições presidenciais no Brasil se aproximam. Os segmentos conservadores ocuparam o espaço mediático convencional, enquanto a internet será apropriada por setores mais liberais da política. O autor do artigo salienta o papel de protagonista que o blogger adquire quando expõe suas cores políticas na internet.

No sentido de reforçar o movimento espontâneo de apropriação de uma tecnologia emergente, os blogues, que beneficiou o universo informativo, temos um evento midiático de escala global que chocou a todos. O 11 de setembro marcou um momento de virada, de acordo com Dan Gillmor, quando a reportagem e a produção de notícias em escala massiva passou a ser feito pela audiência. O jornalismo-cidadão, ou participativo, ganhou grande expressão nas televisões e jornais de todo mundo, quando relatos pela internet, através de blogues, preenchiam o conteúdo informativo da grande mídia.

O que dizer, então, sobre os blogues, quanto se tem em conta a produção de notícias de forma amadora e despretensiosa? A popularização dos softwares para a criação dos blogues faz com que em menos de cinco minutos uma pessoa possa publicar qualquer conteúdo na internet. O emprego de técnicas jornalísticas para a criação de uma notícia é fator determinante para classificar se os conteúdos publicados nos blogues são ou não são conteúdos jornalísticos. De outra forma: o que determina ou descreve de melhor forma o jornalismo, não é o meio de dispersão da informação, mas sim, as técnicas empregues para a criação da notícia.

O que se observa em grande escala na blogosfera são blogues que apontam para outros blogues, jornais e conteúdo diverso e disperso pela rede. O uso exacerbado das hiperligações e da intertextualidade – um dos tipos de transtextualidade, que se observa nos blogues faz com que a reprodução de informações e notícias seja o principal efeito desta vaga de massificação do acesso aos blogues. O ineditismo e a relevância da informação – dois elementos que norteiam a produção da notícia, neste quadro de massificação, são marcas escassas da informação na blogosfera.

Imaginar transformações começa a ser possível

A inexorável interferência do conteúdo dos blogues no campo mediático está transformando as técnicas jornalísticas. Autores apontam o conteúdo informativo gerado a partir de blogues como um novo gênero jornalístico. A apropriação dos blogues pela grande mídia é de tal forma avançada que existem jornalistas dedicados à produção de conteúdo on-line, é comum os posts tornarem-se excertos de trabalhos jornalísticos convencionais ou até mesmo serem utilizados integralmente em trabalhos jornalísticos convencionais. Uma nova classe de jornalistas está em nascimento, aqueles que perderam suas posições nas redações – ou mesmo aqueles que nunca tiveram a experiência de uma redação e encontram na publicação on-line, através de blogs, o seu sustento.

Casos de repórteres terem conseguido financiamento de viagens profissionais para a cobertura jornalística começam a surgir. Surgem também notícias dos que conseguem pagar suas contas e seguir na carreira de jornalista graças às contribuições financeiras realizadas por suas audiências, em troca de conteúdo jornalístico on-line. Imaginar as transformações que os blogues imprimirão nas empresas de mídia começa a ser possível agora. O ganho de consciência por parte das sociedades sobre o poder da informação que circula na blogosfera determinará em grande parte a forma pela qual a revolução que está em curso transformará o campo jornalístico.

Fonte: Observatório da Imprensa

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Sapateado – Nicholas Brothers em Stormy Weather


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“Deve-se temer mais o amor de uma mulher, do que o ódio de um homem.”
Sócrates

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Soneto da mulher inútil
Vinicius de Moraes ¹

De tanta graça e de leveza tanta
Que quando sobre mim, como a teu jeito
Eu tão de leve sinto-te no peito
Que o meu próprio suspiro te levanta.

Tu, contra quem me esbato liquefeito
Rocha branca! brancura que me espanta
Brancos seios azuis, nívea garganta
Branco pássaro fiel com que me deito.

Mulher inútil, quando nas noturnas
Celebrações, náufrago em teus delírios
Tenho-te toda, branca, envolta em brumas.

São teus seios tão tristes como urnas
São teus braços tão finos como lírios
É teu corpo tão leve como plumas.

¹ Marcus Vinicius de Mello Moraes
* Rio de Janeiro, RJ. – 19 de Outubro de 1913 d.C
+ Rio de Janeiro, RJ. – 09 de Julho de 1980 d.C
>>biografia


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Continua, como dizem os cronistas esportivos, o denodado esforço dos políticos tucanos para se igualarem aos inacreditáveis petista. Cada vez mais, dia após dia, os dois partidos se mostram mais siameses.

Lula, Aécio, Serra, PSDB, PT… Tenho dito aqui neste espaço que petistas e tucanos só se diferenciam pelo método, sendo siameses no agir.

Espanta a cara de pau de iracundos tucanos em apontar o dedão acusador em direção às mazelas dos outros, enquanto silenciam, corporativa e amoralmente, quando a sujeira das emplumadas penas aparecem.

Pois é. Nada como um dia atrás do outro! E do outro também!

O Editor


Aécio imita Lula e já inaugura até pedra fundamental

O governador tucano de Minas, Aécio Neves, adotou uma prática que, sob Lula, a oposição especializou-se em criticar: a “inauguração” de pedras fundamentais.

Aécio mimetizou Lula no município mineiro de Divinópolis. “Inaugurou” ali a pedra fundamental de um hospital público.

O hospital vai custar R$ 36 milhões às arcas estaduais. Aécio liberou R$ 8,9 milhões desse total.

A a obra é coisa por fazer. Só será concluída na próxima gestão. Mas Aécio, em franca campanha, cuidou de contabilizar antecipadamente o feito:

“O Hospital Regional, uma demanda, uma necessidade, uma carência quase que histórica dessa cidade, começa agora a ser implementado”.

Nas palavras do governador, as futuras instalações chegaram mesmo a ganhar forma:

“Um hospital todo equipado é o que pretendemos oferecer à população de Divinópolis”.

Candidato declarado ao Senado, Aécio levava a tiracolo o vice-governador Antonio Anastasia.

Vem a ser uma espécie de Dilma Rousseff de calças. Um tucano que Aécio tenta eleger seu sucessor.

Ainda em Divinópolis, Aécio e Anastasia “entregaram” um aeroporto. Foi reformado, ao custo de R$ 11 milhões.

Para Aécio, tratou-se de uma “inauguração”. De acordo com o texto levado ao portal do governo mineiro, realizou-se uma “reinauguração“.

Governador e vice deixaram em Divinópolis um rastro de verbas: R$ 6 milhões para pavimentação de vias públicas…

…R$ 840 mil para a construção de um par de postos de saúde, R$ 730 mil para a um terminal de passageiros do aeroporto local.

Antes de retornar a Belo Horizonte, Aécio concedeu uma entrevista.

Perguntaram-lhe sobre a articulação de prefeitos mineiros em favor do voto “Dilmasia” –Dilma para presidente e Anastasia para governador.

E ele: “Acho uma bobagem. Acho que aqueles que estiveram conosco, vão estar empenhados também na eleição do nosso partido, na eleição do governador José Serra…”

“…Esse é o nosso compromisso e vou trabalhar no limite das minhas forças para que ele tenha um ótimo resultado em Minas Gerais”.

blog Josias de Souza

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